segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Agreste Psicodélico - Paêbirú: Lula Côrtes e Zé Ramalho



Agreste Psicodélico

A trilha em busca das origens de Paêbirú, o disco maldito de Lula Côrtes e Zé Ramalho, hoje o vinil mais caro do Brasil
 
por Por Cristiano Bastos

No dia 29 de dezembro de 1598, os soldados liderados pelo capitão-mor da Paraíba, Feliciano Coelho de Carvalho, encalçavam índios potiguares quando, em meio à caatinga, nas fraldas da Serra da Copaoba (Planalto de Borborema), um imponente registro de ancestralidade pré-histórica se impôs à tropa. Às margens do leito seco do rio Araçoajipe, um enorme monólito revelava, aos estupefatos recrutas, estranhos desenhos esculpidos na rocha cristalina.

O painel rupestre se encontrava nas paredes internas de uma furna (formada pela sobreposição de três rochas), e exibia, em baixo-relevo, caracteres deixados por uma cultura há muito extinta. Os sinais agrupavam-se às representações de espirais, cruzes e círculos talhados, também, na plataforma inferior do abrigo rochoso.

Inquietado com a descoberta, Feliciano ordenou minuciosa medição, mandando copiar todos os caracteres. A ocorrência está descrita em Diálogos das Grandezas do Brasil, obra editada em 1618. O autor, Ambrósio Fernandes Brandão (para quem Feliciano Coelho confiou seu relato), interpretou os símbolos como "figurativos de coisas vindouras". Não se enganara. O padre francês Teodoro de Lucé descobriu, em 1678, no território paraibano, um segundo monólito, ao se dirigir em missão jesuítica para o arraial de Carnoió. Seus relatos foram registrados em Relação de uma Missão do rio São Francisco, escrito pelo frei Martinho de Nantes, em 1706.

Em 1974, quase 400 anos depois da descoberta do capitão-mor da Paraíba, os tais "símbolos de coisas vindouras" regressariam. Dessa vez, no formato e silhueta arredondada de um disco de vinil. A mais ambiciosa e fantástica incursão psicodélica da música brasileira - o LP Paêbirú: Caminho da Montanha do Sol, gravado de outubro a dezembro daquele ano por Lula Côrtes e Zé Ramalho, nos estúdios da gravadora recifense Rozemblit.

Contar a história do álbum, longe da amálgama das pessoas, vertentes sonoras e, especialmente, da chamada Pedra do Ingá que o inspirou, é impossível. Irônico é que o LP original de Paêbirú também tenha se convertido em "achado arqueológico", assim como a pedra, 33 anos depois de seu lançamento. As histórias sobre a produção do disco, como naufragou na enchente que submergiu Recife, em 1975 e, por fim, se salvara, são fascinantes.

A prensagem de Paêbirú foi única: 1.300 cópias. Mil delas, literalmente, foram por água abaixo. A calamidade levou junto a fita master do disco para que a tragédia ficasse quase completa. Milagrosamente a salvos ficaram somente 300 exemplares. Bem conservado, o vinil original de Paêbirú (o selo inglês Mr Bongo o relançou em vinil este ano) está atualmente avaliado em mais de R$ 4 mil. É o álbum mais caro da música brasileira. Desbanca, em parâmetros monetários (e sonoros: é discutível), o "inatingível" Roberto Carlos. O Rei amarga segundo lugar com Louco por Você, primeiro de sua carreira, avaliado na metade do preço do "excêntrico" Paêbirú.

A expedição no rastro dos mistérios e fábulas de Paêbirú se inicia em Olinda (Pernambuco). O artista plástico paraibano Raul Córdula me recebe em seu ateliêr. Na parede do sobrado histórico, uma cobra pictográfica serpenteia no quadro pintado por ele. A insígnia foi decalcada da mesma inscrição que, há milênios, permanece entalhada na Pedra do Ingá.

No mesmo ano de Louco por Você, 1961, o professor de geografia Leon Clerot apresentou o monumento a Córdula. O professor fizera o convite: "Me acompanhe, e verás algo que jamais se esquecerá". Uma década depois, 1972, Raul Córdula se tornou amigo de José Ramalho Neto, o jovem Zé Ramalho da Paraíba. Os conterrâneos se conheceram no bar Asa Branca, que Córdula tinha na capital, João Pessoa: "O único boteco que ficava aberto na Paraíba inteira depois das oito horas da noite, à base de 'mensalão' pago à polícia". O Zé Ramalho compositor, atesta, nascera no Asa Branca.

Córdula quis mostrar a Ramalho "algo que conhecera", e organizou uma ida ao município de Ingá do Bacamarte, localidade conhecida antigamente como Vila do Imperador, por causa da passagem de Dom Pedro II por lá. A localização de Ingá do Bacamarte é a 85 km de João Pessoa, caatinga litorânea, na zona de transição do Agreste para o Sertão. Para "fazer a viagem", Córdula também convidou o artista recifense Lula Côrtes - jovem homem que já vivera muitas aventuras. Mas aquela, proposta por Raul, ainda não.

Nenhuma surpresa foi para o guia o fato de Côrtes e Ramalho ficarem tão maravilhados com a rocha lavrada quanto os expedicionários do capitão-mor da Paraíba. A charada talhada na parede de pedra lançava-lhes o provocante desafio: como decifrariam tais arcanos - nunca compreendidos e tão majestosos - numa música que, se não codificasse, ao menos devesse tributar à remota ancestralidade brasileira? Fora essa a centelha que incendiara as idéias. Acampados na caatinga sertaneja, frente a frente com a Pedra do Ingá, Ramalho e Côrtes se decidiram pela produção de um "álbum conceitual".

O único jeito de conhecer lula Côrtes é ir visitá-lo no seu habitat: o ateliêr em Jaboatão dos Guararapes. "A Pátria Nasceu Aqui", divulga a enorme placa na divisa com a capital, Recife. O apartamento onde mora, pinta e compõe com a atual banda, Má Companhia, tem vista frontal para o Oceano Atlântico.

É no primeiro apertar de mão que Côrtes deixa patente quem é: "espírito indômito". Solta a frase para se pensar: "O mar e eu somos uma coisa só desde menino". Aos 60 anos, sua voz é profunda e roufenha. A cabeça alva, um dia revestida de pretos cabelos mouriscos. E a magra, porém resistente, compleição física remete ao obstinado homem de O Velho e o Mar. Lula tem o velho de Ernst Hemingway, entretanto, como "altruísta demais". Mais impressionado ficou com o nietzscheniano capitão Lobo Harsen, de O Lobo do Mar, romance de Jack London. Os arquétipos marítimos de London, de fato, combinam mais com ele: "Nasci à beira do mar. Ele me despertou para o cumprimento das fantasias. Nele, um dia, cacei baleias", conta, jubiloso.

