quinta-feira, 12 de abril de 2012

IX Encontro Estadual de História - 2012 ANPUH-PE

IX Encontro Estadual de História - 2012 ANPUH-PE

(UFPE/Caruaru e FAFICA 23 a 27/07/2012)

Para inscrições nos Simpósio Temáticos, MInicursos e Posteres ver o site http://www.pe.anpuh.org


PROGRAMAÇÃO GERAL
Conferência de abertura:
História e Diversidade: Memória, Verdade e Justiça.
Prof. Dr. Carlos Fico (UFRJ).

Mesa redonda 1:
Gênero, Feminismo e Políticas Públicas: Um Balaço Historiográfico.
Palestrantes: Profa Drand. Andrea Bandeira (Coord.), Profa. Dra. Maria Cecília Patrício, Profa. Me. Juliana Lucena.

Mesa redonda 2:
Ensino de História, Diversidades e Diferentes Abordagens.
Palestrantes: Profa. Dra. Adriana Paulo (Coord.), Profa. Me. Zeneide Rios, Prof. Me. Alexandre Amorim.

Mesa Redonda 3:
A Medicina e a Cidade: Construções de Espaços Modernos (Séc. XIX e XX)
Palestrantes: Prof. Dr. Carlos Miranda (Coord.), Prof. Me. Arthur Garcéa, Profa. Me.Priscila Susan.

Mesa Redonda 4:
Procedimentalíssimo, Participação e Diversidade.
Palestrantes: Prof. Dr. Michel Zaidan (Coord.), Prof. Dr. Fábio Andrade, Profa. Dra. Alessandra Barroso.

Mesa Redonda 5:
Administração, negócios e ação militar na América Portuguesa (XVI-XVIII).
Palestrantes: Profa. Drand. Janaína Guimarães (Coord.), Profa. Dra. Kalina Vanderlei, Prof. Me. Reinaldo Forte.

Mesa Redonda 6:
Ditadura, Arquivos e Patrimônio em Pernambuco.
Palestrantes: Profa. Dra. Marcília Gama (Coord.), Prof. Me.Felipe Galindo, Marcelo Mário Melo.

Mesa Redonda 7:
O Alufá Rufino: biografia e escravidão
Palestrantes: Prof.Dr. José Bento Silva (Coord.), Prof. Dr. João José Reis, Prof. Dr. Marcus Carvalho.

Conferência de Encerramento:
Prof. Dr. Edson Silva (ANPUH-PE)

segunda-feira, 9 de abril de 2012

RACISMO AMBIENTAL. BASTA!!!



RACISMO AMBIENTAL

Tenho visto. Tenho sabido.
Tenho tido notícias. Tenho sofrido.
Se o poeta Castro Alves já falava
“Há dois milanos te mandei meu grito”
Nós podemos acrescentar mais de 500 anos
Sobre a tragédia diária
De quem (tem) na cor da pele,
na cultura, na religião,
nos modos de ser e estar:
O sumo ancestral das raízes de Mama África -,
E embora pergunte: quem não veio de lá?
Centro-me na dor dos que nas salas de aula
Sofrem na pele as lições da intolerância
Do outro que se alevanta como superior,
Melhor ou algo assim que não se mede,
Que não se iguala,
Que não se discute.


Gente é gente.
Cada um na sua origem.
Na sua pele,
Na sua sorte,
Na sua luta,
Na sua diáspora,
Na sua busca...

Carecemos sermos gente, cada vez mais
Sermos próximos, cada vez mais
Sermos irmãos e irmãs e fazermos humanidade,
Nos melhorar na busca da Terra,
Na busca dos Céus,
Na busca da Felicidade,
Na busca da Justiça e do Pão de cada,
Da Alegria de cada dia – mesmo que tão desiguais
Nos códigos que nos inscreveram nos cartórios,
Na economia, nas escolas,
Nas salas de consultórios e hospitais,
Nas mesas dos bares,
Nos estádios, nas universidades,
Nas igrejas, no militarismo,
Nos governos, nos presídios,
Nos silêncios dos quartos, nas salas de estar
Ou invisibilizados/invisibilizadas nos apedrejamentos,
Nas submissões, nos sarcasmos, nos monosprezos...

