quinta-feira, 31 de julho de 2014

Índios isolados na região de fronteira do Brasil com o Peru

Blog da Amazônia Exclusivo: Vídeo do 1º contato dos índios isolados com Funai no Acre



Texto de Altino Machado publicado no Blog da Amazônia
Faz um mês nesta terça-feira (29) que um povo indígena isolado estabeleceu o primeiro contato com indígenas da etnia ashaninka e servidores da Fundação Nacional do Índio (Funai), na Aldeia Simpatia da Terra Indígena Kampa e Isolados do Alto Rio Envira, no Estado do Acre, na região de fronteira do Brasil com o Peru.
Os grupos de índios isolados da região, que entre si se envolvem em conflitos armados, buscam proteção no lado brasileiro porque estão sendo massacrados por narcotraficantes e madeireiros peruanos.
Terra Magazine, em maio de 2008, mostrou ao mundo (veja) as primeiras imagens de um dos grupos de índios isolados que vivem na região, fotografado durante sobrevoo coordenado pelo sertanista José Carlos dos Reis Meirelles Júnior, que chefiava a Frente de Proteção Etnoambiental (FPE) da Funai. Dessa vez, o Blog da Amazônia obteve com exclusividade o vídeo inédito do primeiro contato, fotos e o relatório de campo da equipe da Funai.
Há mais de dois anos a FPE foi invadida por peruanos, os servidores da Funai bateram em retirada e desde então foi abandonada pelo governo brasileiro. O pessoal da FPE acompanhava a aproximação dos índios isolados desde o dia 13 de junho. O sertanista José Carlos Meirelles, que atualmente trabalha na Assessoria Indígena do Governo do Acre, tem participado dos contatos.
O primeiro contato com os índios isolados, sem auxílio de intérprete, foi estabelecido pelo índio Fernando Kampa de forma pacífica. Os ashaninka da Aldeia Simpatia se aproximaram e os isolados gesticulavam pedindo a calça de um servidor da Funai, que se aproximou juntamente com os ashaninka apenas de cueca
- Ao gesticularem pedindo comida, o indígena Fernando Kampa pediu que fossem apanhados dois cachos de banana e os deu aos índios, realizando assim o contato. No momento de entrega das bananas, também apareceu na margem contrária outro índio isolado que havia sido avistado na BAPE Xinane e também uma mulher com um saiote, possivelmente feito de envira, e com uma criança de aproximadamente cinco anos. A mulher entregou um jabuti ao indígena Fernando Kampa como forma de agradecimento ou troca pelas bananas – diz o relatório de campo da equipe da Funai.
Após o primeiro contato, de acordo o relatório, o indígena Fernando Kampa pediu que os ashaninka pegassem suas roupas para dar aos isolados e os chamou para o acompanhar até a aldeia Simpatia. “Mais uma vez não foi possível controlar os avanços dos ashaninka”. Segundo o relatório, as roupas estavam sujas, possivelmente com escarros, doenças sexualmente transmissíveis, que podem ter contaminado os isolados.
O fato é que o grupo de índios isolados contraiu gripe e se deslocou junto com a equipe da Funai para a base da FPE Xinane. O grupo foi convencido a permanecer na aldeia até que fosse encerrado o atendimento médico pela equipe mobilizada pelo geógrafo Carlos Travassos, da Coordenação-geral de Índios Isolados da Funai em Brasília.
Após a conclusão do tratamento, os indígenas retornaram para suas malocas, onde estão os demais integrantes de seu povo. De acordo com informações dos intérpretes que integram a equipe da Funai, os índios pertencem a um subgrupo do tronco linguístico pano.
A equipe da Funai encontrou uma pequena bolsa na qual os índios isolados carregavam cachimbo, camisas, caixa de fósforo peruano, embalagens de sabão peruano, uma carteira do Corinthians enrolada com pedaços de fios coloridos e com um pote contendo um líquido, provavelmente um anticoagulante que é aplicado na ponta das flechas. Havia também cartucho calibre 32, pólvora preta (marca Jacaré), uma espoleta, pacote vazio de sal (marca Caiçara), caucho (sernambi), três lâmpadas incandescentes, parafusos e porcas, que os isolados usam para carregar cartuchos da espingarda. O material foi todo devolvidos aos isolados.
Os índios isolados, que prometeram regressar com familiares no prazo de luas -mais ou menos no começo de setembro-, neste domingo (27) decidiram antecipar. Um grupo de oito isolados se estabeleceu na Aldeia Simpatia, incluindo uma criança.
O índio Zé Correia, da etnia jamináwa, chamado pela Funai como intérprete, contou que os índios isolados preferiram não se identificar porque temem ser alvos de novas correrias (matança organizada de índios) por parte de outros grupos indígenas isolados.