É esse homem que segue narrando a mais homérica jornada de sua vida, até agora: a concepção do álbum Paêbirú. Guiados pelo parceiro mais velho, Raul Córdula, Zé Ramalho e Lula Côrtes, recém-amigos, logo de cara perceberam a fantástica mística que as inscrições da Pedra do Ingá exerciam sobre a população às cercanias do sítio arqueológico.

Foi por intermédio da arquiteta, hoje cineasta, Kátia Mesel, sua companheira na época, que Lula Côrtes veio a conhecer Zé Ramalho. Junto, o casal abriu o selo Abrakadabra, pioneiro na produção de música independente no Brasil. A "sede" do selo ficava nas dependências de um prédio pertencente ao pai de Kátia, que, nos tempos da escravatura, fora uma senzala de escravos.

Para se mergulhar na saga de produção que foi Paêbirú, é obrigatório antes se falar da simplicidade do instrumental Satwa - o álbum gerido, um ano antes, por Côrtes e o violonista Lailson de Holanda.

É o début do selo Abrakadabra. Lula faz a estréia fonográfica da sua cítara popular marroquina, o tricórdio, instrumento que trouxera da recente viagem ao Marrocos com Kátia. Em Satwa, o violão nordestino de 12 cordas de Lailson dialoga em perfeita legibilidade com o linguajar oriental do tricórdio de Lula. É, provavelmente, o encontro mais fino entre o folk e a psicodelia do qual se tem registro gravado na música brasileira.

Lailson, premiado cartunista, traduz: "Satwa é expressão do sânscrito: quer dizer 'interface e equilíbrio'". Em 2005, a norte-americana gravadora Time-Lag Records reeditou Satwa, a partir da master original. Só o nome, na realidade, foi remodelado: Satwa World Edition. Como previsto, a edição esgotou como mágica.
Após Satwa, Lula tinha aprimorado suas concepções musicais. Achava-se apto para o grande projeto que andara tramando com o parceiro Zé Ramalho desde a visita à "pedra encantada". Não perderam tempo e investiram em sérias pesquisas nas imediações. Eles caçavam a interpretação local, folclórica, mitológica sobre o admirável monólito escrito.

Nas adjacências vivia um grupo de índios cariris. Os músicos foram até eles, atrás da peculiaridade do seu tipo de música. Ouvindo, descobriram que os traços de uma cultura africana tinham se fundido à sonoridade dos indígenas.

Se fundamentado em registros arqueológicos, Zé Ramalho e Lula Côrtes concordaram que, a partir daquele ponto, haveria um caminho, que partia de São Tomé das Letras (onde existem registros da mesma escrita rupestre traçada na Pedra do Ingá) e conduzia até Machu Picchu, no Peru. A trilha que os Cariris chamavam de "Peabirú".

Chegar à mística Pedra do Ingá, hoje em dia, é fácil. Seguindo pela BR 101, no trecho Recife - Paraíba, as condições de tráfego são admissíveis, mesmo sem via duplicada. Pela estrada federal, as pequenas localidades vão se cruzando: Abreu e Lima, Goiana, Itambé, Jupiranga, Itabaiana, Mojeiro. Tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a Pedra do Ingá (Pedra Lavrada, ou Itaticoara) é um dos sítios arqueológicos mais soberbos do mundo. O arqueólogo Vanderley de Britto, da Sociedade Paraibana de Arqueologia, já aguarda, no local, minha chegada.

Segundo ele, as inscrições são originárias de sociedades pré-históricas, nativos anteriores aos encontrados no Brasil pelos europeus. "Certamente, essas gravuras" , diz, apontando o imenso painel de rocha, "são obra de sacerdotes ou pajés. Visavam ritos mágico-religiosos que visavam sortilégios para tribo", Brito explica, com sua proficiência.

Próximo à pedra, sem ter de tocá-la, o arqueólogo continua sua explanação: "As representações registram o canto mágico solfejado pelos sacerdotes nas cerimônias", prega. A pedra, na opinião do arqueólogo, seria, para os nativos, um "meio de comunicação" com os deuses (ou deusas) da natureza. A estimativa da ciência é a de que as gravações já estejam ali por volta de três a seis mil anos. "Datação exata não é possível, porque o monólito está em meio ao riacho", esclarece o professor. Vestígios, por ventura, deixados pelos gravadores, ao cinzelar a pedra, foram arrastados no trespassar das águas do ancião Araçoajipe.

Dinossauros, o arqueólogo também confirma, habitaram a região. A probabilidade - nada prosaica - de me banhar no regato que, num dia qualquer da pré-história um tiranossauro rex sorvera metros cúbicos de água, passa agora de jornalismo a uma aventura que, com prazer, obrigo-me pôr em prática.

A água é morna. A sensação, arrepiante. "Animais de grande porte, como a preguiça e o tatu-gigante, no período mezosóico, habitaram a região: mastodontes, cavalos nativos e outros mega-animais também circulavam por aqui", ele lembra. Submerso na tepidez do plácido regato pré-histórico, um túnel do tempo dentro de minha cabeça fazia a imaginação vagar por mundos arcaicos desaparecidos na vastidão temporal.
De frente para o mar, lula Côrtes gosta de acreditar na epopéia interplanetária narrada em "Trilha de Sumé", a abertura de Paêbirú. "As gravações na Pedra do Ingá foram feitas com raio laser mesmo", afiança o artista, que cantarola a introdução da música, o alinhamento dos planetas: "Mercúrio/Vênus/Terra/Marte/Júpiter/Saturno/Urano/Netuno e Plutão". Os versos seguintes cantam a saga de Sumé, "viajante lunar que desceu num raio laser e, com a barba vermelha, desenhou no peito a Pedra do Ingá".

A cada descoberta que faziam com suas explorações, Côrtes e Ramalho notavam, na variedade de lendas, que todas eram sobre Sumé - entidade mitológica que teria transmitido conhecimentos aos índios antes da chegada dos colonizadores. "Todos os indícios levavam a Sumé. Até as palmeiras da região, por lá, são chamadas de 'sumalenses'", observa Lula.

