domingo, 12 de agosto de 2012

A artista e ativista Marênia Vafel agora é eterna




Marênia Vafel dos Santos, atriz, dançarina e coreógrafa, filha do saudoso cordelista , poeta, jornalista, romancista, historiador, humanista, Valeriano Félix dos Santos, moradora do distrito de Mapele em Simões Filho, Bahia, faleceu ontem, dia 11 de agosto de 2012.

Ela participou de dezenas eventos em prol de sua localidade, como também, participou em diversos momentos de ações pela arte, cultura e meio ambiente, assim como, ao meu lado acerca da obra de seu pai – à quem, o Brasil, a Bahia, Sergipe e Simões Filho estão devendo uma ação em sua memória.

Na ONG ARUANÃ, Marênia participou como atriz em A Bomba na Rede da Teia e de projetos como o PROESA – Projeto de Educação Sanitária e Ambiental – entre outros. Ela sempre atuaou em favor das manifestações culturais de Mapele como a Tradicional Festa dos Pescadores, Grupo JOVA, etc.

Ela deixou dois filhos, Rodrigo e Raul - fieis escudeiros. Eles acompanhavam-na nesses eventos e somavam com ela o que herdaram do seu avô Valeriano Félix dos Santos - a paixão pelas artes e cultura.

Veja o link abaixo e verá fotos do espetáculo (A Bomba), folder e notícias relacionadas:


quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Cruzada do governo Dilma contra os povos indígenas

Organizaçõ​es lançam manifesto contra Portaria 303 da AGU e denunciam cruzada de governo Dilma contra os povos indígenas

Governo Dilma promove a maior cruzada contra os direitos indígenas com trapalhadas jurídicas e medidas administrativas e políticas nunca vistas na história do Brasil democrático.

O movimento Indígena, por meio da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil – APIB, depois de repudiar a publicação, por parte da Advocacia Geral da União (AGU) da Portaria 303, de 16 de julho de 2012, exigiu do Governo Federal a total revogação deste instrumento cujo propósito é ”restringir os direitos dos povos indígenas garantidos pela Constituição Federal e por instrumentos internacionais como a Convenção 169 da OIT, que é lei no país desde 2004, e a Declaração da ONU sobre os direitos dos Povos Indígenas.”

Em razão de seu viés claramente antiindígena, diversos povos e associações indígenas, personalidades, organizações e movimentos sociais e inclusive setores do governo reagiram repudiando o feito. Como resposta, o Governo tomou a decisão de adiar por 60 dias, até o dia 24 de setembro, a entrada em vigor da Portaria, para nesse período permitir “a oitiva dos povos indígenas sobre o tema”.

Adiar não significa suspender, muito menos revogar, demonstrando com isso a clara intenção do governo federal em mais uma vez atropelar a Constituição brasileira, os mais de 800 mil índios (IBGE 2010) que habitam este País, no que consideramos a maior e mais desleal ofensiva na história do Brasil democrático contra os direitos originários desses povos.

A Portaria 303 é um instrumento jurídico-administrativo absolutamente equivocado e inconstitucional, na medida em que estende condicionantes para todas as demais terras indígenas, decididas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na Ação Judicial contra a Terra Indígena Raposa Serra do Sol (Petição 3.888-Roraima/STF).

É de conhecimento público que a decisão do STF ainda não transitou em julgado e essas condicionantes podem sofrer modificações ou até mesmo ser anuladas em parte.O poder executivo, por meio da AGU, de forma irresponsável e atendendo à voracidade do capital, do agronegócio e de outras forças econômicas e políticas interessadas nas terras indígenas e riquezas nelas existentes, simplesmente antecipou a sua interpretação do que os ministros decidiram em 2009, atropelando assim uma decisão que cabe ao STF.  

Principais pontos da Portaria que trazem grandes prejuízos aos povos indígenas.