- Mas a situação mais grave envolve os narcotraficantes e madeireiros peruanos. A maioria desse grupo contatado é de jovens. A maioria dos velhos foi massacrada pelos brancos peruanos, que atiram e tocam fogo nas casas dos isolados. Eles disseram que muitos velhos morreram e chegaram enterrar até três pessoas numa cova só. Disseram que morreu tanta gente que não deram conta de enterrar todos e os corpos foram comidos pelos urubus. Nosso povo jamináwa compreende a língua dos isolados e nós vamos acompanhar. O governo brasileiro precisa fazer algo para defender esses povos. Eles disseram que existem outros cinco povos isolados na região e que são grupos bastante numerosos. Apesar das diferenças e dos conflitos que existem entre esses grupos, todos são perseguidos pelos brancos peruanos. Qualquer dia todos esses povos podem procurar o Brasil em busca de proteção. A Frente de Proteção Etnoambiental da Funai precisa de total apoio.  Vai ser impossível se fazer algo apenas com as mãos e as unhas. Não podemos ser cúmplices de genocídios – apelou Correia.
A equipe da da Frente de Proteção Etnoambiental Envira Envira, entre os dias 17 e 30 de junho, produziu um relatório preliminar de campo denominado “Desenvolvimento das atividades Aldeia Simpatia”.  Veja o que foi relatado sobre o que aconteceu na aldeia nos dias 29 e 30 de junho:
29/06/2014 – domingo
Durante todo o dia ocorreu a tradicional caiçumada dos Ashaninka e no final da tarde, por volta das 16:00, o téc. em enfermagem, Francimar Kaxinawa, retornou às pressas de seu banho no rio e informou a equipe da FUNAI (Marcelo Torres) que os isolados estavam gritando no barranco à margem oposta da praia da aldeia Simpatia.
Outras crianças Ashaninka também ouviram e chamaram rapidamente os adultos que estavam na caiçumada. Neste momento, os indígenas Ashaninka seguiram correndo pela praia até chegarem próximos aos isolados, liderados pelo indígena Fernando Kampa. Todos os Ashaninka aparentavam estar bêbados e bastante alterados.
Um dos indígenas da aldeia Simpatia, Gilberto Kampa, havia subido o rio pouco tempo antes para arrancar macaxeira e após ver os isolados ficou ilhado no roçado. Sua esposa veio até a aldeia chorando e pediu para que fossemos busca-lo. Além de Gilberto, estavam com ele 2 de seus filhos com idade entre 3 e 5 anos.
Os isolados gritavam e gesticulavam, onde foi possível ouvir nitidamente a palavra “camisa” e batendo na barriga como quisessem dizer que estavam com fome. No momento da aparição, estava presente apenas o servidor Marcelo Torres da FUNAI e sendo que Meirelles, Artur e Guilherme estavam mais abaixo no rio Envira pescando.
Não foi possível conter os Ashaninka para aproximação com o grupo isolado, que a princípio se apresentou com 4 índios, os mesmos avistados na BAPE Xinane. Seguiam portando 1 espingarda e os demais com arcos e flechas.
Os Kampas se aproximavam mais e os isolados gesticulavam pedindo a calça do servidor Marcelo Torres, que se aproximou juntamente com os Kampa sem a calça, apenas de cueca. Ao gesticularem pedindo comida, o indígena Fernando Kampa pediu que fossem apanhados dois cachos de banana e os deu aos índios, realizando assim o contato.
No momento de entrega das bananas, também apareceu na margem contrária outro índio isolado que havia sido avistado na BAPE Xinane e também 1 mulher com um saiote possivelmente feito de envira e com 1 criança de aproximadamente 5 anos. A mulher entregou um jabuti que foi entregue ao indígena Fernando Kampa como forma de agradecimento ou troca pelas bananas.
Após este contato, o indígena Fernando Kampa pediu que os Ashaninka pegassem suas roupas para dar aos isolados e os chamou para o acompanhar até a aldeia Simpatia, onde mais uma vez não foi possível controlar os avanços dos Ashaninka. As roupas dadas estavam sujas, possivelmente com escarros, DST’s, etc., que podem ter contaminado os isolados.
Na chegando a praia da aldeia Simpatia, também havia acabado de chegar os servidores Artur e Guilherme, juntamente com Meirelles. A equipe tentou conter os isolados e os Kampa que chegaram a ligar o motor do barco da FUNAI para buscar o indígena Gilberto Kampa no roçado, mas foi praticamente impossível até que Fernando Kampa foi contido após ríspida discussão com a equipe da FUNAI.
Chegaram a aldeia apenas 3 dos índios isolados e os demais permaneciam no barranco à margem contrária. O indígena Fernando Kampa pediu para sua esposa trouxesse caiçuma para os isolados e ao chegar na praia, o servidor Marcelo Torres orientou ao médico da equipe de saúde, Neuber, que chutasse a cuia impedindo que a bebida chegasse até os isolados.