Aliás, vamos revirar as páginas e reescrevê-las
Com os códigos da alteridade,
Do relativismo cultural,
Da diversidade étnica e da multiculturalidade!

Uns navios negreiros vieram pelo mar;
Outros navegam e se constroem dentro
De cada pessoa que é algoz de si e da outra pessoa.
Podemos amar e odiar
Tem nos ensinado o mestre Nelson Mandela,
Então, não queremos mais:
Ver, Saber, Ouvir, Sofrer
Sobre o que o seu, o meu e o nosso racismo
Tem feito por aí,
Por aqui,
Por acolá!!!

O humano em nome de Deus que é Amor e Justiça,
Misericórdia e todo Poder –
Há de regressar à Casa do Bem Querer
E sair pelo mundo afora
Abraçando! Abraçando! Abraçando!...
Quem com ele cruzar,
Quem com ele caminhar,
Quem com ele compartilhar
O tapete da Terra,
Os lençóis das águas,
As coroas dos Céus!
Somos juntos e juntas - herdeiros e herdeiras da Terra
Herdeiras e herdeiros dos Céus!

Ademario Ribeiro

Simões Filho, 09 de abril de 2012, às 18h17

Fotos: Google Imagens

Culturas e Estudos do Sertão aos Sertões

(Google Imagens)

Desde a minha mais tenra infância q'eu maginava qui meu sertão era Tão um Ser, um Ser Tão! Isso eu vi, vivi e sobrevivi entre os arvoredos, estradsa de légaus tirans com feixe de lenha na cabeça ou marando cabresto de fita de liciri às jeringonças que fazia com cabaça, gravetos em talos de mamoeiros - meus brinquedos mais lindos e prazerosos! Quano oiava as serras e "via" os bandos de Lampião e Maria Bunita, Curisco e Dadá ou oe meus antepassados índígenas - encatados entre os licurizeiros! Vi, vivi e sobrevivi o Sertão nas histórias e causos nos terreiros, nas cacimbas sem água ou de águas salobars e as poucas piabas e poços malassombrasos, enter calangos e macambiras...

Meu Sertão - território de muit@s outr@s - desde camaradas de nascença de lá - do Sertão - aos que estavam nos movimentos sociais aos da música, do teatro, do cinema. Muit@s em iguais parecenças ou invencionices. Tod@s na luta par que o Setão contuinue vicejando!

Ora, tomei conhecimento de que as universidades e pesquisadores(as) estão com suas monografias, dissertações, teses, filmes, eventos. Em Feira de Santana na Bahia - Portal do Sertão estão precvistos os eventos CELEBRAÇÃO DAS CULTURAS DO SERTÃO e I ECONTROS DE ESTUDOS DOS SERTÕES. Este último, leia a sua programação abaixo. Em ambos, vi nomes dos mais brilahntes lutadores dos Sertões e pelos quais tenho profunda admiração: Fábio Paes, Roberto Dantas, Chico Liberato, Ariano Suassuna, Cláudia Vasconcelos, Maria Ribeiro, Bule-Bule. entre outros!


Ver mais:
http://www.cultura.ba.gov.br/2012/03/21/confira-a-programacao-do-i-encontro-de-estudos-das-culturas-dos-sertoes/

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Lei inédita institui carreira de Professor Indígena


Isso se deu na Bahia!