Para "libertar" os indígenas da crença pagã, os jesuítas pontificaram Sumé como "santidade": virou São Tomé. O que explica, no Nordeste, o fato de muitos lugarejos terem sido batizados de São Tomé. "Aqui é o lugar de São Tomé!", os padres costumavam anunciar, ao chegar numa região nova.

Na Paraíba, resta uma cidade chamada Sumé. "Seja lá quem tenha sido Sumé, o que mais se sabe, no entanto, é que muito andou por essas bandas", brinca Raul Córdula. A despeito da evangelização católica, a memória do Sumé indígena segue viva em todo o Nordeste.

A crença indígena diz que, quando o pacifista Sumé se foi embora, expulso pelos guerreiros tupinambás daquelas terras, deixou uma série de rastros talhados em pedras no meio do caminho. Os índios acreditam que Sumé teria ido de norte a sul, mata adentro, descerrando a milenar trilha "Peabirú" - em tupi-guarani, "O Caminho da Montanha do Sol".

O historiador Eduardo Bueno, que passou anos de sua vida "veraneando" na praia de Naufragados, no sul da ilha de Santa Catarina, conta que tomou conhecimento da trilha lendo a aventura de Aleixo Garcia, o qual, após um tempo vivendo naquela praia, fora informado da existência de uma "estrada indígena" que conduzia até o Peru.

Após muitos verões chuvosos contemplando o lugar de onde o bravo Garcia havia partido em sua jornada épica, Bueno decidiu acompanhá-lo - mas na mente: "Mergulhei em todas as fontes que traziam relatos de sua viagem. Ficção não era. Tais fontes, embora, eventualmente, contraditórias entre si, eram da melhor qualidade". O resumo mais interessante da história, diz, é o que define Peabirú como "um ramal da majestosa Trilha Inca, que ligava Cuzco a Quito e, por sua vez, outra corruptela - de 'Apé Biru'". Em tupi-guarani, Apé significa "caminho", ou "trilha", e Biru é o nome original do Peru. Portanto, Peabirú significaria "Caminho para o Peru".

Havia três inícios principais desse caminho: um, partindo de Cananéia (litoral sul de São Paulo) e, outro, da foz do rio Itapucu, nas proximidades da ilha de São Francisco do Sul (litoral norte de Santa Catarina). Um terceiro saia da Praça da Sé, em São Paulo, seguia pela rua Direita, dava na Praça da República, subia a Consolação, descia a Rebouças, cruzava o Rio Pinheiros e... chegava no Peru. "Fico pensando porque nos roubaram o prazer de desfrutar essa história no colégio", brinca Bueno. "Pensando bem, não foi esse o único prazer que nos roubaram, foi?"

Muitas vezes procurado, Zé Ramalho declarou que "não quer mais falar sobre o assunto Paêbirú" - para ele, encerrado. Em algumas entrevistas, no entanto, coteja Paêbirú à Tropicália. Um dos comentários é sobre o jeito artesanal, "como se costurado à mão", que o álbum foi feito.

Agendo uma "audição comentada" de Paêbirú no ateliêr de Lula Côrtes. Enquanto, pacientemente, pinta o quadro de um farol, vai me explicando como tornaram possível (e viável) a engenhosa gravação do disco. O álbum - duplo - é dividido em quatro lados, de acordo com os elementos Terra, Ar, Fogo e Água.

Em "Terra", o resultado "telúrico" foi conseguido com tambores, flautas em sol e dó, congas e sax alto. "Simulamos, com onomatopéias, 'aves do céu', 'pássaros em vôo' e adicionamos o berimbau, além do tricórdio", ele conta. Contrariando a prática dos "encartes vazios", a gama de instrumentos utilizados está descrita na ficha técnica de Paêbirú.

Efeitos de estúdio, nem pensar: "Só havia as pessoas, vozes e instrumentos", comenta o artista. Certos efeitos, como o rasgar da folha de um coqueiro, por exemplo, muitos pensaram serem eletrônicos.

No lado "Ar", além de "conversas", "risadas" e "suspiros", selecionaram-se harpas e violas sopros para músicas como "Harpa dos Hares", "Não Existe Molhado Igual ao Pranto" e "Omm". Em "Água", as músicas têm fundo sonoro de água corrente. No mesmo lado, cantos africanos, louvações à Iemanjá e a outras entidades representativas do elemento. Na mais dançante, o baião lisérgico "Pedra Templo Animal", Lula Côrtes toca "trompas marinhas". Zé Ramalho pilota o okulelê.

"Fogo", como adverte o nome, é a faceta incendiária de Paêbirú. A mais roqueira também. Entram sons trovejantes: o wha-wha distorcido do tricórdio e a psicopatia do órgão Farfisa em "Nas Paredes da Pedra Encantada". "Raga dos Raios" conserva-se, mais de 30 anos depois, como a melhor peça de guitarra fuzz gravada no rock nacional: "Guitarreira elétrica & nervosa de Dom Tronxo", diz a ficha técnica. Onde andará Dom Tronxo?

O encarte sofisticado de Paêbirú é obra de Kátia Mesel. Além de designer, ela fez a produção executiva do álbum. "São mais de 20 pessoas tocando no disco - basicamente, toda a cena pernambucana e boa parte da paraibana", a cineasta enumera.

O disco só deu certo, na opinião de Kátia, porque foi feito com a alma e a criatividade soltas. "Num estúdio de dois canais, baby? Era o playback do playback do playback! A gente se consolava: 'Se os Stones gravaram na Jamaica em dois canais, por que a gente não?' Em 'Trilha de Sumé', Alceu Valença toca pente com papel celofane. [O disco] tem desses requintes", graceja.

Foi o zelo de Kátia, na realidade, que garantiu o salvamento de 300 cópias de Paêbirú da enchente de 1975. Ela guardara parte da tiragem na Casa de Beberibe, onde o casal morava - o ambiente em que muitas canções foram, gradualmente, tomando forma. "A sorte é que eu tinha deixado os discos no andar de cima. São esses que, atualmente, valem uma fortuna mundo afora", pontua Kátia.

Naquele tempo, Ramalho praticamente morava com o casal na Casa de Beberibe. A concepção gráfica do álbum foi obtida após muitas idas do trio à Pedra do Ingá. Na verdade, um quarteto, já que o irmão de Kátia, o fotógrafo Fred Mesel, seguia junto em algumas viagens. "Eu filmava em Super 8 e Fred tirava fotos da pedra com filme infravermelho", ela conta. A técnica fotográfica explica a tonalidade azul-cítrica da capa e da parte interior de Paêbirú.