Após este momento, os índios começaram a subir para a aldeia e saquear as casas dos Ashaninka que permaneciam passivos, bêbados, sem qualquer espécie de reação. Foi preciso que a equipe da FUNAI intervisse e impedisse que todas as casas fossem saqueadas. Meirelles precisou ser mais ríspido para que um dos isolados deixasse parte do que iria saquear no chão. Quando eram mostradas armas, os isolados se mostravam extremamente nervosos e agitados, gritando “Shara”.
Depois deste momento de saque, a equipe da FUNAI conseguiu conter um pouco os isolados e os acalmar, sendo possível ver os isolados arremedando animais da mata e também cantando. O servidor Guilherme tentou realizar o contato urgente com Brasília e Rio Branco e não obteve resposta.
A equipe seguiu conversando e tentando manter contato com os isolados para acalmá-los, mas em determinado momento, o grupo isolado ouviu um arremedo de nambu azul vindo da mata próxima ao Ig. Simpatia e se agitaram, gesticulando como se tivessem sido flechados.
Com o cair da noite tornou-se ainda mais difícil conter o grupo e novos saques foram realizados nas casas dos Ashaninka. Pouco tempo depois, chega a aldeia Simpatia pela mata o indígena Gilberto Kampa com seus filhos, assustado e informando que haviam outros índios escondidos na região do roçado.
Na tentativa dos servidores de conter os saques, os mesmos eram ameaçados com flechas. A equipe tentou fazer uma fogueira e sentar com os isolados, mas pouco depois o grupo de isolados desceu e saiu correndo pela praia no sentido do barranco onde estavam os demais índios.
Após o contato e a saída dos índios, as equipes da FUNAI e da Saúde realizaram escala de vigília durante a noite em caso de nova investida dos isolados. Durante o período da noite e madrugada, apesar da vigília, os isolados cortaram todas as cordas das ubás e afundaram uma das voadeiras da FUNAI com motor.
30/06/2014 – segunda-feira
Por volta das 7:00, os Ashaninka que tinham descido na praia do simpatia nos informaram que os índios isolados estavam descendo novamente rumo a aldeia, descemos na praia e montamos um esquema para impedir que eles subissem novamente para realizar saques. Uma equipe ficou na frente e outra com espingardas atrás. Orientamos que ninguém ficasse sozinho frente aos isolados, mantendo sempre um numero maior que eles. Eles utilizaram a ubá do Gilberto Kampa (tinha deixado no rocado) para atravessarem o rio.
Atravessaram o rio Envira e deixaram a ubá na praia localizada acima da aldeia. Estavam em 04 pessoas. Eles se deslocaram pelo rio até a praia.
Ao chegarem à praia da aldeia Simpatia já foram logo pedindo coisas, tipo camisas e panelas.  Não foi fornecido. A equipe da FUNAI manteve um dialogo através de gestos calmo e tranquilo. Eles subiram o barranco, mas foram contidos antes de entrarem na aldeia. Qualquer investida era contida mostrando as armas, o que os deixavam bastantes nervosos. Meirelles tinha esse papel de impedir  a entrada deles, quando tentavam entrar na aldeia ele gritava, assoprava e mostrava a arma.
Foi tentado realizar trocas com os isolados, do tipo mostrávamos um terçado e pedíamos uma flecha, mostrávamos artesanatos (eles demonstravam grande interesse) e pedíamos algum ornamento deles, mas nenhuma troca obteve sucesso.
Ao perceberem que não obteriam sucesso nos saques, pediram algo para comer, foi dada banana, macaxeira cozida, coco e carne assada, sendo que só comeram as bananas. Desconfiavam de tudo que dávamos para eles comerem. Eles abriram os cocos, tomaram um pouco da água e deram o restante para a equipe que ficou a frente na contensão.
Num certo momento o servidor Artur fez um cigarro de tabaco e acendeu em frente aos isolados, eles ficaram bem exaltados e pediram o tabaco e o isqueiro. O tabaco foi fornecido, eles pegaram, cheiraram e pediram para que Artur desse o cigarro feito. Artur forneceu o cigarro, eles deram algumas puxadas e guardaram para mais tarde. Artur tentou trocar o isqueiro por uma flecha, mas os isolados não quiseram.
Fernando Kampa apareceu num certo momento tirando algumas fotos bem de perto, ao bobiar por um minuto, estava mostrando o funcionamento do isqueiro, um isolado tirou a câmera do Fernando que estava no bolso e foi embora.
Ao perceberem que não obteriam sucesso nos produtos industrializados resolveram ir embora. O tempo de permanência foi de 1:30 h no barranco da aldeia Simpatia. Ao sair um indígena isolado espirrou, ao entrar no rio o mesmo deu uma tossida.

