quarta-feira, 22 de junho de 2011

8º Encontro de Escritores e Artistas Indígenas








8º ENCONTRO DE ESCRITORES E ARTISTAS INDÍGENAS
Convite
O estimado Daniel Munduruku (DM), do povo Munduruku, escritor, psicólogo e filósofo, aceitou a minha indicação para participar do 8º Encontro de Escritores e Artistas Indígenas, por sugestão da amiga, irmã, muito querida, Graça Graúna (GG), do povo Potiguara, escritora, professora, doutora em literatura e pós-doutoranda. DM coordenou os encontros anteriores, mas, para o 8º construiu outros círculos, realizando possíveis sagas para que tivéssemos no 8º Encontro as condições para sua efetivação, quando tivemos à frente da coordenação atinada na pessoa do Cristino Wapichana (CW).

Kari-okas: Receptividade, alegria, reconhecimento de que o Brasil é (também) indígena (índio).
Encontrar @s cariocas (kari-okas) foi reencontrar. Parecia-nos que tudo foi “tocado por mãos superiores”.

Evandro Vieira Ouriques, Marcondes Mesqueu, Luana Fortes, Líliam Maria Tataxinã, Alcione, Carmel Farias, Luiz Nascimento, Beth Serra, anfitriã da FNLIJ no 13º Salão da Feira Nacional do Livro Infanto Juvenil, parceira, fala carismática e fundamentadora, porto de entrada e saída das bênçãos literárias para as crianças e jovens por um Brasil Literário. Andréia Lima, professora premiada da biblioteca pernambucana que gritava amorosa: “Esta é a Elite Brasileira!” à entrada dos índios no auditório do Centro de Convenções SulAmérica.

A palavra e línguas indígenas sob o predomínio do idioma tupi: uma narrativa célere
Em alguns momentos em que fui convidado a fazer uso da palavra, saudei o Rio de Janeiro, o lugar onde estávamos sendo recebidos enquanto povos indígenas no Brasil, com expressões na língua tupi. Ao fazer uso da palavra sempre tento estar conectado Terra e Céu, pois, ter honra de falar é algo inaudito. Digo aqui na língua portuguesa: “Boa tarde a todos! Estamos felizes por estarmos aqui no Rio de Janeiro. É bom, muito bom, excelente! Aqui foi terra dos nossos avós (os Tamoios), terra nossa”.

Que Ñanderu, Pai Verdadeiro, em Guarani, que é sempre o norte da minha amiga amada, GG, a abençoe por sua mão a segurar a minha nesta travessia. Que CW tenha na sua noiva -, a mulher companheira de todas as horas e que cada um seja o tapejara do outro. Do tupi: “guia do caminho”. Que Marcos Terena tenha de Ituko-Oviti, o Grande Espírito entre seu povo, a concretização do seu sonho multicultural e pela sustentabilidade planetária. Que nosso Ailton krenak, força histórica, como Eliane Potiguara e Marcos Terena entre outros, do Movimento Indígena, continue kybyra (irmão) de todos nós com sua voz que incorpora a todos e continue sendo também terno e voz cerimonial dos daqui agora e dos nossos ancestrais. E o charme da kunhã mais kurumim: Vilmara Baré. Eu vi! Lindinha a índia Baré.

Que Uziel Guaynê continue campeão na sua aldeia pois a força da onça tem poder mas seu amor está bem acima para fazer mais ilustrações. Carlos Tiago Mawé em sua canoa-vida continue remando a poesia desde os igarapés amazônicos aos confins do mundo. Que a beleza da nossa miss Tainara Terena, seja reflexo de sua alma. Que Marcelo Manhuari continue sendo este jovem prestes a liderar. Jaime Diakalo Dessana, suas histórias, piadas e ciência espacial. Moura Tucano, nosso líder espiritual amazônico, sua cara de largo sorriso e ao mesmo tempo a profundidade do seu saber. Olívio Jecupé, misturado aos Guarani faz sua histórias ganhar assa nos livros em busca de Yby Marã-e’yma: Terra sem males – profecia dos povos falantes do tupi e do guarani.

Ely Makuxi em busca do amálgama das lutas sociais, educação e resistência de seu povo. O casal simples e sempre perto da gente: senhor Joaquim e dona Madalena Manhuari Munduruku: dois muirakitãs incorporados em corpos de humanos. Francisco Cleonildo Wapichana, sua atenção e cuidado com os parentes nas plenárias, Jones Crixi Munduruku e Vãngri Kainga Kaingang, suas artes bem sintéticas e ou mesmo tempo espetaculares...