Bahia aprova lei inédita no país que institui carreira de Professor Indígena


INSTITUCIONAL
Publicado seg, 03/01/2011 - 13:20 por Assessoria de Comunicação - ASCOM

A Assembleia Legislativa da Bahia aprovou, no dia 22 de dezembro, a Lei nº 18.629/2010, inédita no país, que institui a carreira de Professor Indígena no quadro do Magistério Público do Estado da Bahia. A proposta, encaminhada pelo Governo da Bahia, foi construída coletivamente pela Secretaria da Educação e os movimentos indígenas. A Bahia conta com 14 etnias indígenas distribuídas em todo o Estado.

O projeto de lei prevê a construção de uma educação diferenciada, específica e com qualidade, resultante do exercício partilhado com os índios. A linguagem, o método e formatação de ensino, direcionados especificamente para os índios, passam a ser peças fundamentais no entendimento e preservação da cultura indígena.

“A aprovação da lei que cria o cargo de Professor Indígena responde a uma antiga reivindicação do movimento indígena e tem como fundamento garantir uma educação específica intercultural e de qualidade, respeitando a cultura e os costumes dos povos indígenas”, afirma o secretário da Educação do Estado, Osvaldo Barreto. Com a lei, os professores terão a liberdade de ensinar, pesquisar e divulgar o saber, considerando a educação diferenciada, adequada às peculiaridades das diferentes etnias.

A Bahia tem 397 professores indígenas atuando nas 62 escolas instaladas nas aldeias, sendo 8 estaduais e 54 municipais. No total, estão matriculados 7.122 estudantes de 116 comunidades, atendendo as 14 etnias.

“Além da garantia trabalhista dos professores indígenas como cidadãos baianos e brasileiros, a regulamentação da sua vida funcional significa a continuidade de uma gestão autônoma na implementação do novo marco legal da educação intercultural indígena na contemporaneidade”, comemora a professora de História, Rosilene Araújo, índia Tuxá, coordenadora de Educação Indígena da Secretaria da Educação do Estado da Bahia.

A regulamentação do projeto de lei é comemorada pelas lideranças indígenas. “Queremos uma educação em que o índio pode ser doutor sem deixar de ser índio”, afirma o cacique Lázaro Kiriri, da aldeia Mirandela, no município de Banzaê.

Formação de professores e produção de material didático

A Secretaria da Educação do Estado vem investindo na formação de professores indígenas. Desde 2007, a Coordenação de Educação Indígena mantém um programa regular para atender aos professores em suas comunidades. 115 professores estão concluindo, no primeiro semestre de 2011, a formação inicial de Magistério (nível médio) específico para docentes indígenas. Na formação de nível superior, 108 professores indígenas estão fazendo a Licenciatura Intercultural na Uneb e outros 80 professores no Ifba em Porto Seguro, uma parceria da Secretaria da Educação e Ministério da Educação com as duas instituições de ensino. Mais 200 professores também estão em curso de formação continuada de ensino fundamental (séries finais) e ensino médio.

A formação vem acompanhada da produção de material didático específico para os estudantes indígenas. A Secretaria da Educação do Estado da Bahia, em parceria com o MEC, produziu e distribuiu material para as 62 escolas indígenas do Estado. Vale destacar que os conteúdos foram elaborados pelos próprios professores indígenas. “O resultado vai subsidiar a política de educação específica diferenciada para os povos indígenas”, informa Rosilene Araújo, ressaltando que “a Bahia está em processo de transição entre a escola posta para índios na visão externa e a nova escola pensada e construída a partir da visão indígena”.

Para a coordenadora, o grande objetivo da Secretaria da Educação da Bahia é “consolidar uma Escola que reflita sobre o modo de vida próprio, sobre a valorização e a manutenção das culturas e tradições indígenas e sobre o aproveitamento sábio dos territórios tradicionais. A educação escolar ganha, portanto, um novo sentido para esses povos, tornando-se um meio de acesso a conhecimentos universais, sistematização de saberes tradicionais e ressignificação dos valores culturais”.