Especial atenção foi dada à ficha técnica. No encarte central, fotos de todas as pessoas que participaram das gravações. Um detalhe é que todos os títulos foram montados à mão, um a um, em letra set. A diferença é que, a essa altura, Kátia era mais experiente: além de Satwa, também produzira a arte do único álbum de Marconi Notaro, No Sub Reino dos Metazoá-rios (1973). "Para lançar Paêbirú, criamos o selo Solar", acrescenta.

As substâncias psicodélicas, obviamente, foram muito importantes durante o processo de composição. Para Lula Côrtes, no entanto, só de estar perto da Pedra do Ingá, é possível sentir o xamanismo emanando do monumento rochoso: "Comíamos cogumelos mais como 'licença poé-tica mental'", justifica o artista.

Crosby, Stills and Nash, T-Rex, Captain Beefheart, Grand Funk Railroad e The Byrds eram as bandas mais ouvidas pelo grupo na época. Em meados da década de 1970, a maquiagem do glitter rock já estava borrada e, nos Estados Unidos, a semente punk aflorava nos buracos sujos de Nova York. A disco music ensaiava os primeiros passos de dança. Psicodelia, no mundo, era coisa ultrapassada: encapsulara-se nos remotos anos 60.

Zé da Flauta tinha 18 anos quando conheceu Lula e Kátia. No auge da repressão, a Casa de Beberibe era o templo da liberdade e da contracultura. "Aprendi muito sobre arte. Lá se conversava sobre tudo, inclusive se fumava muita maconha", confirma Zé. Ele tocou sax na vigorosa "Nas Paredes da Pedra Encantada". "Jamais me esquecerei, aliás: foi a primeira vez que entrei num estúdio e gravei profissionalmente como músico."

Outro que teve "participação relâmpago" foi o paraibano Hugo Leão, o Huguinho. Ele vinha das bandas The Gentlemen e os Quatro Loucos, nas quais Zé Ramalho tocava guitarra. Ramalho o chamou para participar como tecladista do "ousado projeto". Sua atuação ficou imortalizada no disco. São dele os riffs de órgão Farfisa em "Nas Paredes..."

Para assumir a bateria, Ramalho recrutou Carmelo Guedes, outro parceiro seu nos Gentlemen. A mágica, lembra Huguinho, começou logo que entraram no estúdio. As bases foram criadas na hora, como num susto: "Cravei um tom maior: Mi! O sonho começara. Os segredos da Pedra do Ingá, finalmente, pareciam que seriam desvendados. A guinada sonora ainda ecoa pelo espaço", acredita.

Em minha jornada, sigo para a capital paraibana. Em João Pessoa, Telma Ramalho, a prima mais jovem de Zé Ramalho, diz não esquecer uma passagem da pré-adolescência: a mãe, Teresinha de Jesus Ramalho Pordeus, professora de História, conversava com o sobrinho em seu escritório: "Zé contava a ela como se desenrolavam as gravações de Paêbirú".Uma lembrança viva é ter ouvido o disco aos 12 anos: "Não entendi nada. Só lembro de 'Pedra Templo Animal' e 'Trilha de Sumé', as mais pop", diverte-se.

Outra memória é ter apresentado uma réplica da Pedra do Ingá na feira de ciências do colégio. A trilha sonora foi Paêbirú. "Levei a vitrolinha e botei para rodar." Telma faz a contundente revelação: "Tive caixas de Paêbirú em casa. Uma verdadeira fortuna cultural e financeira".

Para Cristhian Ramalho, filho de Zé Ramalho e afilhado de Lula Côrtes, Paêbirú também tem significação especial: "Meu pai me levava à Pedra do Ingá quando criança. Ele ia para achar inspiração". Sem dúvida, diz Cristhian, Paêbirú e a Pedra ainda exercem influência sobre a sua obra. "Em 1975, ele escreveu uma poesia muito bonita, que diz: 'Venho de uma dessas pedras rolantes'. Houve, por parte dele, grande misticismo envolvido na minha chegada", conta, orgulhoso, o filho.

Uma das pessoas que, na época do lançamento, compraram o álbum foi a arquiteta Terêsa Pimentel. Aos 14 anos, em 1974, ela não sabia ao certo o que procurava na sua vida. Apesar disso, sabia "o que não queria". "Ouvíamos os locais: Ave Sangria, Marconi Notaro, Flaviola & O Bando do Sol, Aristides Guimarães, o 'udigrudi' nordestino. Vendi minha bicicleta Caloi verde-água para comprar Paêbirú. Hoje, sou feliz por ter vendido a bicicleta e ter adolescido naquela atmosfera", conta. Terêsa é irmã do músico Lenine, ao qual Lula Côrtes presenteou com sua última cópia de Paêbirú, há alguns anos. "Para tirar uns samplers", diz Lula.

De Jaboatão dos Guararapes, eu e Lula seguimos para a casa de Alceu Valença, no centro histórico de Olinda. Lula bate à porta do casarão. Festa quando Valença cruza o amplo saguão para saudar Lula, velho parceiro em Molhado de Suor, um dos seus primeiros discos.

"A gente tocou em 'Danado para Catende', que depois virou 'Trem de Catende'", Alceu conta. "Até então Lula só compunha, mas não cantava. Fiz a cabeça do pessoal da Ariola: 'O cara é o máximo!' Na gravadora, ninguém tinha a menor idéia de quem era o cara, muito menos que fizera algo como Paêbirú."

Souberam, no entanto, quando o álbum Gosto Novo da Vida, de Lula Côrtes, foi premiado como "a melhor venda do ano da gravadora Ariola", em 1981. Em três meses, vendeu 32 mil cópias. Depois, teve sua reedição emperrada por causa de um processo movido pela Rozemblit, que alegava plágio em uma música.
"Foi o primeiro artista que vi fumar no palco, no Teatro João Alcântara", diz Alceu.

Ambos riem. Lula acende um cigarro.

"Participei de Paêbirú. Dei uns gritos lá", resume Alceu.

"Foi na reza de 'Não Existe Molhado Igual ao Pranto'", Lula emenda.

"O estúdio da Rozemblit tinha acústica maravilhosa. Era o ambiente mais natural possível: cheguei e fui me deitando num canto. A banda tocava. Sonolento, me espreguicei: 'Ommmmmmmm...'."