É necessário amansar os brancos

Ivana Bentes
Documento de cultura, documento de barbárie é a primeira coisa que vem a cabeça vendo os relatos dos indigenistas e agentes que participaram dos contatos com os índios isolados do Acre. A própria forma de percebê-los ganha materialidade nos confrontos com o Estado: avistamentos, vestígios, confrontos armados, mortes dos “isolados”, mortes dos moradores brancos, conflitos com narcotraficantes, etc. O que acontece depois do contato? Muitos vão morrer pela simples proximidade e contágio com as gripes e doenças corriqueiras dos brancos. Como se preparar para o encontro, que estratégias, qual o melhor momento?
É sintomático que os contatos se intensifiquem quando as terras indígenas são comprimidas, pelo desmatamento, pressão de madeireiros, mineradoras, prospecção de petróleo, tráfico de drogas, missionários. Os índios isolados “fazem contato” numa situação critica como disse o antropólogo Terri de Aquino.
Indios ”isolados” de quem? Não somos isolados, bravos, invisíveis, cercados, somos resistentes. Vocês não acham a gente, índio já está ali desde sempre, é como o jabuti na floresta, ninguém acha o jabuti, só encontra quando ele está passando disse o indígena Jaminawá José Correia na sessão emocionante de apresentação das imagens inéditas do contato com os “índios isolados” mostradas pela FUNAI durante 66ª Reunião Anual da SBPC, no Acre. Ele acompanhou os primeiros contatos da FUNAI na Aldeia Simpatia da Terra Indígena Kampa e Isolados do Alto Rio Envira, na região do Acre de fronteira do Brasil com o Peru.
O depoimento continua dizendo: “os indios não são “isolados” são livres e circulam porque não sabem dessas fronteiras que os brancos inventaram, não tem indígena do Peru, do Brasil, da Bolívia, nós somos o mesmo povo. Não queremos ser mandados, queremos ser parceiros da FUNAI para ajudar os parentes isolados.”
No vídeo apresentado vemos as imagens de garotos indígenas muito jovens no primeiro encontro, tenso e com um misto de celebração e desespero dos agentes do encontro: “papa não, não pode! No, no, no! Panela, não! Não, tem doença!"  quando pegam uma muda de roupa. A aproximação pelo oferecimento de comida. O interesse dos indígenas pelos terçados, machados e também gestos de impaciência com as reprimendas e ansiedade dos brancos!
O Estado brasileiro (ou qualquer estado) está preparado? A missão foi exitosa, diz Carlos Travasso, mas as condições precárias da FUNAI, a burocracia, a dificuldade em trabalhar em cooperação entre Brasil, Peru, Bolivia, os desafios da Pan Amazônia se impõem. Numa infinita remediação de um campo e uma situação que precisa de atenção mais do que urgente e que sofre retrocessos constantes. “Só queremos viver” disse um dos indígenas.
Foi uma sessão emocionante e histórica com antropólogos, estudantes, agentes da Funai, e indígenas na SBPC em Rio Branco-Acre. Ouvimos os relatos do antropólogo Txai Terri Aquino, do indígena Jaminawá José Correia, do antropólogo de Porto Maldonado, no Peru, Alfredo Gárcia Altamirano, de Carlos Travasso, da Coordenação-geral de Indios Isolados da Funai e de outros indígenas da região. 
Fonte: https://ninja.oximity.com/article/Blog-Da-Amaz%C3%B4nia-Exclusivo-V-2

terça-feira, 29 de julho de 2014

Candidatos a governador da Bahia vão discutir cultura na Academia de Letras (ALB)

Academia de Letras da Bahia promove encontro para discutir cultura com os candidatos a governador do Estado