CONTATO:
Coordenadora de Educação Indígena da Secretaria da Educação do Estado da Bahia: Rosilene Araújo, Índia Tuxá, professora de História e mestranda em Educação e Contemporaneidade (Uneb).
(71) 3115 8915 / 8866 7689 / rcaraujo@sec.ba.gov.br
Palavras-chave: Lei, Indígena, Inclusão, formação, educação, aprovação

Fonte do mapa: http://www.indiosonline.net/conselho-estadual-dos-direito-dos-povos-indigenas-do-estado-da-bahia/
Fonte: http://www.educacao.institucional.ba.gov.br/node/1996


A Política de Educação Indígena e os impasses

Além do podemos analisar no texto abaixo, ainda e a despeito da Lei 11.645/08, o MEC (Federal) ainda não temos a clareza de como estão as "Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Etnicorraciais e para o Ensino de História e Cultura Indígena". Já estão prontas? Falta o quê? Como estão discussões? Cadê os documentos finais como as demandas e proposições apresentadas pelos povos indígenas? Quando sairá esse documneto, enfim?!

Os povos indígenas querem saber, os profissionais de eduacaçãoq uerem saber. Os professores indígenas querem saber!

Vamos ao texto da Tatiana Ferreira.

Instituições se unem para criar política de educação indígena
Arquivo:Assessoria de Imprensa
Texto: Tatiana Ferreira

Todo brasileiro tem o direito à educação garantido na Constituição Federal de 1988. Quando se trata dos povos indígenas, também é preciso considerar o direito à diversidade cultural, que coloca como exigência uma educação diferenciada e intercultural. Por isso o ideal é que existam modelos próprios de escola. Na prática, entretanto, não é o que vem ocorrendo. Para eles, o ensino de 5ª a 8ª séries é quase inexistente. Muitas escolas não são reconhecidas e falta infra-estrutura. Para reverter esse quadro deverá ser criada, no Pará, uma política estadual de desenvolvimento da educação indígena.

As discussões nesse sentido já foram iniciadas entre Seduc, UFPA, Uepa, Funai e Procuradoria Geral do Estado (PGE) em uma primeira reunião. Os próximos debates também devem contar com a participação de representantes indígenas, da Secretaria Municipal de Educação (Semec), do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) e da Secretaria Executiva de Justiça, através do Programa Raízes.

"Essa reunião foi o primeiro passo de um processo muito importante. Nas próximas, contaremos com a presença de representantes de povos indígenas. A participação de todos essas representações é fundamental para a criação de uma política estadual para a educação escolar indígena que possibilite, por exemplo, investimentos na formação de professores indígenas e a implantação do terceiro grau indígena", explica Regina Julião, coordenadora da seção de Educação Escolar Indígena da Seduc.
Segundo o Censo 2002 da Seduc, existem 6.808 alunos índios no Pará. São, ao todo, 87 escolas de ensino fundamental nas aldeias. O corpo docente é composto de 70 professores não índios e 107 professores índios.

A universidade participará com a experiência de professores do Departamento de Antropologia e do Departamento de Língua e Literatura Vernáculas. Na opinião da antropóloga Jane Beltrão, da UFPA, é preciso vencer não só fatores como a diversidade de etnias e as grandes distâncias. "O problema maior é vencer o preconceito. Garantir educação não é um favor, é um dever. Afinal, esse é um direito assegurado por lei", observa a antropóloga.

Segundo Jane Beltrão, que realiza diversos trabalhos em aldeias, esse é um anseio constante de todos os grupos. "Eles precisam da educação até para revigorar sua língua e suas tradições. Nesse caso, não podemos pensar apenas na educação da sala de aula. Existem muitas formas de se trabalhar a educação indígena", constata.
O Conselho Nacional de Educação realizou uma reunião extraordinária em março deste ano com o objetivo de buscar mecanismos para o cumprimento da Resolução CEB/CNE 03/99, que fixa normas para o funcionamento das escolas indígenas e diretrizes curriculares nacionais para educação escolar indígena no país. Durante o evento, ficou clara a necessidade da realização de audiências públicas para colocar prazos e cobrar a implementação dos direitos indígenas com relação à educação. Em Belém, a audiência ocorreu no dia seis de maio e desencadeou as discussões sobre a necessidade de uma política estadual de desenvolvimento da educação indígena.