"Foi como num mantra. Quando Alceu começou, todo mundo veio atrás e não parou mais", conclui Lula.
É nessa tradição do "livre espírito" que Paêbirú foi realizado. No texto homônimo - uma raridade datilografada só encontrada no interior dos LPs sobreviventes da cheia e escrito depois da ingestão de cogumelos colhidos no meio do caminho -, Lula Côrtes nos dá uma última idéia da grande aventura que foi Paêbirú: "Nós caçávamos o passado, e os corações se encheram de esperança com aquela visão. O caminho que havíamos abandonado mais atrás era o das Pedra de Fogo, outro pequeno aglomerado quase sem nenhuma chance de vida. A água é muito escassa. Conversávamos sobre as pedras. E ao longo, no horizonte, o lombo prateado da Borborema desenha curvas leves, demonstrativas de sua imensa idade. Os nativos tinham mapas nos rostos, o sol lhes rachou os lábios como racha a terra, as pedras duras e afiadas que dificultavam a caminhada lhes endureceu o riso. A informação parecia estar correta. Achamos o regato e acompanhamos o sentido. A água era clara e bastante salgada. A irrealidade se apossava cada vez mais dos nossos corpos e mentes, e toda a lenda que nos havia enchido os ouvidos, até aquele dia, parecia florar de tudo."

Fonte: http://rollingstone.uol.com.br/edicao/24/agreste-psicodelico

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

KUDURO no Desfile da Diversidade no 7 de Setembro


Noção de diversidade e sua valorização 

Muito se fala sobre a diversidade. Uma abordagem pedagógica comprometida com seu tempo deve levar adiante essa noção a fim de construirmos o respeito a ela e valorizá-la. Isso ocorrendo, muitas intolerâncias perderão terreno!  Esse ano o temário da Educação em Simões Filho está sob seu signo e significado. Nesse Desfile Cívico de 7 de Setembro, assistimos as escolas e entidades apresentarem centenas de formatos e exposições artísticosculturais de como pensam a diversidade. Foi possível ver nos rostos ou em gestos que estamos provocando reações as mais diversas do que somos e de como são os outros – diferentes de nós – ou de como os vemos diferentes. Somos iguais e diferentes. Contudo, não sejamos indiferentes com os outros.


Nesse contexto, é preciso considerar que vamos aprendendo aos poucos. Não resolveremos as dívidas e danos causados pela intolerância em um desfile e em obra alguma. Entretanto, não vamos cruzar os braços. Não vamos tapar o sol com a peneira e afirmarmos que somos uma democracia racial, uma sociedade justa e igualitária, etc.


Considerando todos os formatos culturais nos quais nos reconhecemos ou passamos a conhecer – surgiu entre esses “a batida de Luanda”: Kuduro! A populaça foi ao “delírio”. Vibrou, gritou, sorriu, dançou – se reconhecendo culturalmente no lúdico maneirismo, requebros e gingas de Álvaro Di Amaro – DJ Panafricano, como é chamado por uma de suas muitas habilidades artísticas – e os da sua Trupe – crianças e jovens da Escola Estadual Berlindo Mamede de Oliveira, localizada na localidade de Ponto de Parada em Simões Filho (BA). Um destaque para a apresentação do Kuduro foi a participação de membros da Secretaria Municipal de Cultura que mostraram com graça e alegria o que estão aprendendo com mestre Álvaro em alguns minutinhos após o expediente ao final da tarde.







Entre as autoridades presentes, o prefeito Dr. Eduardo Alencar, demonstrou bastante satisfação com o Kuduro. Os secretários de Cultura, Jorge Salles e de Educação, Verônica Anatólio não se cabiam de tanto contentamento ao assistirem ao desfile.

Pequeno histórico


Na década de 90 em Luanda, capital de Angola surgia o Kuduro, que traduzido da língua Kimbundo para o português significa “bunda dura”, um misto de música e dança. “... uma fusão de influências que vão do Semba angolano ao Zouk congolês, ao Soca das Caraíbas, ou ao Techno, Hip-Hop e o House Music americanos...”. 





Outros movimentos são associados a essa dança angolana, tais como o Break-dance e o Popping com performances em grupo e ou individuais, quando e onde “muito prima-se a individualidade onde cada um representa uma ação própria, com forte uso de expressão facial”...

Ação-Reflexão-Ação...

Como abordar a diversidade dentro e fora das salas de aula? Como as escolas devem tratar esse tema tão urgente? Como preparar os professores para essa abordagem? Já pensou levarmos esse debate para as instituições, para as famílias, para o bate-papo em qualquer lugar - um bar, uma pescaria, um ponto de ônibus, nas igrejas, no ambiente de trabalho, etc.?! O que isso poderia impactar as nossas vidas?!

Podemos pensar nisso. Precisamos agir. Já. Já estamos vendo, sabendo, vivenciando intolerâncias intoleráveis!!!

Viva a DIVERSIDADE!!!
Viva a CULTURA!!!
Viva a EDUACAÇÃO!!!
Que viva a HUMANIDADE COM HUMANIDADE!!!

Fonte: http://www.buala.org/pt/palcos/kuduro-a-batida-de-luanda

Programação oficial da I Jornada Literária do Vale Histórico


terça-feira, 10 de setembro de 2013

MOÇÃO DE APOIO AOS POVOS INDÍGENAS

      

MOÇÃO DE APOIO DA SOCIEDADE DE ARQUEOLOGIA BRASILEIRA AOS POVOS INDÍGENAS NO BRASIL

Aos 28 de agosto de 2013, durante o XVII Congresso da Sociedade de Arqueologia Brasileira, realizado na cidade de Aracaju, Sergipe, arqueólogos e arqueólogas de todo o Brasil se reuniram com representantes dos povos indígenas Xokleng (Nanblá Gakran e Carl Gakran), Guarani Mbyá (Cirilo Morinico e Jorge Veramirim), Kaiowá (Tonico Benites) e Tupinambá (Awamirim Tupinambá) durante o Fórum de Discussão Empreendimentos Econômicos e Populações Indígenas. Os participantes do Fórum relataram várias ofensivas, históricas e atuais, contra os direitos dos povos indígenas no Brasil, conduzidas por projetos públicos e privados de desenvolvimento econômico, tais como: barragens de contenção no rio Itajaí (Santa Catarina), duplicação da rodovia BR 116 (Rio Grande do Sul), exploração turística da Missão Jesuítica de São Miguel (Rio Grande do Sul), agronegócio (Mato Grosso do Sul); e projeto imobiliário na Terra Indígena Santuário dos Pajés (Brasília-DF), dentre outros.