Ora, na língua maragua’nheeng, digo ao seu ouvido, como aprendemos com Wasiry Guará do povo Maraguá: Oduré! – “Tudo de bom!”. Havia representes de povos que falavam diversas línguas pequeno tempo foi mais que curto para aqui deixar uma saudação nestas línguas. Quiçá, numa outra oportunidade. O patrimônio lingüístico dos povos indígenas tem uma riqueza e força que merecem atenção, pesquisa, investimentos e reconhecimento nacional, desde os governos, apoiadores e nas unidades educacionais. Que a Lei nº 11.645/08 possa ser mesmo implementada nas escolas brasileiras além do que muit@s educadores(as) já vêem fazendo.

Teria mais a palavrear: palavrearte... Mas, vamos às fotos, gentilmente oferecidas por Luana Fortes. Deguste, como eu, antropofagicamente destes alguns flagrantes!

Saudações indígenas,
AR

Créditos das fotos: Luana Fortes., exceto a primeira: Carmel Farias

terça-feira, 21 de junho de 2011

III Encontro de Escritores Indígenas na UERJ







No dia 15./06/11, Cristino Wapichana, coordenador do 8º Encontro de Escritores e Artistas Indígenas, que aconteceu no dia 16 deste mês (veja na próxima postagem), me convidou a integrar a Mesa Redonda que foi composta por (ver quem é quem na foto de nº 5): Graça Graúna, eu (Ademario Ribeiro), Jaime Dessana, Moura Tucano, Marcos Terena e Olívio Jecupé, cujo anfitrião foi o Prof. Dr. José Ribamar Bessa, que nos recebeu no auditório da UERJ - Universidade do Estado do Rio de Janeiro, que estava repleto. Na mesa, os debates, os temas, os diálogos ali tecidos incorporaram muita alegria, vibração, reencontro de almas brasilis, troca de saberes, anelos de paz, aprendizagem para a sustentabilidade, reconhecimento de igualdade e diversidade, pluralidade e unidade, semelhança e dessemelhança sob o olhar atenta a uma educação incluiva, amorosa e solidária, a arte que transforma, a literatura e a resistência, enfim,... a esperança.

Além de tantas palavras sábias dos parentes e daqueles que nos acolheram, os kari-okas, saudei a todos e o Rio de Janeiro, em particular, em tupi, língua mãe de centenas de línguas, e que foi e é conhecida como língua brasílica, clássica, tupinambá ou tupi antigo.

Vejam as fotos gentilmente cedidas pela amiga Líliam Tataxinã, parceira dos Povos Indígenas no Brasil. É muito provável que ainda poste alguns detalhes deste dia, afinal, neste dia a energia foi contagiante e oportunizou emoções, reencontros, alegrias, choros, abraços, aprendizagem, reconhecimento e muita amizade entre os presentes indígenas e não-indígenas.

Viva o Rio de Janeiro, muito lindo! Viva os ancestrais indígenas! Viva os atuais Filhos da Terra e os que virão!

Créditos das fotos: Líliam Maria Tataxinã.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

8º Encontro de Escritores Indígenas




Índio(a) sempre escreveu. Nas habitações e derredores -, escreveu. Cartas e textos outros são noticiados como de autorias diversas, usando suas culturas e tecnologias e não apenas a carta do cacique Seattle, em 1855. Os povos indígenas escrevem e inscrevem sua vida, cotidiano, alma -, quando tocam seus tambores, quando se sacralizam nas folhas e cascas de árvores, nas peles de seus corpos, nos olhares viajantes pelo sideral, quando tocam o solo, quando se conectam diante dos fenômenos da natureza e quando dançam e cantam para os animais de pés e alados e quando buscam Maira, Mairahu, Ñanderu Eté, Iprere, Mavutsinim, Karu-Sakaybê, Omamanì, Ñinhò, Ñhendevuruçu, Kananciuê...

Índio(a) está escrevendo hoje nas folhas de papel sob uma outra tecnologia e com esta- , está escrevendo no seu desktop, notebook. Seu ecrã está na aldeia ou nas cidades e sua escrita está voando mundo sem tampouco perder sua identidade índia, seu ethos, pelo contrário, índio sendo em corpo, ancestralidade, poesia e prosa, passado presente futuro será.