1. Afirma que as terras indígenas podem ser ocupadas por unidades, postos e demais intervenções militares, malhas viárias, empreendimentos hidrelétricos e minerais de cunho estratégico, sem consulta aos povos e comunidades indígenas;
2. Determina a revisão das demarcações em curso ou já demarcadas que não estiverem de acordo com o que o STF decidiu para o caso da Terra Indígena Raposa Serra do Sol;

3. Ataca a autonomia dos povos indígenas sobre os seus territórios. Limita e relativiza o direito dos povos indígenas sobre o usufruto exclusivo das riquezas naturais existentes nas terras indígenas; 

4. Transfere para o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBIO) o controle de terras indígenas, sobre as quais indevida e ilegalmente foram sobrepostas Unidades de Conservação;

5. Cria problemas para a revisão de limites de terras indígenas demarcadas que não observaram integralmente o direito indígena sobre a ocupação tradicional.

Por que a Portaria é inconstitucinal e afronta os direitos indígenas?

1. A decisão do STF na Petição 3388 só vale para a Terra Indígena Raposa Serra do Sol em Roraima. Recentemente três Ministros do STF reafirmaram esse entendimento;

2.Essa decisão do STF pode ainda sofrer alterações, pois as comunidades indígenas da Terra Indígena Raposa Serra do Sol estão questionando judicialmente a decisão do STF, por meio de Embargos de Declaração ainda não julgados;

3. O Advogado Geral da União não tem poderes para fazer leis que afetem os povos indígenas, o que compete ao Congresso Nacional;

4. Coloca condicionantes para usufruto exclusivo pelos povos indígenas das riquezas naturais existentes em suas terras em visível desrespeito ao  artigo 231 da Consituição Federal;

5. Desrespeita o direito que os povos indígenas têm de serem consultados sobre medidas ou projetos governamentais que podem afetá-los, como determina a Convenção 169 da OIT. Muita atenção !!! Todas as Terras Indígenas brasileiras estão em grave situação de risco!Os artigos 2º e 3º da Portaria 303 questionam a validade de tudo o que já foi feito em relação à demarcação das terras indígenas. Isso quer dizer que inclusive as terras já demarcadas podem ser revistas e ajustadas.

Ao levantar irresponsavelmente incertezas sobre a legalidade da demarcação das terras indígenas, o governo federal, por meio da AGU, acabou por criar expectativas àqueles setores que sempre cobiçaram essas terras, estimulando assim a violência no campo, já que é certo o aumento de invasões de terceiros. A memória das numerosas lideranças indígenas mortas pelo latifúndio na luta intransigente pela regularização de suas terras foi irremediavelmente abalada e o futuro das novas gerações ficou gravemente comprometido.

A quem interessa a Portaria 303!

 A pergunta que as lideranças e organizações indígenas e os aliados se fazem é sobre os motivos que levaram a AGU a publicar uma Portaria com implicações tão graves e tão descaradamente contrárias aos interesses e direitos dos povos indígenas.

É, no mínimo, um ato do mais puro cinismo termos a Portaria 303 publicada justamente no momento em que o governo chama os povos indígenas para “dialogar” sobre a promoção e a proteção dos direitos indígenas no âmbito da Comissão Nacional de Política Indigenista (CNPI). Mais hipócritas ainda são as discussões levadas à frente pelo Grupo de Trabalho Interministerial (GTI) para regulamentar os mecanismos de consulta e consentimento livre, prévio e informado, estabelecido pela Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

A publicação da Portaria 303 deixa claro que o governo de fato não tem qualquer intenção de estabelecer um diálogo democrático e transparente quanto aos assuntos que realmente importam para os povos indígenas e para as questões ambientais. Com a publicação da Portaria 303, perpetua-se em pleno século XXI a falsa e injusta compreensão de que os povos indígenas e as terras habitadas pelos mesmos são empecilhos ao “desenvolvimento”, porque dificultariam o licenciamento e a construção de hidrelétricas, rodovias, linhas de transmissão entre outros empreendimentos e impediriam o avanço da exploração dos recursos naturais.