     Diante desta realidade, nós, arqueólogos e arqueólogas reunidos na Assembleia Geral da SAB, manifestamos publicamente nossa solidariedade às legítimas reivindicações do movimento indígena no Brasil, expressas pelas seguintes organizações: APIB (Articulação dos Povos Indígenas no Brasil) e diversas organizações regionais como a COIAB (Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira), FOIRN (Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro), APOINME (Articulação dos Povos Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo), ARPINSUL (Articulação dos Povos Indígenas do Sul), ATY GUASSU (Grande Assembleia do povo Guarani e Kaiowá), ARPINSUDESTE (Articulação dos Povos Indígenas do Sudeste) e ARPIPAN (Articulação dos Povos Indígenas do Pantanal e Região), dentre outras.
Dessa forma, com esta moção apoiamos:
      • a IMEDIATA adequação da legislação ambiental e patrimonial à Convenção 169 da OIT, da qual o Brasil é signatário;
      • a IMEDIATA regularização de todas as terras indígenas do Brasil;
      • o IMEDIATO arquivamento da PEC 215, PEC 227 e PL 1610, bem como a manutenção na íntegra dos artigos 231 e 232 da Constituição Federal de 1988;
      • a GARANTIA do direito diferenciado à saúde e educação;
      • a INVESTIGAÇÃO e PUNIÇÃO dos autores dos homicídios de indígenas; e
      • a IMEDIATA implementação de cotas étnico-raciais nas universidades públicas federais e estaduais, tanto na graduação quanto na pós-graduação, e no serviço público em geral.
Aracaju, 29 de agosto de 2013
                                
                                            Assembleia Geral da Sociedade de Arqueologia Brasileira (SAB)

Fonte: XVII Congresso da SAB: http://www.xviicongresso.sabnet.com.br/

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Região Metropolitana de Salvador encerra Conferências Territoriais de Cultura em 2013

A etapa territorial das Conferências de Cultura 2013 encerra suas atividades em evento que acontecerá em Camaçari, nos dias 8 e 9 de setembro, depois de ser realizada por toda a Bahia ao longo do último mês. A cidade sediará os debates sobre cultura no território de identidade Região Metropolitana de Salvador que inclui, além da capital baiana e da localidade anfitriã, outros nove municípios: Candeias, Dias D’Ávila, Itaparica, Lauro de Freitas, Madre de Deus, Salinas da Margarida, Simões Filho, Vera Cruz.

A Conferência Territorial de Cultura da Região Metropolitana de Salvador apresentará ao público todas as ações e investimentos feitos pela Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA) que atenderam às demandas de Conferências precedentes, no referido território de identidade. Além disso, o evento elegerá delegados para as conferências Setoriais e Estadual.

Desde 6 de agosto, data da realização da primeira Conferência Territorial de Cultura 2013 – que aconteceu no território de identidade Portal do Sertão, em Irará -, grupos formados por dirigentes, assessores, coordenadores e representantes territoriais da SecultBA percorrem 26 territórios de identidade da Bahia. O evento da Região Metropolitana de Salvador, em Camaçari, será, portanto, o 27º e último a debater a cultura e políticas públicas culturais. Todas as informações sobre os encontros podem ser acessadas aqui no blog.

Sobre o Território Região Metropolitana de Salvador e o município de Camaçari, sede da sua Conferência Territorial:

Camaçari, localizada a apenas 41 km de Salvador e com uma população de 268 mil habitantes, possui o segundo maior PIB da Bahia, de R$ 10 bilhões, atrás apenas do da capital do estado. É conhecida como “Cidade Industrial”, pois abriga muitas empresas do Polo Industrial, não só químicas e petroquímicas, mas também de outros ramos da indústria de celulose, borracha, metalurgia do cobre, fertilizantes, têxtil, energia eólica, bebidas e serviços. Fazem parte de Camaçari as localidades de Busca Vida, Abrantes, Jauá, Arembepe, Jacuípe, Guarajuba e Itacimirim, repletos de atrativos turísticos com suas belas praias, dunas, manguezais, restingas, mata ciliar, mata atlântica. Em Camaçari, acontece a tradicional festa do Boi Janeiro de Parafuso, a mais antiga da cidade. O evento é celebrado com apresentações de dança e de música. Existe também o Boi Mirim de Parafuso, criada como uma forma de não deixar a tradição do Boi Janeiro de Parafuso acabar, pois reúne crianças que imitam as personagens do tradicional festejo.

Serviço:
O quê: Conferências Territoriais de Cultura de Região Metropolitana de Salvador
Quando: 08 (18h às 20h30) e 09 de setembro (08h às 18h)
Onde: Região Metropolitana de Salvador – Camaçari: Cidade do Saber, Rua do Telégrafo, S/N, Bairro do Natal.

As Conferências são abertas ao público.

Fonte: http://www.cultura.ba.gov.br/2013/09/03/camacari-encerra-conferencias-territoriais-de-cultura-em-2013/

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

FilteBahia traz espetáculos inéditos e promove discussões sobre Stanislávski

FilteBahia traz espetáculos inéditos e promove discussões sobre Stanislávski


O Festival Latino-Americano de Teatro da Bahia será realizado em Salvador, Camaçari, Ilhéus e Lauro de Freitas


    Editoria de Cultura & Comportamento
(agenda@portalibahia.com.br)
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FilteBahia movimenta cenário cultural baiano 
Em sua sexta edição, o Festival Latino-Amercino de Teatro da Bahia (FilteBahia) acontece de 30 de agosto a 08 de setembro, em Salvador, Lauro de Freitas, Camaçari e Ilhéus. Neste ano, serão 19 espetáculos e 35 apresentações de grupos locais. A 2ª Mostra Internacional de Teatro Baiano e Colóquio em homenagem aos 150 anos de Stanislávski integram a programação. Os ingressos para assistir aos espetáculos custam R$10 (inteira) e R$5 (meia). O acesso é gratuito para as palestras, debates e oficina.