Todo brasileiro tem o direito à educação garantido na Constituição Federal de 1988. Quando se trata dos povos indígenas, também é preciso considerar o direito à diversidade cultural, que coloca como exigência uma educação diferenciada e intercultural. Por isso o ideal é que existam modelos próprios de escola. Na prática, entretanto, não é o que vem ocorrendo. Para eles, o ensino de 5ª a 8ª séries é quase inexistente. Muitas escolas não são reconhecidas e falta infra-estrutura. Para reverter esse quadro deverá ser criada, no Pará, uma política estadual de desenvolvimento da educação indígena.

As discussões nesse sentido já foram iniciadas entre Seduc, UFPA, Uepa, Funai e Procuradoria Geral do Estado (PGE) em uma primeira reunião. Os próximos debates também devem contar com a participação de representantes indígenas, da Secretaria Municipal de Educação (Semec), do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) e da Secretaria Executiva de Justiça, através do Programa Raízes.

"Essa reunião foi o primeiro passo de um processo muito importante. Nas próximas, contaremos com a presença de representantes de povos indígenas. A participação de todos essas representações é fundamental para a criação de uma política estadual para a educação escolar indígena que possibilite, por exemplo, investimentos na formação de professores indígenas e a implantação do terceiro grau indígena", explica Regina Julião, coordenadora da seção de Educação Escolar Indígena da Seduc.
Segundo o Censo 2002 da Seduc, existem 6.808 alunos índios no Pará. São, ao todo, 87 escolas de ensino fundamental nas aldeias. O corpo docente é composto de 70 professores não índios e 107 professores índios.

A universidade participará com a experiência de professores do Departamento de Antropologia e do Departamento de Língua e Literatura Vernáculas. Na opinião da antropóloga Jane Beltrão, da UFPA, é preciso vencer não só fatores como a diversidade de etnias e as grandes distâncias. "O problema maior é vencer o preconceito. Garantir educação não é um favor, é um dever. Afinal, esse é um direito assegurado por lei", observa a antropóloga.

Segundo Jane Beltrão, que realiza diversos trabalhos em aldeias, esse é um anseio constante de todos os grupos. "Eles precisam da educação até para revigorar sua língua e suas tradições. Nesse caso, não podemos pensar apenas na educação da sala de aula. Existem muitas formas de se trabalhar a educação indígena", constata.
O Conselho Nacional de Educação realizou uma reunião extraordinária em março deste ano com o objetivo de buscar mecanismos para o cumprimento da Resolução CEB/CNE 03/99, que fixa normas para o funcionamento das escolas indígenas e diretrizes curriculares nacionais para educação escolar indígena no país. Durante o evento, ficou clara a necessidade da realização de audiências públicas para colocar prazos e cobrar a implementação dos direitos indígenas com relação à educação. Em Belém, a audiência ocorreu no dia seis de maio e desencadeou as discussões sobre a necessidade de uma política estadual de desenvolvimento da educação indígena.
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Diagnóstico preocupante

Professores reunidos na III Assembléia Geral do Conselho dos Professores Indígenas da Amazônia, ocorrida em Manaus, entre os dias 25 e 27 de março de 2003, fizeram um diagnóstico da situação das escolas indígenas e destacaram entre os principais problemas enfrentados:
-Não reconhecimento das escolas indígenas;
-Falta de infra-estrutura adequada;
-Discriminação e preconceito;
-Não implementação da legislação da Educação Escolar Indígena, em especial a Resolução 03/99;
-Ausência de representação indígena nos Conselhos de Educação;
-Falta de uma política pública para atender a necessidade do Ensino Superior voltado aos interesses dos povos indígenas buscando o compromisso das universidades públicas;
-Falta de atendimento ao Ensino Fundamental, de 5ª a 8ª série;
-Falta de concursos públicos diferenciados para resolver a situação dos contratos temporários.