Num jogo desleal com os povos indígenas, o governo apresenta-se interessado em discutir a Convenção169, mas na calada da noite já arquitetava a Portaria 303 empurrando goela abaixo dos povos e comunidades indígenas empreendimentos como a hidrelétrica de Belo Monte, o conjunto de hidrelétricas na região do rio Tapajós e rodovias que impactam terras indígenas, assim como tantos outros empreendimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

É sintomático o amplo apoio que a Portaria 303 recebe do agronegócio. De acordo com representantes deste, essa iniciativa do governo, daria mais segurança jurídica aos “proprietários” não índios que ocupam as terras indígenas, porque não seriam mais obrigados a devolvê-las aos povos indígenas e ainda teriam a possibilidade de estenderem seus latifúndios sobre as terras indígenas já demarcadas. A Portaria 303 é o ápice de uma sequência de golpes contra os Direitos Indígenas. O governo federal, desde a edição do PAC, tem provocado um retrocesso nunca antes vivido neste País, tanto no que cabe aos direitos dos povos indígenas e comunidades tradicionais (quilombolas, por exemplo), quanto à legislação ambiental. Isso é um fato já amplamente denunciado pelo movimento indígena brasileiro, organizações e movimentos sociais e entidades indigenistas e ambientalistas.

Determinado a levar em frente e a qualquer custo o seu plano neodesenvolvimentista, o progresso e o crescimento econômico do Brasil, o Governo Federal tem optado por adotar uma série de medidas administrativas e jurídicas que afrontam gravemente a vigência dos direitos originários, coletivos e fundamentais dos povos indígenas, sendo a Portaria 303 o último golpe. Dentre essas atabalhoadas medidas destacamos:

1. Portaria 419

Em 28 de outubro de 2011, o Governo Federal editou a Portaria Interministerial de número 419, que foi assinada pelos ministros da Justiça, do Meio Ambiente, da Saúde e da Cultura. Essa Portaria visa regulamentar a atuação da Fundação Nacional do Índio (Funai), da Fundação Cultural Palmares (FCP), do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e do Ministério da Saúde (MS) no que diz respeito à elaboração de pareceres em processos de licenciamento ambiental conduzidos pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). O propósito dessa Portaria é acelerar o processo de licenciamento de empreendimentos do PAC diminuindo, assim, ainda mais os já reduzidos prazos vigentes de manifestação desses órgãos quanto à viabilidade ou não de implantação dos empreendimentos que afetam os povos indígenas, os quilombolas e as áreas de preservação ambiental. Em outras palavras, busca agilizar e facilitar a concessão das licenças ambientais aos grandes projetos econômicos, especialmente de hidrelétricas, mineração, portos, hidrovias, rodovias e de expansão da agricultura, do monocultivo e da pecuária.

2. PEC 215 e outras iniciativas legislativas

Em 21 de março de 2012, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou a admissibilidade da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 215/00. Esta PEC tem o propósito de transferir para o Congresso Nacional a competência de aprovar a demarcação das terras indígenas, criação de unidades de conservação e titulação de terras quilombolas, que antes é de responsabilidade do poder executivo, por meio da Funai, do Ibama e da FCP, respectivamente. A aprovação da PEC põe em risco as terras indígenas já demarcadas e inviabiliza toda e qualquer possível demarcação futura.

No Senado tramita a PEC 038/99 que tem o mesmo propósito da PEC 215.