Veja também:Inscrições abertas para 3ª edição da Temporada Verão CênicoO iBahia já viu! Conheça o mundo encantado do 'Disney Live!', que chega a Salvador no dia 28
Artistas da Angola, Argentina, Chile, Colômbia, Cuba, Equador, Espanha, México e Rússia participam do evento, que ainda conta os grupos de São Paulo, Ceará e Brasília, além das atrações locais, como A Outra Companhia e Cia do Meu Tio, que integram a 2ª Mostra Internacional de Teatro Baiano.

O FilteBahia tem por objetivo promover as artes cênicas latino-americanas, valorizar o trabalho de pesquisa de grupos e artistas, e possibilitar o intercâmbio da produção local, nacional e internacional. Além das apresentações, o festival promove o Colóquio Internacional A Herança de Stanislavski com importantes representantes do Teatro de Arte de Moscou.

Em Salvador, os espetáculos, palestras, debates e oficinas vão acontecer nos Teatros Vila Velha, Castro Alves, Martim Gonçalves, SESI Rio Vermelho, ICBA, ACBEU, Molière, Museu Rodin e Sankofa African Bar. A direção do evento fica por conta de Luis Alonso e Rafael Magalhães.

Confira programação:






Treinamento de ator segundo o sistema Satinslávski
Ministrante - Sergey Zemtsov
Data - de 02 a 05 de setembro, das 14 às 19 horas
Vagas - 20
Inscrições - www.filte.com.br

Conferência: Stanislávski e o teatro contemporâneo
Palestrante - Vidmantas Silyunas (Rússia) 
Data – 02 de setembro, às 9h
Local - Teatro Martim Gonçalves
Obs.: Tradução simultânea


Conversando com Cacá Carvalho (Brasil)Data – 02 de setembro, às 10h30
Local - Teatro Martim Gonçalves

Conferência: A vida e o destino das ideias teatrais de StanislávskiPalestrante - Natalia Pivovarova (Rússia)
Data – 03 de setembro, às 09h
Local - Teatro Martim Gonçalves
Obs.: Tradução simultânea

Conferência - Pelo prisma de recepção: traduções e estudos da herança artística de Stanislávski no Brasil
Palestrante - Elena Vássina (Rússia-Brasil)
Data -  03 de setembro, às 10h30
Local - Teatro Martim Gonçalves
Obs.: Tradução simultânea

Conferência: O sistema de Stanislávski na pedagogia teatralPalestrante - Sergey Zemtsov
Data – 04 de setembro, às 09h
Local - Teatro Martim Gonçalves
Obs.: Tradução simultânea

Conferência: O teatro como jogo Palestrante - Alejandro González Puche (Colômbia)
Data – 04 de setembro, às 10h30
Local - Teatro Martim Gonçalves
Obs.: Tradução simultânea

Conferencia: O compromisso artístico e ético proposto por Stanislávski em seu sistema para o profissional de teatroPalestrante - Nair D’Agostini (Brasil)
Data – 04 de setembro, às 14h
Local - Teatro Martim Gonçalves

Conferencia: Stanislávski encenador Palestrante - Adolf Shapiro (Rússia)
Data – 05 de setembro, às 09h
Local - Teatro Martim Gonçalves
Obs.: Tradução simultânea

Conferência: A influência de Stanislavski no Teatro Brasileiro, via teatro de grupoPalestrante  - Cibele Forjaz
Data – 05 de setembro, às 10h30
Local - Teatro Martim Gonçalves

Conferência: As novas circunstâncias: Stanislávski no cruzamento de fronteirasPalestrante -  Lucia Romano
Data – 05 de setembro, às 11h30
Local - Teatro Martim Gonçalves
O Homem com a Flor na Boca  - Trilogia Pirandello (Brasil/Itália)Solo de Cacá Carvalho
Data - 30 de agosto, às 20h
Local - Teatro Vila Velha
Classificação indicativa – 18 anos
A Poltrona Escura - Trilogia Pirandello (Brasil/Itália)Solo de Cacá Carvalho
Data - 31 de agosto, às 21h30
Local - Teatro Vila Velha
Classificação indicativa – 18 anos
Instrucciones para abrazar el aire - Grupo Malayerba (Equador)Data - 31 de agosto, às 20h, e 1º de setembro, às 18h
Local - Teatro Martim Gonçalves
Classificação indicativa – 18 anos
Legendado

O Quinto Criador: O Público (BA)Experimento com Cristiane Barreto
Data – 31 de agosto e 1º de setembro, às 18h
Local - Cabaré dos Novos
Classificação indicativa - 14 anos

Umnemhumcemmil - Trilogia Pirandelo  (Brasil/Itália)Solo de Cacá Carvalho
Data – 1º de setembro, às 20h
Local - Teatro Vila Velha
Classificação indicativa - 18 anos

Cem gramas de dentes  - Cia Azul Celeste (SP)Data – 02 e 03 de setembro, às 20h
Local -  ICBA - Goethe Institut
Classificação indicativa -  18 anos

Pais e Filhos - Mundana Companhia (SP)Data – 03 de setembro, às 16h e 20h
Local - Teatro Vila Velha
Classificação indicativa - 18 anos

Performance: Mapa de Recuperación (México)
Performer: Lorena Wolffer
Data – 04 e 05 de setembro, às 19h
Local - Cabaré dos Novos
Classificação indicativa - 18 anos

Otelo - Cia. Viaje Inmóvil (Chile) 
Data – 05 e 06 de setembro, às 19h
Local - Teatro Molière
Classificação indicativa - 18 anos
Legendado

Leonce e Lena - Teatro Máquina (CE)Data -  06 de setembro, às 21h
Local - Teatro Vila Velha

Cru - Cia. Plágio de Teatro (Brasília)Data – 07 e 08 de setembro, às 19h
Local - Teatro Martim Gonçalves
Classificação indicativa - 16 anos

Repeter – Teatro Máquina (CE)Data – 07 e 08 de setembro, às 21h
Local - Teatro Vila Velha

João Botão – Teatro Máquina (CE)Data – 08 de setembro, às 16h
Local - Teatro Vila Velha


O Sapato do meu Tio - Cia do Meu Tio (BA)Data – 1º e 02 de setembro, às 16h
Local - Teatro Molière – Aliança Francesa

O Sapato do meu Tio - Cia do Meu Tio (BA)
Data – 07 de setembro, às 20h
Local – Tenda do Teatro Popular de Ilhéus

Amêsa (Brasil/Angola)Solo de Heloisa Jorge
Data – 02 e 03 de setembro, Às 20h
Local – SESI Rio Vermelho