Fonte: http://www.ufpa.br/beiradorio/arquivo/beira10/noticia/noticia8.htm

MÉDICOS, PAJÉS E REZADEIRAS


MÉDICOS, PAJÉS E REZADEIRAS
José Ribamar Bessa Freire
25/01/2009 - Diário do Amazonas

O que aconteceu, afinal, com LB, a menina Tukano de 12 anos, que foi picada por uma cobra jararaca, quando pescava, no início do mês, em Pari Cachoeira? De lá até Manaus são mais de 1.100 km, e sete dias de barco. Dois dias depois, ela já chegou a São Gabriel da Cachoeira, com sinais de necrose.

Dali foi, então, transferida para Manaus, criando uma polêmica, apresentada pela TV Globo, no Jornal Nacional. É que os índios recusaram a amputação do pé esquerdo dela, indicada pelos médicos, e insistiram em celebrar um ritual de pajelança dentro do Hospital João Lúcio, na Zona Leste de Manaus, onde estava internada desde o dia 14.

O Hospital, no entanto, rejeitou a pajelança e as restrições alimentares sugeridas pelos índios, bem como a proibição de acesso ao local de gestantes e mulheres no período menstrual. O diretor do Hospital, Joaquim Alves, sem entender o que é a pajelança, achou que o ritual produziria barulho: "Eles não podem fazer os rituais com tambores, o som da cerimônia incomoda os outros pacientes. Além disso, não temos conhecimento da eficácia no resultado da aplicação conjunta das ervas com os medicamentos convencionais".

Descontente, o tio da menina, João Paulo Barreto, invocou o artigo 213 da Constituição, que reconhece aos índios seus costumes, línguas, crenças e tradições. O Ministério Público recomendou, então, um tratamento combinado da medicina indígena com os métodos convencionais. A menina foi transferida para a Unidade de Apoio Clínico Hospitalar Indígena (Uachi), e daí para o Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV), onde foi reservado um espaço para a realização dos rituais de cura. Agora, ela está sendo tratada por pajés e por um cirurgião.

As ervas dos bárbaros
Esse não é um caso isolado. No Alto Rio Negro, acidentes com mordidas de cobras ocorrem com muita frequência e matam mais do que no resto do Brasil. Os especialistas explicam que o veneno da jararaca da região é trinta vezes mais potente do que das cobras de São Paulo, limitando assim a eficácia do soro genérico produzido pelo Ministério da Saúde. Em 2006, uma equipe do Instituto Butantã planejou coletar serpentes no Rio Negro, mas os resultados ainda não apareceram.
Nas comunidades indígenas da região, quando alguém é mordido por cobra, procura logo o pajé. Ele, muitas vezes, resolve com os conhecimentos acumulados nos últimos dois milênios. Mas o pajé, como o médico, não faz milagres. Nesse caso, a família procura o polo-base do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) que, dependendo da gravidade, transfere o paciente a São Gabriel para receber o soro antiofídico, segundo Andreza Andrade, do Instituto Socioambiental (ISA).

Lá, as equipes de saúde costumam realizar um tratamento em conjunto com o pajé, unindo a medicina tradicional indígena com a medicina ocidental. O médico gaúcho Oscar Soares, que vem atuando há vários anos no polo de Iauareté, na fronteira com a Colômbia, testemunha que “essa nova concepção de tratamento tem ajudado muito na recuperação dos pacientes”.