Recentemente foram aprovadas mudanças no Código Florestal pelo Congresso Nacional, as quais irão facilitar a exploração dos recursos naturais e desencadear impactos negativos para o meio ambiente e, as terras indígenas certamente serão atingidas. Na Câmara dos Deputados também tramita o Projeto de Lei (PL) 1610/96 que trata da exploração mineralem terras indígenas. O PL representa uma abertura total das terras indígenas à livre exploração das empresas mineradoras. O texto original não prevê qualquer proteção ao território, ao meio ambiente e muito menos à vida das pessoas que vivem nas comunidades indígenas a serem afetadas. Como as PEC, as Portarias, os Decretos e as mudanças do Código Florestal já citados, no Legislativo são produzidos dezenas de projetos de lei referentes aos direitos indígenas, sendo a maioria com o propósito de reverter os direitos garantidos pela Constituição Federal.

O desmonte da FUNAI

Ao mesmo tempo que o Executivo tenta legislar sobre os direitos indígenas, que não é seu papel constitucional, tem optado também por desmontar totalmente o órgão indigenista, a Funai. Anular a atuação do órgão faz parte de toda essa maléfica estratégia contra os diretos dos povos indígenas. Em 2009, mais uma vez na calada da noite e sem ouvir índios e servidores publicou-se o Decreto 7056/09, que literalmente desmontou toda a estrutura administrativa da Funai em suas bases. Servidores e índios lutaram com todas as forças para reverter o malfadado Decreto, mas como resistir ante a ocupação da Sede da Funai em Brasília pela Força Nacional durante o longo período de janeiro até meados de outubro de 2010! A nova estrutura da Funai prevista pelo Decreto 7056/09 até os dias atuais não foi implantada efetivamente. Inúmeros Relatórios da Controladoria Geral da União (CGU) vêm comprovando a situação vivida pela Funai e pelos povos indígenas, dando conta dos fatos ocorridos. Quase três anos após a publicação do Decreto 7056/09 e, com a Funai em plena crise administrativa, é publicado no Diário Oficial da União (DOU) em 30 de julho de 2012 o Decreto 7778/12, que vem substituir o anterior, mudando novamente a estrutura organizacional da Funai. Índios e servidores, mais uma vez, ficaram à parte da proposição desse Decreto e a tão esperada abertura de diálogo com a Direção da Funai não foi concretizada mais uma vez. Se a primeira mudança demonstrou-se um fracasso, a segunda certamente será o desastre final. A Funai desmontada, a SESAI (Secretaria Especial de Saúde Indígena) inoperante, o MEC (Ministério de Educação) ausente, é obvio concluir que os povos indígenas brasileiros estão literalmente entregues à própria sorte e por força da necessidade submetidos a madeireiros, garimpeiros, empreendimentos desenvolvimentistas, políticos inescrupulosos, etc.

A máscara caiu!

Não dá mais para esconder! A Portaria 303, e outras medidas adotadas pelo Governo Federal desde a edição do PAC, acabaram por revelar a verdadeira face do Governo Dilma.

E agora o que fazer?

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, o Conselho Indigenista Missionário e a Associação Nacional dos Servidores da Fundação Nacional do Índio, numa aliança inédita, mas necessária e urgente, entende que somente a união e a mobilização dos povos indígenas e grupos aliados poderão conter e reverter a ofensiva contra os direitos dos povos e comunidades indígenas. Apelamos, portanto, a todos que de fato tenham interesse em garantir aos povos indígenas brasileiros os seus direitos constitucionais que divulguem amplamente o presente documento. Façam-no chegar às mais longínquas aldeias. Auxiliem os povos e comunidades indígenas na leitura e compreensão do grave momento por que passamos todos.Por todos os motivos apresentados acima, a luta no presente momento deve ser focada na revogação definitiva da Portaria 303 e da Portaria 419, bem como do Decreto 7778/12 e no repúdio à PEC 215.   Brasília – DF, 07 de agosto de 2012. Articulação dos Povos Indígenas do Brasil - APIBConselho Indigenista Missionário - CIMIAssociação Nacional dos Servidores da Fundação Nacional do Índio - ANSEF

Fonte: Cimi - Assessoria de Imprensa.