Os diversos segmentos comprometidos com a cultura no território baiano estarão no encontro intitulado A Política Cultural no Estado da Bahia, a ser realizado pela Academia de Letras da Bahia, no dia 29 de julho (terça-feira), às 19h, sob a coordenação do poeta e acadêmico Luís Antonio Cajazeira Ramos, com a participação dos candidatos a governador do Estado. O encontro visa criar um espaço de diálogo entre os candidatos ao comando do Governo estadual e os agentes culturais, abrindo a série de debates e de exposições de propostas da campanha eleitoral de 2014.
Fotomontagem
fotomontagem_ALB
Todos os candidatos inscritos no pleito eleitoral foram convidados a participar do encontro na ALB e confirmaram presença: Da Luz (PRTB), Lídice da Mata (PSB), Marcos Mendes (PSOL), Paulo Souto (DEM), Renata Mallet (PSTU) e Rui Costa (PT). As pessoas interessadas em comparecer e acompanhar o debate poderão entrar em contato pelo endereço eletrônico academiadeletrasdabahia@uol.com.br. O programa será gratuito, com acesso mediante credenciamento em número limitado. Haverá serviço de manobrista no local.
O evento dará sequência à série iniciada em 2012 com o encontro dos candidatos a prefeito de Salvador, de grande repercussão no meio cultural e na mídia, lembra o escritor Aramis Ribeiro Costa, presidente da Academia de Letras da Bahia. Em suas palavras, “a iniciativa da realização desse encontro entre os candidatos a governador da Bahia proporciona o diálogo e provoca uma discussão sobre a perspectiva cultural do Estado, além de contribuir para o amadurecimento da democracia e da cidadania em nossa sociedade”.
FORMATO
  1. Os temas a serem abordados foram selecionados por uma comissão de acadêmicos e convidados.
  2. Os candidatos tomaram conhecimento dos temas do encontro antecipadamente.
  3. Os temas serão discutidos pelos candidatos em duas rodadas de pronunciamentos.
  4. Cada candidato terá 5 minutos em cada rodada, prorrogáveis por mais 2 minutos.
  5. A ordem das falas dos candidatos nas duas rodadas será mediante sorteio.
  6. Não haverá debate entre os candidatos nem perguntas diretas da plateia.
REALIZADORES
O encontro é uma iniciativa da Academia de Letras da Bahia, organizado por uma comissão formada pelo escritor Aleilton Fonseca, o escritor Aramis Ribeiro Costa (presidente da ALB), o jornalista e escritor Carlos Ribeiro, a dramaturga Cleise Mendes, a gestora cultural Eliana Pedroso, a professora de letras Evelina Hoisel, o gestor social Geraldo Machado, o educador João Eurico Matta, a coreógrafa e bailarina Lia Robatto, o poeta Luís Antonio Cajazeira Ramos (coordenador dos trabalhos), a poeta e gestora cultural Myriam Fraga, o antropólogo e escritor Ordep Serra, o compositor e maestro Paulo Costa Lima, o arquiteto e urbanista Paulo Ormindo de Azevedo, o cineasta Pola Ribeiro e a produtora cultural Virgínia DaRin.
O evento tem o apoio do Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia e deverá ser transmitido ao vivo pela TVE e, na internet, pela TVE web (www.irdeb.ba.gov.br).
CONTATOS:
(71) 3321-4308 (Academia de Letras da Bahia, à tarde).
Fonte: https://academiadeletrasdabahia.wordpress.com/author/academialetrasba/

domingo, 27 de julho de 2014

CARAVANA VER DE TREM SALVADOR X CURITIBA

9ª CARAVANA VER DE TREM PELO BRASIL
EXCURSÃO AÉREA, RODO FERROVIÁRIA
 SALVADOR  X  CURITIBA  X  MORRETES
 DE 26 A 28 DE SETEMBRO DE 2014
 PROGRAMAÇÃO:
 DIA 26  -  PELA MANHÃ EMBARQUE AEROPORTO EM SALVADOR. À TARDE VISITA À TORRE PANORÂMICA E JARDIM BOTÂNICO. À NOITE JANTAR DE CONFRATERNIZAÇÃO.  
 DIA 27   -     EMBARQUE NO TREM DA SERRA DO MAR ATÉ MORRETES. NOITE LIVRE.
 DIA 28   - EMBARQUE PARA VISITA À ILHA DO MEL. RETORNO A SAVADOR NO NO INÍCIO DA NOITE.
 INCLUI: Passagem aérea, passeio de trem até Morretes, hospedagem, ingresso do museu do olho, barca para Ilha do Mel, ingresso da Torre Panorâmica, visita ao museu Oscar Niemeyer, um jantar de confraternização, um almoço, um boné e uma camiseta.  Valor sujeito a reajuste.
 Mais informações:  71 8767-0941 – 9145-3006 – 3392-2065 - 8122-6297 - 9993-3676   
 Passeio de Trem Curitiba - Serra do Mar - Morretes - Paranaguá
A ferrovia Curitiba - Serra do Mar - Morretes - Paranaguá representa um extraordinário feito da engenharia do século 19, onde sua construção considerada impraticável por inúmeros engenheiros europeus da época começou oficialmente em fevereiro de 1880 e durou cinco anos. Ao longo de seus 110Km o objetivo foi estreitar a relação entre as cidades do litoral paranaense e a capital do estado, com vistas ao desenvolvimento social do litoral. Além disso, era imprescindível ligar o Porto de Paranaguá ao interior, para que se desse vazão à produção de grãos dos estados.
A Ilha do Mel é uma ilha brasileira situada na embocadura da Baia de Paranaguá, no estado do Paraná.
A ilha do Mel é um ponto turístico de muita importancia no estado do Paraná. Muitas pessoas consideram que a ilha tem as melhores praias do estado. A ilha, fazendo parte do município de Paranaguá, é administrada pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e possui um restrito programa de manejo. Não é permitida a tração animal ou a motor na ilha. Existem muitas áreas onde não é permitida a presença de visitantes. A ilha possui quatro pontos turísticos de destaque: Ao norte a Fortaleza, no centro Nova Brasília e o Farol das Conchas e ao Sul Encantadas.
 Torre Panorâmica
A única torre telefônica no Brasil com um deck observatório de turismo que está aberta para visitação. Com 109,5 metros de altura, foi inaugurada em 1991 e é um dos pontos turísticos mais visitados de Curitiba. O observatório tem um deck de 360º de visão.
Horário de funcionamento: Terça a Domingo das 10h às 19h.
 Museu Oscar Niemeyer "Museu do Olho" o Maior da América Latina
O Museu Oscar Niemeyer mais conhecido localmente como Museu do Olho é um dos maiores e mais modernos Museus da América Latina. Foi inaugurado em 2002, quando o prédio principal deixou de ser sede de secretarias do Estado e passou por adaptações onde em sua frente foi instalado o popularmente chamado Olho, um anexo de 30 metros de altura feitos de concreto e vidro que imprimiu uma nova identidade ao complexo.
Fonte: E-mail 