Os índios do Rio Negro estão convencidos de que a amputação do membro afetado, tal como indicado pelos médicos, não é cura. Por isso, demonstram resistência em se submeter a esse procedimento. Foi o caso do índio Fernando José Baniwa, de 62 anos, cuja amputação da perna estava recomendada, programada e marcada. A família lutou bastante, conseguiu retirá-lo do hospital e levá-lo de volta à comunidade, onde foi tratado. Depois de um ano, ficou bonzinho e voltou a andar, segundo Andreza Andrade.
O médico holandês Guillerme Piso (1611-1678), que morou oito anos em Pernambuco como médico de Maurício de Nassau, confirma a eficácia da medicina indígena. No livro sobre a história natural e médica do Brasil, ele repete o pensamento dominante de que os índios eram “povos ignorantes, bárbaros, atrasados e de nenhumas letras”, mas registra, maravilhado, como os pajés evitaram que muito soldado virasse saci.

“Lembro-me que os bárbaros, nos acampamentos, por meio de gomas frescas, sucos e bálsamos, livraram do ferro e do fogo e restabeleceram com êxito os membros dos soldados feridos por balas de espingardas, que estavam para ser amputados por cirurgiões europeus, lusitanos e batavos... Na preparação, prescindem de laboratórios e, ademais, sempre tem à mão sucos verdes e frescos de ervas...”.

Soro, raízes, rezas
A medicina ocidental realizou conquistas admiráveis, mas se não reconhecer outras formas de conhecimento, vai continuar decepando pernas e braços que poderiam ser, algumas vezes, preservados. A boçalidade ocidental confunde os saberes indígenas com crença absurda, superstição, folclore, exotismo. “Quem não sabe, não vê”, critica o psicólogo uruguaio Nestor Ganduglia, para quem é preciso escutar os índios e seus saberes, abandonando a posição arrogante da cultura ocidental ensinada em nossas escolas, que consideram o saber científico como o ‘único universalmente válido’.

Nesses tempos bicudos de crise identitária, o conhecimento acadêmico ocidental se mostrou incapaz de resolver, sozinho, as necessidades sociais básicas. Por isso – escreve Ganduglia – a busca de novas sínteses entre saberes é uma necessidade urgente. Não se trata, portanto, de ‘estudar a natureza do homem primitivo’, mas de poder reconhecer, a partir de uma postura aberta de aprendizagem, o saber quase clandestinamente oculto nas entrelinhas dos ritos de pajelança e das narrativas populares.

Essa ideia é reforçada pelo antropólogo Roberto da Mata: “Nós estudamos os índios, não porque eles estão desaparecendo ou só para denunciarmos as injustiças que sofrem, mas para realmente aprendermos com eles as lições que não sabemos”. Tal aprendizagem, porém, só é possível, se nos convencemos da nossa ignorância. “Nosso estudo das sociedades tribais deve estar fundado na troca igualitária de experiências humanas e no fato de que podemos realmente aprender a nos civilizar com elas”.

No momento em que escrevo, ignoro o estado de saúde da menina Tukano. De qualquer forma, o tratamento baseado no diálogo respeitoso entre médico e pajé tem dados frutos. No sertão cearense, os índices de mortalidade infantil caíram depois que médicos, rezadeiras e raizeiros trabalharam juntos no programa “Soro, Raízes e Rezas”. Dependendo do caso, ou as 188 rezadeiras encaminhavam o paciente para o posto de saúde, ou o médico receitava uma visita a elas. De 36 óbitos para cada 1.000 nascidos vivos, em 1998, registrou-se apenas 13 em 2003. Vidas podem ser salvas se a gente aprende o caminho da tolerância. Parece tão evidente, não é não?
P.S. – Morreu o líder indígena do Vale do Javari, Edílson Kanamari, conhecido nacionalmente. De hepatite. Perguntem a FUNASA – órgão encarregado da saúde indígena - quem é o responsável pela morte.