09 de agosto - Dia Internacional dos Povos Indígenas


Hoje, 09 de agosto, Dia Internacional dos Povos Indígenas, fomos saudados pela parente, Ângela Apurinã Vieira (foto). E eu de cá saudei a tod@s em tupí:  Guê oré ramuia! Guê oré anama! Guê oré Pindorama! Guê oré Abya Yala!

Como esse Dia está sendo trabalhado nas aldeias e fora delas - nas escoals, uinersidades, tribunais, fóruns e na sociedade nacional?!

Compreendemos que temos muito caminho a percorrer na consolidação dos Direitos Humanos "Indígenas". Mas, pelo menos não paramos e vamos prosseguir. Os povos indígenas avançam em suas conqusitas e têm encontrado importanets aliados - tanto pessoas não indígenas quanto indígenas, simpatizantes, enteras outras que se afirmam em sua identidade, quanto instituições.

Prosseguir.

A data não é e nunca será apenas para o aimples comemorar - mas para memorar, avivar a memória, dar consequência, provicar em que precisa-se avançar, aperfeiçoar, ressignificar.

Então, finalizo traduzindo de maneira mais livre o que está acima: Salve o nosso ancestral! Salve os nossos parentes! Salve o nosso Território! Salve o Continente dos Povos Indígenas na Amerínda!

Prosseguir.

Pé-ante-pé.

Dia-após-dia...

Foto ¹: Fotos do mural de Juari B. Bomfim

Foto ²: Lara Luzuah

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Prof. Silvano Machado de São Gabriel, um geógrafo nas simetrias do Criador


Conheci – para minha honra e crescimento - o Professor Silvano Pedro Machado em sua casa, no dia 30 de abril de 2011, pelas mãos camaradeiras de sua esposa Suzélia e de Edileuza Rocha (Leu) - nossa amiga em comum, em virtude de desenvolvermos na cidade de São Gabriel – semiárido da Bahia, a Oficina de Teatro: Eu, o Outro e Meu Lugar no Mundo, numa interação entre crianças, jovens e educadoras(es).

Ele nos “deixou” na madrugada de ontem (02 de agosto de 2012) – como se diz entre amigos: “viajou antes do combinado”. Cremos que, como professor de geografia – estará pelos infindos espaços siderais – pesquisando, analisando, anotando, fotografando, medindo, mapeando, registrando na Eternidade as tantas estrelas, luzes musselinosas, caminhos lácteos, grutas arco-irisadas, puxando violas e papos das diásporas, das poesias, reminiscências dos Payayá e de outros povos de sua e minha região nas vastidões da chapada diamantina – já aqui na terra já sabia muito – pois sábio era em outras geografias e imaginemos o quanto era tão elucidativo e apaixonante em sua cátedra.

Conversamos bastante sobre o semiárido, educação e sobre o povo Payayá e do movimento que se espalha em vários pontos da Bahia e não apenas no Piemonte (Pé de Serra) da Chapada Diamantina - de pessoas que se afirmam ter sangue dessa linhagem étnica.


Horas antes, eu e Leu teclamos pelos fios invisíveis da Net de que não tínhamos o que dizer sobre essa notícia que ninguém fica com chão embaixo dos pés quando tem que anunciar – de antes não sabemos lidar com “esse adeus”. Na minha pequenez balbuciei/teclei algo assim, para os seus familiares e amigos: "Fiquem agora cada vez mais junt@s, mais do que já eram", afinal, o abraço, o ombro, o chá, o café, o amparo físico - são mais os imediatos e possíveis de equilibrar o desconforto que o indizível e imponderável nos impõe nessas horas!

Fiquemos juntinhos! Ele, agora é um viajor geografando estrelas na Eternidade e que O Senhor do Tempo, do Amor, da Bondade, do Sem-fim -, o acolha em Seus braços sacrossantos!