Um câncer abateu o guerreiro e humanista Grosso Tremembé

Comunidades Tremembé de Acaraú/CE

Diálogos entre Antropologia, Extensão Rural e Indigenismo

sábado, 26 de julho de 2014

Adeus a Grosso Tremembé



Os últimos dias foram de tristeza, mas também de alivio para a liderança indígena Manoel Félix do Nascimento, mais conhecido como Grosso Tremembé, que faleceu ontem, sexta-feira, após meses de luta contra um câncer. Após se submeter a várias sessões de quimioterapia, Grosso apresentou alguma melhora, mas nos últimos 15 dias seu quadro se agravou e foi liberado pelos médicos, já que sua situação não apresentava alternativas.
Eleito vereador pelo município de Itarema em 2012, Grosso Tremembé logo se destacou por sua atuação política e pelo carisma, despertando a admiração e o carinho não somente dos Tremembé, mas também da população do município. Em visita a Almofala, durante o período que lutava pela vida, pude constatar pessoalmente manifestações de solidariedade e de preocupação de vários moradores de Almofala. Nos últimos dias, a casa da família foi visitada por centenas de pessoas, desde parentes indígenas, moradores de várias localidades, até políticos locais.
Início do cortejo
Foto: Ronaldo Santiago
Cortejo até o cemitério
Foto: Ronaldo Santiago
Sepultamento
Foto: Ronaldo Santiago
Despedida
Foto: Ronaldo Santiago

Seu sepultamento ocorreu neste sábado, 26/07, no cemitério da comunidade da Varjota, local onde nasceu e viveu durante toda a sua vida. Centenas de pessoas, algumas delas visivelmente emocionadas, acompanharam o cortejo até o cemitério.
Nos solidarizamos com a dor da família, em especial, seu pai, o pajé Luis Caboclo, que com uma força indescritível e com resignação, acompanhou todos os detalhes do sepultamento do filho.
Como uma singela homenagem, transcrevemos abaixo alguns depoimentos de parentes e amigos que expressaram a dor pela perda e manifestaram seu carinho e admiração pelo amigo.

“Esse foi e vai ser sempre um grande homem, guerreiro, prestativo, humano, pessoa super do bem... Você fez historia, primeiro vereador indigena Tremembé, foi com muito esforço que conseguimos essa grande conquista. Com certeza você vai ser sempre lembrado como um grande vencedor! Hoje foi seu ultimo dia conosco em matéria, mas em nossos corações você vai permanecer eternamente”.
Lucinha Tremembé, agente de saúde e liderança Tremembé da Passagem Rasa 

"Amigos,
Com pesar, conformação e esperança, comunico a passagem do nosso amigo professor Manuel Félix do Nascimento, o "Grosso", filho do pajé Luis Caboco, neste dia, às 11h00, em sua casa, na comunidade tremembé de Varjota, Itarema/CE.
Ele foi um brilhante aluno do Curso de Magistério Indígena Tremembé Superior - MITS, destacando-se no estudo e no ensino da Matemática às crianças e jovens indígenas.
Foi presidente do Conselho Tutelar de Itarema e o primeiro vereador indígena da história do Ceará.
Era uma pessoa bem humorada, inteligente, amiga, solidária.
Grosso lutou bravamente contra um câncer. Nunca se entregou à doença, nem se intimidou diante da morte. Um exemplo de luta e solidariedade. Se fez querido unicamente por suas virtudes.
Sua partida, tão precoce, nos deixa um pouco tristes, mas também fortalece em todos nós, amigos do seu Povo, a certeza de que os Tremembé são uma gente guerreira, como eles mesmos dizem: "Nós brandeia, mas não arreia".
Um grande exemplo para todos. Até breve, amigo!"
Everthon Damasceno, militante indigenista