Em relação aos escritores e artistas indígenas, veja a jóia que garimpamos no blog da nossa parente, Graça Graúna, escritora, professora e doutora em literatura:


Literatura Indígena e Resistência
8º. Encontro de Escritores e Artistas Indígenas
Tema: Literatura Indígena e Resistência

Local: Centro de Convenções SulAmérica
Data: 14 a 16 de junho de 2011.
Justificativa
Diz-se que a literatura indígena está em franco crescimento o que é possível constatar pelo número de títulos que são publicados a cada ano tendo como autores indígenas de diferentes povos e regiões brasileiras.
Da parte dos autores há uma certeza: a literatura é um instrumento de resistência como o maracá o é da cura, do equilíbrio e do sonho. Ambos instrumentos são necessários para resgatar a memória ancestral e para lembrar que precisamos manter o céu suspenso. Ambos instrumentos são coletivos e servem para proteger o sono daqueles que lutaram para que chegássemos ao hoje e caminhássemos em direção ao último por do sol.
É com este objetivo que propomos a realização deste seminário no contexto do 12º. Salão FNLIJ do Livro Infantil e Juvenil desejando oferecer uma contribuição para melhor compreensão da presença indígena no Brasil e como este novo instrumento = a literatura – tem sido utilizado para ampliar a visão da sociedade brasileira sobre a riqueza da sociodiversidade indígena.
Além disso, queremos trazer uma pequena mostra de como a literatura indígena está sendo objeto de estudos nas universidades convidando alguns pesquisadores para fazer uma comunicação breve de suas pesquisas.

SEMINÁRIO FNLIJ-INBRAPI
Tema: Literatura Indígena e Resistência

Programação do Seminário FNLIJ – 16 de junho de 2011.


Parte da manhã
Ritual e apresentação dos convidados
Mesa de Abertura
Beth Serra (FNLIJ), Daniel Munduruku (Instituto UK’A) Cristino Wapichana (NEArIn), Patrícia Lacerda (Instituto C&A)

Mesa 01 - Contando histórias com a vida
Esta mesa objetiva ser um momento em que cada membro possa testemunhar suas lutas a favor dos povos indígenas brasileiros.
Convidados:
Ailton Krenak, (mediador)
Jacy Makuxi – Povo Makuxi/RR
Marcos Terena – Povo Terena/MS
Estevão Taukane – Povo Kura-Bakairi/MT
Manoel Moura – Povo Tukano/AM

Mesa 02 - Poéticas da resistência.
Esta mesa irá trazer a fala de indígenas que estejam produzindo textos com temas sociais e que reforcem a luta pela identidade étnica de nossos povos.

Convidados.
Ademario Ribeiro – Povo Payayá/BA
Graça Graúna – Povo Potiguara/RN
Eliane Potiguara – Potiguara/RJ
Olívio Jekupé – Guarani/SP
Severiá Xavante – Povo Xavante/MT (Mediação)

Parte da tarde
Sorteio da pontualidade (livros e arte indígenas)

Mesa 03 - O lugar da literatura indígena na academia: questões em aberto.
Esta mesa pretende trazer comunicações de pesquisadores não-indígenas sobre o lugar da literatura indígena no meio acadêmico.
Luis Fernando Nascimento (Universidade de Taubaté/SP) – A [re] construção da identidade indígena pela Literatura: Munduruku e o diálogo com a tradição.
Cassiane Ladeira ( Universidade Federal de Juiz de Fora/MG)- Poética da migração: uma leitura de Metade cara, metade máscara, de Eliane Potiguara
Alcione Pauli (Univille/SC) – Era uma vez... o poder da floresta e a sabedoria das águas num lugar não tão distante...
Ana Maria Almeida (UNIFESO/RJ) – Literatura Afro-brasileira e indígena na escola: A mediação docente na construção do discurso e da subjetividade.
Graça Grauna (Mediação e organização)

Mesa 04 - Sarau de poéticas indígenas com Marcelo Manhuari, Elias Yaguakã, Cristino Wapichana, Carlos Tiago, Ademario Ribeiro, Graça Graúna, Eliane Potiguara... e quem mais desejar interagir.

Coquetel de encerramento do seminário com a presença de Beth Serra, da FNLIJ.
Lançamento coletivo de livros Indígenas e da Coleção Nheengatú – Editora Valer/AM

Referências
http://www.tecidodevozes.blogspot.com/ Acessado em 19.05.2011
Foto extraída do blog de Eliane Potiguara. Feira do livro indígena em Mato Grosso.