Fotos: Maria & Leu

terça-feira, 17 de julho de 2012

Rio dos Macacos é quilombo, diz Incra







Rio dos Macacos é quilombo, diz Incra


Carlos Vianna Junior REPÓRTER

O Incra confirmou, ontem, que a população que está sendo expulsa pela Marinha do Brasil de uma área próxima da Base Naval de Aratu é mesmo um quilombo, sendo sua origem anterior à chegada da armada brasileira ao local.

O documento que atesta esta informação deve ficar pronto em uma semana e será enviado para a presidente Dilma Rousseff. Com isso, pode estar próxima a solução do impasse, que vem repercutindo em todo país, principalmente devido aos métodos que a Marinha, supostamente, tem usado para tentar retirar os quilombolas da área.

Para concluir o estudo, os técnicos do Incra abriram um parêntese na greve nacional da categoria iniciada no dia 18 de junho. “Temos nossa luta, mas ficamos sensibilizados com a luta deles que é muito mais dramática”, disse Aroldo Andrade, chefe da divisão de ordenamento da estrutura fundiária do órgão.

O trabalho de pesquisa do Incra, iniciado em 6 de dezembro de 2011 – interrompido pela Marinha por um mês - levantou ainda dados geográficos sobre o quilombo. São 62 famílias que ocupam uma área de 300 hectares. “Não é o trabalho de nossa equipe declarar que a comunidade é um quilombo, mas pesquisar dados que levam a esta conclusão, e isso fica claro no estudo”, destaca Andrade.

De imediato, o Relatório Técnico de Identificação e Delimitação (RTID) deve cessar o processo de reintegração de posse da terra, quando os quilombolas seriam retirados do local, que está marcada para o dia 31 de julho. Além disso, dará o lastro legal para o quilombo seguir sua luta em busca de seus direitos.

A Constituição, no seu artigo 68 dos atos das disposições transitórias, garante aos remanescentes das comunidades dos quilombos, que estejam ocupando suas terras, que seja reconhecida a propriedade definitiva, devendo o Estado emitir-lhes os respectivos títulos.

A notícia sobre a finalização do RTID foi anunciada ontem em uma reunião dos funcionários do Incra com os quilombolas na sede do órgão. A comunidade do Rio dos Macacos requereu o encontro com o objetivo de pedir que os estudos do relatório fossem concluídos, apesar da greve.

“Eles não sabia que nós estávamos trabalhando. Paramos apenas na primeira semana da greve, depois decidimos continuar, pois sabemos o que a comunidade vem sofrendo”, ressaltou Andrade, que aproveitou a reuniao para comunicar que a conclusão do relatório está a uma semana do final.

Andrade explica que o relatório é só uma de cinco etapas para que o quilombo receba o documento final de propriedade definitiva da terra. Segundo ele, no entanto, o processo total não deve demorar muito. “Há processo que demoram até dez anos, mas como é uma área que pertence a União e não há conflitos entre terceiros, tudo fica mais fácil”, sustenta.

Comunidade reclama da Marinha

“A vida do quilombo vem sendo transformada em vida de senzala”. Essa é descrição que faz Rosemeire dos Santos, uma quilombola com cerca de 40 anos, presente à reunião na sede do Incra.

Ela não sabe, por ser analfabeta, assim como quase todos os quilombolas de sua geração, que seu relato lembra mais os anos de ditadura militar do que os anos de escravidão. “Desde que a vila militar foi construída, vivemos cercados e durante minha infância não podíamos sair para ir à escola”, conta.

A construção da vila ocorreu na década de 1970 e, segundo os quilombolas, a obra só foi realizada depois da expulsão de mais de 50 famílias do local.

Nos últimos três anos, se é verdade o que narra a população do quilombo, a Marinha vem “torturando” a comunidade para que eles saiam do terreno que a Constituição lhes dá posse. Uma das vítimas dos métodos utilizados, Antônio Alexandria, 76, está no Hospital do Subúrbio, devido às pressões que, supostamente, sofreu dos marinheiros.