“Vi meu bom amigo ser enterrado na areia, atras de sua casa. No mesmo solo em que nasceu, brincou, cresceu, trabalhou e viveu. Respeitando suas crenças e valores, foi enterrado sem esquife. Sem barreiras entre seu corpo e a terra que o alimentou.
Cavaram fundo a areia, como se pudéssemos enterrar junto com o seu corpo, a dor que a sua ausência impõem.
Grosso Tremembé me ensinou muitas coisas... Me ensinou a ter esperança, mesmo quando tudo diz o contrário.
Me ensinou que o respeito é maior que a aceitação.
Me ensinou que a força não depende do quanto você pode carregar, mas sim do quanto você pode compartilhar.
O pouco é muito.
Alguns consideraram o meu trabalho um esforço, mas acompanhá-lo em seu martírio foi um privilégio...
Agradeço a sua família por me cederem uma rede em sua varanda, sua tapioca e o peixe assado que me alimentaram durante estes quinze dias em que pude viver intensamente a dor e a luta deste nobre amigo.
Obrigado meu irmão.
Obrigado por me mostrar que a nossa força pode ser o que nos fragiliza, mas também é o que nos faz únicos, uns na vida dos outros”.
Rafael Sacramento, médico da equipe de saúde indígena Tremembé

Postado por Ronaldo Santiago Lopes às  17:20 

Fonte primária: www.conexaonet.dihitt.com/
Fonte secundária: Grupo Anaind
 

Fonte

sábado, 19 de julho de 2014

Edgard Otacílio é homenageado em vídeo do Cacique Juvenal Payayá

Edgard escudado por livros, uma das suas paixões.

Edgard entre amigos de vários lugares na cidade de Valença

Livro de sua autoria

Livro de sua autoria

Livro de sua autoria.
Capa de RitaTereza da Silva Oliveira, sua mãe.

O nosso estimado - e sempre será - Edgard Otacílio de Oliveira como exímio paraquedistas inverteu as ordens de descer e subiu nesta noite para o eterno! Ele realmente era um revolucionário! Por certo se juntará - definitivamente aos nossos ancestrais indígenas!

Fará falta mas estará no Sempre!!!

Numa próxima postagem, pois esta me pegou em cheio, apresento aqui um pouco do meu amigo que o tratava como abaeté. Um pouco do seu tom, seus livros...


 Bure'du po'o, Edgard Otacílio de Oliveira!
(Língua Kiriri, também falada pelos Payayá.
Tradução em Português: “Muito obrigado!”).


Fonte da foto (adaptada): http://2.bp.blogspot.com/-PcVFK7TkOSk/UvKFJaE8OPI/

AAAAAAAACyM/NLe-RvUHzcg/s1600/20140131_095231.jpg

Fonte da foto de Edgard em nosso meio (em Valença (BA): http://ademarioar.blogspot.com.br/2010/05/fronteira-indigena.html

Abaixo, um vídeo feito pelo Cacique Juvenal Payayá por ocasião do lançamento do seu livro "Valença, dos primórdios à contemporaneidade, quando amigos, escritores, valencianos e parentes se fizeram presentes para abraçá-lo. Nessa oportunidade o saudei na língua Tupi. Pena que só ouvimos o finalzinho.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Vasos Sagrados de Maria Inez do Espírito Santo no Grão de Arroz


Conheci a Maria Inez do Espírito Santo (MIES) - como me acostumei chamá-la ao escrever-lhe e-mails, na cidade do Rio de Janeiro, na ocasião do 10º Encontro de Escritores e Artistas Indígenas (EEAI) a convite do escritor indígena Daniel Munduruku e da  escritora potiguara Graça Graúna.

Foi um momento lindo e inesquecível! MIES fez uma leitura dramática do seu livro Ciuci, A velha gulosa. Ilustrações de Taisa Borges. - 1ª ed. Rio de Janeiro: Editora Escrita Fina, 2013. Foi uma das interpretações mais comoventes que pude assistir! Ao final de sua performance fiz questão de ir até ela e cumprimentá-la. Dai, nasceu entre uma correspondência por e-mail.

Ela virá à cidade de Salvador, na Bahia, dia 9 de agosto, às 17h00, ela e se apresentará no Grão de Arroz, na Pituba. Ao ser convidado por ela a estar presente em sua passagem pelo emblemático e muito "místico" Grão de Arroz que está fazendo 40 anos de existência, passei a convidar amigxs que são educadorxs, professozs, artistas, escritores e de áreas a fim e público geral para irmos papear com a nossa estimada MIES e papearmos com ela sobre os temas inscritos no cartaz abaixo.