Fonte: (Folders da programação): http://www.institutouka.blogspot.com/



quinta-feira, 9 de junho de 2011

Oficina de Teatro: Eu, o Outro e Meu Lugar no Mundo



























De a muito que queria socializar com você, leitor(a) as fotos da Oficina de Teatro: “Eu, o Outro e Meu Lugar no Mundo”, , que ministrei na cidade de São Gabriel, semi-árido do Estado da Bahia, por indicação da companheira de lutas sócio-ambientais e artísticas, a pedagoga Edileuza Silva, a querida Leu, e a convite da educadora, Suzélia Maria Gomes Guimarães Machado, coordenadora do Projeto Nós do Teatro. E, eis a oportunidade. Na apostila que oportunizamos tinha algo assim na sua apresentação:

Uma experiência com o espírito humano através do teatro a ser vivenciada na comunidade de artistas e educadores(as) no município de São Gabriel, semi-árido da Bahia, Brasil. (p. 2). (Abril, 2011).

Para essa Oficina ser movimentada, nos alinhamos em diversos teóricos, entre estes, Boal, 1998, PCNs, 1998, Kusnet, 1975, Ribeiro, 2001, 2001, 2005.

“O ser humano que não conhece arte tem uma experiência de aprendizagem limitada, escapa-lhe a dimensão do sonho, da força comunicativa dos objetos à sua volta, da sonoridade instigante da poesia, das criações musicais, das cores e formas, dos gestos e luzes que buscam o sentido da vida.” (PCNs, 1997)

Na oportunidade, conheci e reencontrei diversos artistas e educadores(as) da região: Leu Silva, Welton Gabriel, Maria Ribeiro, Silvano Machado (com quem conversei bastante sobre os índios da região, inclusive os Payayá), Antônio Régie, a artesã Jovenília, seu esposo Antônio Neto e filha, Gisele. Depois, reencontrei, Lana e José Eurípedes, filhos de Leu. Sem dúvida falamos muito sobre os melhores e essenciais projetos de arte e cultura que existem em nosso país -, que infelzmente anda contaminado por imbecialidades e sustenatadas por poderosas mídias (midiocridades).

Nestas últimas horas, Leu, Suzélia e Stefany, me informaram que o Grupo do Projeto Nós do Teatro já está na reta final da elaboração de uma peça teatral para futura encenação. Vamos aguardar o texto e as apresentações. Os primeiros nomes dos que compunham o Elenco e a Ficha Técnica dessa Oficina acontecida em 30 de abril e 1º de maio de 2011, entre crianças, jovens, artistas e educadoras: Hildete, Suzélia, Éder, Raul, Welton, Victor, Maria, Rafaela, Cristian, Arnei, João Gabriel, Sávio, Alana, Anália, Camila, Cida, Carol, Cristi Iani, Gisel, Mariane, Stefany, Talia, Liliane, Vitória Lis, Vitória Aissa, Leu Silva, Lana, José Eurípedes, Irenilda.


Programação
Na Roda
1. Saudações, agradecimentos pelo convite, a apressação da Apostila sem uma devida revisão: mas, sincera e generosa, afinal, apesar das referências para sua feitura, ela foi exclusiva para vocês e (no meu curto tempo em meio a umas tranqueiras de paus pela frente).
2. Apresentações de cada participante e ao final agradecimento pelas contribuições e minha fala sobre o meu lugar no teatro e minha busca de um teatro que não fosse “acadêmico” e sem deixar de se referenciar nele, mas, que trouxesse à tona o que esse teatro geralmente não trazia – e que muito é o Teatro-Boi: pois tudo o que está em nosso entorno nos é útil e provoca construções, assimilações, interpretações múltiplas e transformações, recriações...
3. Levantamento de conhecimentos prévios;
4. Expectativas em breves palavras;
5. Uma leitura dinâmica da Apostila;
6. A Oficina em si;
7. Exposição dos materiais produzidos nas dinâmica (todos com ênfase na cultura local) e a performance teatral como resultados práticos.

Vejam as fotos e comentem. O retorno será como um aplauso e como sinal de quando, onde - podemos melhorar. Merda para todos! "Merda", para os artisas, como sabemos, é uma maneira de desejar boa sorte, êxito!