“Eles foram à casa de seu Antônio, levou ele para a vila e lá disseram que a sua casa seria a primeira ser derrubada e depois disso fizeram o velho assinar três documentos. Dias depois ele teve um derrame”, contou Rosemeire dos Santos.

Não é só a pressão de estarem à beira de serem lançados ao mundo sem meios de sobrevivência, depois de uma vida de isolamento, que já levou quatro outros anciãos da comunidade à morte.

De acordo com seus relatos, helicópteros estão sobrevoando o quilombo durante a noite, lançando luzes de potentes refletores sobre as casas. Até as fontes de sustento da comunidade teriam sido atingidas por supostas táticas de expulsão. Mais de 150 mangueiras estão morrendo sem explicação.

Os quilombolas contam ainda que em 2010, um jovem da comunidade morreu depois de ter sido atropelado por um militar, propositadamente. Para Rosemeire dos Santos, o que torna ainda mais incompreensível a postura dos militares “que deveriam proteger o cidadão brasileiro”, é a dificuldade de assumirem que estão lidando com quilombolas e não com criminosos.

Referências:
http://mamapress.files.wordpress.com/2012/03/quimacos.png
http://www.tribunadabahia.com.br/news.php?idAtual=122017
http://revoltabuzufsa.blogspot.com.br/2012/03/abaixo-assinado-em-solidariedade-ao.html





sábado, 30 de junho de 2012

XXII CANTORIA DE SÃO GABRIEL - BAHIA

XXII CANTORIA DE SÃO GABRIEL - BAHIA


PROGRAMAÇÃO OFICIAL DA XXII CANTORIA DE SÃO GABRIEL - BA
DEDICADA A DÉRCIO MARQUES E RABERUAN

DIA 13 DE JULHO DE 2012, SEXTA-FEIRA

17h – Cortejo
19h – Roda de São Gonçalo – Cultura Popular São Gabriel
20h – Trupe Verso e Corda – Ari, Pita Paiva e Tiú Rocha
21h – Abertura Oficial
22h – Francisco Gui – São Gabriel
23h – Clendson Barreto – Irecê – homenageando Dércio Marques
00h– Xangai – Vitória da Conquista
01h30mim – Forró com Trio Kã-Dinheiro - Mateus, Chico Leite e Elsão

DIA 14 DE JULHO DE 2012, SÁBADO

20h a 20h30mim – Balé e Coral do grupo de idosas do CRAS – São Gabriel
20h40mim – Welton Gabriel
21h30mim – Lane Quinto – Jequié - Samba
23h – Chita Fina – Salvador - 06 mulheres homenageando Luiz Gonzaga
00h30mim – Miltinho Edilberto – violeiro de Minas Gerais
02h00mim – Forró com a Banda Flor de Barriguda – São Gabriel

DIA 15 DE JULHO DE 2012, DOMINGO

15h – Oficina de sanfona com Kelvin Diniz, um dos melhores sanfoneiros do Brasil
17h – Circo Arte em Movimento – São Gabriel e Irecê
20h – Reginaldo Manso e Coral Querubins – São Gabriel
20h40mim – Pedro Hoisel - Ilhéus
22hmim – Saulo Laranjeira – Minas Gerais
23h40mim – Seu Castro - Irecê
01h15mim – Kelvin Diniz – Capim Grosso - Forró

Local: Praça Pedro Gama

A Fundação Culturarte informa e convida aos apreciadores/as da Cantoria para marcarem presença na praça cedo, pois o intuito é garantir os shows nos horários marcados.

Obs.: programação sujeita a alterações de horários

Fundação Culturarte de São Gabriel

Rua Cirilo Tavares Siriema, nº 70, Bairro Nova Brasília. CEP:44915-000 São Gabriel - BA.
fundacaoculturartesg@yahoo.com.br

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Dércio Marques: amou de tal maneira...