Amêsa (Brasil/Angola)Solo de Heloisa Jorge
Data – 1º de setembro, às 20h
Local – Centro de Cultura (Lauro de Freitas)

Namíbia, Não! (BA)
Data – de 03 a 05 de setembro, às 20h
Local - Teatro do ACBEU
Classificação indicativa - 18 anos

Remendo Remendó - A Outra Companhia (BA)
Data – 03 e 04 de setembro, às 16h
Local - Palacete das Artes Rodin Bahia

Remendo Remendó - A Outra Companhia (BA)Data – 02 de setembro, às 14h
Local - Teatro Casa do Saber (Camaçari)

Performance: Das Tripas Coração (BA)Performer: Roberta Nascimento
Datas – 04 e 05 de setembro, às 18h
Local - Cabaré dos Novos
Classificação indicativa - 16 anos

Performance: Das Tripas Coração (BA)Performer: Roberta Nascimento
Data -  1º de setembro, às 19h
Local – Centro de Cultura (Lauro de Freitas)
Classificação indicativa - 16 anos

Siré Obá – A Festa do Rei / Núcleo Afro-Brasileiro de Teatro (NATA) - Alagoinhas (BA)Data – 04 e 05 de setembro, às 20h
Local - Sala do Coro - TCA

Siré Obá – A Festa do Rei / Núcleo Afro-Brasileiro de Teatro (NATA) - Alagoinhas (BA)
Data – 08 de setembro, às 20h
Local – Tenda do Teatro Popular de Ilhéus

A Conferência  - Oco Teatro Laboratório (BA)
Data -  05 de setembro, às 21h
Local - Teatro Vila Velha
Classificação indicativa - 18 anos

Qualquer coisa a gente inventa - Solo de Meran Vargens (BA)Data – 06 e 07 de setembro, às 19h e 16h, respectivamente
Local - Cabaré dos Novos

Sexta edição do Festival Latino Americano de Teatro da Bahia (FilteBahia)Data - 30 de agosto a 8 de setembro de 2013
Valor - Espetáculos: R$ 10 (inteira) e R$5 (meia); Oficina, palestra e debates: Gratuito
 
Informações - www.filte.com.br 
Fonte:  http://www.ibahia.com/detalhe/noticia/filtebahia-traz-espetaculos-ineditos-e-promove-discussoes-sobre-stanislavski/?cHash=cc4613345b1fb5b3d53759902474adf5

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Alabê Ôni na Mostra Sonora Brasil numa noite memorável em Salvador

In memoriam ao Rei de Congo - em virtude de sua visão - como reza a lenda - farei aqui algumas referências a pássaros. Porque: Richard Serraria, Mimmo Ferreira, Pingo Borel, Kako Xavier, Álvaro Di Amaro e Mateus Aleluia - são pássaros com sua simbiose de músicos, tocadores, menestréis, poetas, pesquisadores, etc. etc.
Primeiro voo – do encontro de pássaros
Foi mesmo uma noite de encontros e reencontros de raízes e artistas entre si e com o público. A turma que me acompanhava formada por colegas da Secretaria Municipal de Cultura de Simões Filho e de  artistas, foi gentilmente recepcionada por funcionários do Teatro do SESC-SENAC e, particularmente, pela Poliana Bicalho – produtora cultural desta instituição.

O Grupo Alabê de Ôni acolhe o Álvaro Di Amaro e juntos conversaram sobre seus legados e semelhanças, amizades – inclusive, com os griôs Shiley Amaro, mãe do Álvaro, Dilermando Martins e dentre outros – sobre o saudoso mestre Batista.
Na culminância do show os “nobres tamboreiros”, como eles traduzem do yorubá a expressão “Alabê Ôni”, convidam-no ao palco e este, o Álvaro, como um pássaro entre pássaros - como profetizou e sorriu o Rei do Congo, alçou seu voo e juntos voaram com seus tambores sob a reinado do Grande Tambor: o Tambor de Sopapo. Quanto ao Álvaro, sim, ele tocou como seu tambor de sopapo montado pelo mestre Batista numa oficina aqui em Salvador!

Segundo voo – do reencontro e da ternura
Nesta noite tive mais uma grata alegria ao reencontrar com o mestre Mateus Aleluia, compositor e cantor - com habituais simpatia e generosidade, fraternal e terna – que nos confortam – afinal, sermos acolhidos com humanidade, com serenidade e civilidade - tem sido tornado primazia. Isso, de fato – para mim, é que é fidalguia, nobreza. Podemos sim, distribuir ternura e se possível, sermos retroalimentados. Reencontrei também, a estimada companheira ambientalista, Tereza Brandão, bióloga do COA – Centro de Observação de Aves e do Movimento Popular de Canudos, que nesse outubro faz trinta anos. Uma bandeira do Padre Enock, Fábio Paes, Xangai, Roze, Dércio Marques (que partiu sem combinar!), Elomar e tantos outros menestréis, poetas, historiadores, pesquisadores.

Terceiro voo – do acolhimento e programação
Como afirmamos acima, a Poliana Bicalho foi uma anfitriã que em nome do SESC-SENAC recepcionou a todos com fundamental conhecimento acerca da obra monumental que esta instituição desenvolve no país, com ênfase para o Projeto de Mostra Sonora Brasil – Formação de ouvintes musicais, e, destacou sobre os grupos que que se apresentaram ao longo do mês de julho, 27 – Raízes do Bolão (Amapá), 29 – Raízes do Samba de Tócos (Bahia), 30 – Samba de Cacete de Vacaria (Pará), 31 – Alabê Ôni (Rio Grande do Sul).

Quarto voo – o voo que tem que continuar a bater asas
Em nós, enquanto artistas, educadores, produtores, sonhadores e também gestores públicos –cresce fundo e cada vez mais a responsabilidade e necessidade urgente de que artistas e grupos culturais como os mencionados acima -, possam criar sem tantos obstáculos e sacrifícios suas obras e que elas possam ser visibilizadas, circuladas pelo Brasil afora com dignidade e que ao povo compartilhemos a sua fruição, degustação, absorção, audição, aquisição, etc.

Como dissemos na postagem anterior -, foi mesmo uma noite de celebração! Que fique o tambor da nossa consciência e ação a percutir na Memória da Cultura Brasileira, brasileiramente multicultural, linda lindíssima!
Este voo é urgente que alimentemos mais o seu bater de asas.
Viva a Cultura!!!
Viva a Cultura Popular!!!