Referências
BOAL, AUGUSTO, Teatro Para Atores e Não Atores. – Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1998.
CIVITA, VICTOR, Teatro Vivo, Introdução e História. – São Paulo: Abril Cultural, 1976.
BRASIL. Congresso Nacional. Decreto Nº 82.385. Brasília: Diário Oficial da União, 06 de outubro de 1978.
BRASIL. Congresso Nacional. Lei número 6.533. Brasília: Diário Oficial da União, 24 de maio de 1978.
BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: (5ª a 8ª Séries). Secretaria de Educação Fundamental. Brasília: MEC/SEF, 1998.
KUSNET, Eugenio. Ator e Método. Rio de Janeiro: SNT / MEC, 1975. LEHMANN, Hans-Thies. O Teatro Pós-dramático. São Paulo: Cosac & Naif, 2008. MAIA, E.M.
Ribeiro, Ademario. Oficina de Teatro Itinerante: OITI/PROESA. Simões Filho: Editora do Autor, 2005
_____. Pescando na Baía de Aratu – A bomba na rede da teia. Simões Filho: Editora do Autor, 2001.
_____. Poética Poranduba - Eco-Étnica. Salvador: Editora do Autor, 2001.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria_do_teatro Acesso em 24.04.2011
http://uniaopaisccaparica.fersap.pt./planoanuam/arquivo/atores/4/.html Acesso em 24.04.2011
http://www.google.com.br/imagens - Acesso 26.04. 2011

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Oscar da yby ao ybaka & Kasutemi do aiyé ao òrùn

























Raimundo Kasutemi, era malungo de tod@s e muito em particular daqueles (as) que fossem das bandas da cultura popular, que fossem das bandas das matrizes africanas, das bandas das questões ambientais -, aí, Raimundo era só braços abertos. Ele era diretor do Bloco Kankoma, sediado em Lauro de Freitas - RM de Salvador. Era Taata do Terreiro São Jorge Filhos da Goméia, neto de Mãe Mirinha de Portão.


Eu e Raimundo nos encontramos em muitas lutas dentro e fora do nosso Estado em favor das essências acima citadas. Conversamos muito sobre os povos indígenas - tão irmãos e ou amalungados com os povos de Mama África no Brasil invadido, saqueado e revirado a ferro, fogo, cruz e arcabuz e abusos...


Agora no início de março, ele levantou vôo do aiyé e foi para o òrùn. Como ele tinha noção do relativismo cultural, e, juntos intentávamos as conexeções entre índio(a)s e negro(a)s, digo da yby ao ybaka -, respectivamente, Yorubá e Tupi.

Lembro-me que falávamos muito sobre a nossa ONG ARUANÃ e do nosso Quilombo de Pitanga de Palmares e das várais manifestações culturais desse povo, destacando a foeça da Dança de São Gonçalo. Ele, Katusemi, destacava as tradições de sua comunidade do Candomblé em Portão e do seu Grupo Cultural, o Bloco Bankoma. Ele gostava muito do poema nosso Bubuia que foi musicado por Gil Assis e cantamos juntos algumas vezes. Alguns dos versos:

(...) Negro e índio se amaram
de cocares, meias-luas, enfeitados
Luas cheias e de prata
Índio e negro, enfeitiçados
(cúmplices) na Luta e Fé, se misturaram (...)


Comentei sempre sobre o axé de Kasusemi e sua extrema importância por sua participação/cumplicidade em que Luta e Fé nos misturamos, mas, que sabemos estar, também em Unidade e Diversidade. A última vez que estivemos juntos foi quando o bsuquei para visitar e entrevistar seu povo e lideranças acerca da Renovação do Comitê de Bacias Hidrográficas, quando também, conheci e passei a ser amigo e admirador de outro companheiro das lutas pela cultura, arte, questões ambientais e AmerÍndia. Ele, em fevereiro deste ano passou a ser também uma estrela: Oscar Baccino Charrúa. Oscar montou com esforços próprios a primeira "Casa de Marina" na Bahia.

Enfim, companheiros, Raimundo Kasutemi e Oscar Charrúa, na dimensão de onde estão, sabemos -, vocês continuam vivos na eternidade e enviando à Terra (Yby ou Aiyé) os fluídos para nos ajudar na travessia!
Curiosidade: desde os anos 70 que creio nesta utopia: negros e índios/índios e negros em lutas que se igualam ou que se retroalimentam, daí, eu e Kasutemi nso encontramos. Ora, Ele e Oscar se encontraram. Eu não tive tempo para planejar este texto e nem tampouco "finalizar" assim. Então é assim -, o que não é um fim.



Fontes das fotos: (1: Oscar) - Google imagem. 2: Kasutemi - Google imagem.