Referências

1. Jornal Nacional – 20/01/2009 - Índia mordida por cobra divide médicos e pajés
2. Andreza Andrade. Mordida de cobra mata muito mais no Rio Negro do que no Restante do Brasil. Instituto Sociambiental. ISA. 26/06/2006. In Povos Indígenas no Brasil 2001/2005., pp.272-273
3. Guilherme Piso. História Natural e Médica da Índia Ocidental Coleção de Obras Raras. Rio de Janeiro. Instituto Nacional do Livro. 1957. Traduzida e anotada por Mário Lôbo Leal
4. Soro, raízes e rezas para crianças reduzem mortalidade no Ceará. Gazeta Mercantil. São Paulo, 25/11/2003.


Adaptado da fonte: http://www.taquiprati.com.br/cronica.php?ident=35

sexta-feira, 30 de março de 2012

Lei 11.645/08 e os Povos Indígenas - desafios, diálogos e perspectivas



Observação: para visualizar melhor, segue abaixo, texto extraído do original.

Apresentação

Dialogar para conhecer/reconhecer, construir pontes e ressignificar novas construções/desconstruir percepções. Educar e cuidar do outro para não discriminar, contudo, envolver e desenvolver humanidade, respeito a diversidade - ampliando a noção do relativismo cultural - para etnocivilizarmos diante das semelhanças e dessemelhanças no encontro com o “diferente” de nós (?).

A Lei nº 11.645/08 é um instrumento que pode (RE)construir essas pontes perdidas nas diásporas, nos preconceitos de antes de 1500 e depois de 500 anos – quando uma outra história se inscreve, se apresenta e exige reparações, fortalece afirmações, cidadania.
Professores (as), educadoras (es), suas escolas e práticas formais e não formais de ensino – podem lançar novas sementes, novos olhares e (RE)conhecer esse antigo e novo outro: os povos indígenas, sua história, cultura (sociodiversidade) – que sempre estiveram conosco em suas diversas manifestações - desde ao fazermos uma fogueira, moquearmos o peixe ou carne, nos falares da língua portuguesa, nos nomes comuns aos geográficos, nos olhinhos amendoados, etc.

Que sejam lançadas as sementes de uma nova práxis – não apenas pedagógica, mas também, de (RE)conhecimento, de (RE)encontro com nossas “pertenças ameríndias”, de respeito aos direitos humanos e constitucionais.

LEI 11.645/08

No tocante a esta lei, no ano de 2003, “o Governo Brasileiro sancionou a Lei 10.639/03, que alterou a Lei Federal 9.394 de 20 de dezembro de 1996 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação - LDB). A partir de então nos estabelecimentos de ensino da rede particular e privada tornou-se obrigatório o ensino da História e da Cultura Afro-Brasileira. No dia 1º de março de 2008 foi promulgada a Lei 11.645/08, alterando novamente a LDB. A nova Lei acrescenta ao texto anterior a obrigatoriedade da História e Cultura dos Povos Indígenas do Brasil”.

OUTRAS BASES LEGAIS

- Constituição Federal de 1988: artigos: 210, 215, 231 e 232;
- Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional: artigos: 26, 32, 78 e 79.

Programação

Dia 11/04/12
Horário: 14h00 às17h00
Local; Auditório da Faculdade Dom Pedro II – Comércio – Salvador – BA.

- Lei 11.645/08 e os povos indígenas – desafios, diálogos e perspectivas. Palestrante: Ademario Ribeiro¹

Objetivo geral

Dialogar sobre a importância da lei 11.645/08, sobre os desafios de sua implementação, assim como, sua inserção no currículo escolar.

Realização: SECULT/CENAP/SUPPE/NUPER




¹Ademario Ribeiro é Pedagogo, escritor (poeta, teatrólogo), pesquisador dos povos indígenas, pesquisador voluntário do Grupo de Estudos Comprados: literatura, história e interdisciplinaridade(GRUPEC) e membro do Grupo de Literatura Indígena.


Créditos das imagens:
http://www.turminha.mpf.gov.br/nossa-cultura/dia-do-indio/galeria-de-pinturas-indigenas/
Google imagens
Jornal Porantim, nº 71/72, 1985.