Em virtude desse encontro com MIES, conversei com Vera Martins, anfitriã da MIES e do Grão. Ela foi muito amável e me contou algumas histórias do seu Restaurante e citamos nomes de figuras inigualáveis que passaram por lá, muitos do universo artístico, como o saudoso e muito meigo Dércio Marques.

Apareça!


MPF/PA denuncia delegado da PF pelo assassinato de Adenilson Munduruku

10/7/2014 
Exumação do corpo comprova tiro na nuca, depois que ele estava imobilizado por três tiros nas pernas. Crime é considerado hediondo

O Ministério Público Federal no Pará (MPF/PA) denunciou à Justiça Federal em Itaituba o delegado da Polícia Federal (PF) Antonio Carlos Moriel Sanches pelo crime de homicídio qualificado contra Adenilson Kirixi Munduruku, morto durante a Operação Eldorado, no dia 7 de novembro de 2012, na aldeia Teles Pires, na divisa do Pará com o Mato Grosso. A exumação do corpo do indígena comprovou os depoimentos das testemunhas e demonstrou que ele foi executado com um tiro na nuca, depois de ter sido derrubado por três tiros nas pernas.


Pelo crime, o delegado pode ser condenado a até 30 anos de prisão. Se a denúncia for aceita pela Justiça, ele será submetido a julgamento pelo tribunal do júri. A Operação Eldorado deveria destruir balsas de garimpo que atuavam ilegalmente nas Terras Indígenas Munduruku e Kayabi. O coordenador da operação era o delegado Moriel Sanches.



No dia 6 de novembro, em uma reunião com os indígenas, teria sido feito um acordo para assegurar a destruição das balsas no rio Teles Pires. Não há evidência de que os índios da aldeia Teles Pires tenham participado de tal reunião. Mesmo assim, foi para lá que a equipe da Polícia Federal se dirigiu no dia seguinte, 7 de novembro, quando Adenilson foi assassinado.



“Ao perceberem que a Operação Eldorado iria ocorrer na Aldeia Teles Pires, alguns índios tentaram retirar os bens que achavam necessário para suas subsistências, sendo que um dos caciques  chegou perto do delegado tentando conversar com este para que não desse continuidade na destruição da balsa. O denunciado afirmou que a operação teria que ser realizada, e ainda empurrou a referida liderança indígena. Em reação, um dos indígenas que estava no local empurrou o braço do delegado Moriel, e como estavam próximos ao rio, em uma área de declive o denunciado veio a cair na água. Após tal situação, policiais federais passaram a atirar contra os indígenas e em
direção ao rio. Atrás do cacique Camaleão estava um outro indígena, a vítima Adenilson Kirixi Munduruku”, narra a denúncia do MPF.



Um dos indígenas relatou os fatos que se seguiram, em depoimento ao MPF: “depois que o delegado empurrou essa liderança na qual ele iria atirar, o segurança do cacique empurrou o braço do delegado e ele escorregou e caiu na água, pois a área tem declive e o chão é liso, de barro. Foi a partir daí que começou o tiroteio. Nenhum indígena estava com arma de fogo. Os dois primeiros tiros contra a vítima foram dados pelo delegado, que ainda estava dentro da água, que estava pela cintura. Vários policiais começaram a atirar contra os indígenas que estavam no local. Três tiros acertaram as pernas da vítima Adenilson Kirixi, que perdeu o equilíbrio, caindo na água. Nesse momento o delegado, que ainda estava dentro da água, deu um tiro na cabeça da vítima, que já caiu morta e afundou no rio”.



O corpo de Adenilson só foi recuperado no dia seguinte. Todos os agentes da PF presentes na aldeia no momento do ataque disseram não se recordar dos fatos por estarem ocupados tentando controlar os indígenas. Em vista disso, e com base nos depoimentos dos indígenas, o MPF requisitou a exumação do corpo da vítima. O exame comprovou a execução. O tiro fatal atingiu Adenilson na parte de trás da cabeça, depois que três tiros nas pernas o tinham derrubado. A bala saiu pela parte da frente da cabeça da vítima, destroçando vários ossos do crânio.



Outros dois indígenas sofreram lesões corporais graves no dia 7 de novembro de 2012, mas não foi possível localizar provas que relacionassem os ferimentos diretamente aos agentes envolvidos na operação, por isso apenas o delegado Moriel foi denunciado.


Processo nº 0001608-90.2014.4.01.3908

Ministério Público Federal no Pará
Assessoria de Comunicação
(91) 3299-0148 / 8403-9943 / 8402-2708
ascom@prpa.mpf.gov.br
http://www.prpa.mpf.mp.br/
http://twitter.com/MPF_PA

Fonte: Rede Anaind.