segunda-feira, 11 de junho de 2012

Vida plena no Xingu: uma possível Bela Utopia

A poucos dias de seu início, Xingu+23 recebe apoio de artistas, cantores e ambientalistas


Natasha Pitts
Jornalista da Adital

 A cada dia o Xingu+23, que acontecerá nos próximos 13 a 17, em Vitória do Xingu, estado do Pará (Norte do país) para debater a resistência à hidrelétrica Belo Monte, recebe mais adesões. Além de artistas que já haviam confirmado presença no evento, há poucos dias o cantor Gilberto Gil, a ambientalista e ex-ministra Marina Silva, o cantor Arnaldo Antunes e o teólogo, filósofo e escritor Leonardo Boff também divulgaram apoio à iniciativa.

Para chamar ainda mais atenção para a luta contra o mega-empreendimento do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), Gilberto Gil cedeu sua canção "Um sonho” para ser transformada em clipe. Em poucos dias a música, que apesar de ser de 1977, ainda é atual, se tornou o hino do evento, por falar claramente sobre a luta contra o desenvolvimentismo, principal discurso em torno de Belo Monte.

Por meio de ações como estas, sobretudo nas mídias sociais, o evento ganhou mais repercussão e deverá receber além de artistas, cantores e ambientalistas de Belém, São Paulo e São Luís, ativistas dos Estados Unidos e da Turquia.

Apesar da intensa participação de outros atores sociais, o Xingu+23 é voltado especialmente para pescadores, ribeirinhos, indígenas, agricultores e demais afetados por Belo Monte com o intuito de discutir as ações de resistência, conversar sobre o futuro dos/as atingidos e suas famílias e fortalecer as ações da população local.

O Xingu+23 faz uma referência ao 1º Encontro dos Povos Indígenas do Xingu, ocorrido em 1989 em Altamira e organizado pelos Kaiapó com a intenção de protestar contra as decisões tomadas na Amazônia sem a participação dos índios e repudiar a construção do Complexo Hidrelétrico do Xingu. No encontro, os indígenas e ativistas conseguiram a primeira vitória na luta contra Belo Monte, pois impediram o primeiro projeto de barramento do rio.

Durante o Xingu+23, os participantes também querem marcar um importante momento de luta e resistência no Brasil. Às vésperas da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) e da Cúpula dos Povos, que acontecerão no Rio de Janeiro, o Movimento Xingu Vivo para Sempre (MXVPS) e seus parceiros decidiram chamar atenção da comunidade nacional e internacional para os impactos sociais e ambientais de Belo Monte e para as ilegalidades que cercam o seu processo de implantação.

Os interessados em participar podem encontrar informações no site oficial do evento. A estrutura oferecida é um acampamento com espaço para barracas e redes. No local não há sinal de telefonia nem internet.

 Programação

O Xingu+23 terá início na quarta-feira, dia 13, em Vila Santo Antônio, a 50 km de Altamira. A comunidade não foi escolhida por acaso. A Vila foi desapropriada quase em sua totalidade pela concessionária Norte Energia devido à proximidade do maior canteiro de obras de Belo Monte. Após a recepção e o credenciamento acontecerá um debate sobre violações do Licenciamento e Instalação de Belo Monte. O dia será encerrado com a celebração da tradicional missa de Santo Antonio.

No dia 14, ainda na Vila, os atingidos pela obra vão se reunir em grupos para um debate. A programação do dia acabará com uma audiência pública em Altamira. A sexta-feira (15) será reservada para uma marcha e um ato público. Neste dia, a partir das 8h os/as participantes vão iniciar a concentração em frente à empresa de energia Rede Celpa (Avenida 7 de setembro, nº 2190).

Já no sábado, dia 16, acontece a assembleia final do evento seguida por torneio de futebol e a festa do padroeiro da Vila. No domingo, acontece o encerramento.


Fonte do vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=5QLnJLllS1A
Fonte do texto: http://educarencantando.blogspot.com.br/

Um comentário:

  1. Dirce de Cássia Oliveira15 de junho de 2012 22:39

    Olá querido mestre!
    Muito obrigada por fazer de nós, professores(as) de Catu, pessoas conhecedoras de parte da história das sociedades indígenas e suas culturas, através de valiosas informações ou poranduba transmitidas por ti. Que muito tem a acrescentar não só para as nossas classes, como também para o nosso dia a dia, reconhecendo nossa verdadeira identidade descendente de personagens fundamentais para a construção da sociedade brasileira, de um povo misto, de um povo feliz!
    Taujé mojar cecê!

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