MANO DÉRCIO MARQUES amou a Vida de tal maneira que nos fez mais sensíveis e cantantes, esperançosos(as) e amantes dela! Sua voz, seus versos, sua lira, seu carisma, seu testemunho de fé -, enluarado, amoroso com as pessoas, verbenas, jojobas, sapos, duendes, elfos, sertões, cantorias, grilos, caiporas, curupiras, latinoamericanidade: profunda sintonia com os fios da Teia da Vida!

Agorinha, minha caríssima amiga Leu, do Grupo Garra e da Fundação das Artes de São Gabriel -, por onde Dércio tantas vezes fora ali passou participar de cantorias -, foi quem me deu a "notícia" de que Dércio "encantou" nessa terça-feira (26 de junho), partindo de vez para ser uma estrela, um rio, um ramo, uma flor, um aroma... nas dimensões celestes!

O mundo ficou mais pobre, pobre, pobre. Muita gente, o mundo inteiro - precisavam conhecê-lo - embora com sua obra essencial, brilhante, muito, muito, muito acima das mercadorias musicais que tanto atraem as midiocridades, os investimentos perversos na cultura e os empresários inescrupulosos que por certo muito dificultaram e ainda dificultam apoio e acesso a obras com as de tantos artistas da dignidade e magnitude do Dércio Marques.
Sobretudo, quando, por aqui nos lembrarmos dele e cantá-lo com certeza esse mundo volta a fulorar, a fulejar, rio abaixo, rio acima - repletos dos elementos e elementais que tanto ele cantou e com eles conversou nas beiras de rio, nas beiras das estradas, nas noites, nos dias e madrugadas.

Lembro-me sempre, quando eu e Solange Damasceno o acompanhamos numa visita a sítio no coração de uma mata e pelas estradas íamos pelo noite adentro com um andar silencioso para que Dércio fosse gravando os sapos, grilos e outros entes daquele lugar e para depois cantarem junto com ele em suas músicais geniais!!!

Ouça a música Natureza Oculta de Milton Edilberto na voz desse menestrel máximo:


Eh, Dércio, mano Dércio, viva, viva, viva agora os espaços inauditos, as glórias dos céus! Voe, voe, voe pássaro-hermano-kybyra-malungo! O mundo aqui continuará precisando de ti. Então, manda de vez em quando um raio, um ramo, um verso, um acorde - pois, você plantou sementes e muito amor entre nós. Nos tornamos pessoas melhores, mais humanas, mais felizes quando tocados pela tua beleza sem par! Por ti e para ti escrevi tantos poemas, tantas músicas e ainda outras tantas escreverei...
Estrelas, rios, passaros, folhas, frutas, flores: segredos revelados pelo Amor de Dércio Marques.

Abaixo, as fotos que Leu Rocha, nossa amiga em comum, gentilmente nos enviou por e-mail:






Veja então as notícias abaixo...

O violeiro, cantor e compositor mineiro Dércio Marques morreu na noite de terça-feira (26), em Salvador, por insuficiência renal, devido a complicações de um câncer no pâncreas. O cantor estava internado há três semanas no Hospital Ana Nery, onde se recuperava da operação de retirada do pâncreas, vesícula e baço.

Segundo Sônia Machado, secretária do músico, Dércio Marques começou a dar sinais da doença em dezembro do ano passado, mas só no início do ano foi diagnosticado com câncer. O corpo do compositor está sendo velado no cemitério Jardim da Saudade e será cremado na quinta-feira (28). A família ainda vai decidir se suas cinzas serão jogadas em um rio ou no mar, duas paixões do músico.
Dércio Marques alternava sua residência entre sua cidade natal, Uberaba, no Triângulo Mineiro, e Salvador. Ele deixa uma companheira e quatro filhos.

















Durante a carreira, o artista buscou retratar a música raiz brasileira. Pesquisador das tradições da terra, Dércio Marques percorreu o Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, para buscar cantigas que retratassem a cultura popular. Dessas andanças pelo vale, ele lançou o CD Fulejo.

Jornal A Tarde, 28 de junho de 2012.