quinta-feira, 29 de março de 2012

Boa notícia política na Bahia contra a baixaria




Pouca saúde e muita saúva... Se os males no Brasil são tantos... Se o Brasil não é um país sério... Se somos um país do FEBEAPÁ... Se aqui não tem jeito... Se somos um povo é sem memória... Se o mal vence sempre... Se o Brasil não tem mais jeito... Se tudo aqui vira em pizza... Se... se... à parte -, essa notícia merece ser disseminada pelo Brasil afora!

Havemos AINDA de nos manter bem atentos e atuantes em nossa cidadania porque há MUITO o que se fazer!!!
Leia abaixo, por favor o que deu no Jornal A Tarde (da Bahia!).

Assembleia aprova por 43 votos contra 9 a lei antibaixaria

Regina Bochicchio

Lucio Tavora /Agência A Tarde


Deputados Luiza Maia, autora do projeto, e Sargento Isidoro comemoraram resultado


Sob aplausos das mulheres que tomaram as galerias da Assembleia Legislativa, o projeto da deputada Luiza Maia (PT), conhecido como Lei Antibaixaria, foi aprovado, na noite desta terça-feira, 27, por 43 votos a nove, após ter o texto reescrito pelo deputado-relator João Bonfim (PDT), que manteve, no substitutivo, porém, a essência da proposta.

Ou seja: o Estado agora não poderá destinar "recursos públicos para contratação de artistas que, no objeto do contrato de show, apresentem músicas que desvalorizem, incentivem a violência ou exponham as mulheres a situações de constrangimento". No lastro, Bonfim acrescentou a proibição a manifestações de homofobia ou discriminação racial e apologia de drogas ilícitas. A lei segue para sanção do governador Jaques Wagner (PT).

Uma emenda do deputado Paulo Azi (DEM) foi acatada: a supressão, no texto, de “danças e coreografias” de cunho depreciativo à mulher, que originalmente eram vedadas. Quer dizer: está liberada a dança no palco. Apesar da satisfação de ver o resultado positivo de sua empreitada, Luiza Maia não gostou do detalhe: “O argumento deles é o de que se não toca a música, não tem a dança. Não é bem assim, fica restrito”, disse.

A lei obriga a inclusão, em contrato, de cláusula para cumprimento da proibição por contratante e contratado. Se o contratante descumprir paga multa de R$ 10 mil. Se o contratado, ou seja, a banda, tocar a música considerada imprópria, a multa equivalerá a 50% do valor do cachê previsto no contrato.

Cruzada - A deputada, agora, dará início à segunda etapa de seu plano: a “Cruzada Antibaixaria” que, segundo ela, se traduz na visita a prefeitos, prefeitas e vereadoras da Bahia para convencê-los a aprovar lei com mesmo teor. Para ser considerada constitucional o relator restringiu a vedação a recursos “estaduais”. Dinheiro da Prefeitura, portanto, pode ser usado para pagar bandas que toquem músicas depreciativas. Outra brecha: não está claro de que forma e qual o orgão ou agente responsável por fazer cumprir a lei qual a penalidade no caso de eventual descumprimento.

Fonte: Jornal Atarde, 27/03/2012 às 23:01

segunda-feira, 26 de março de 2012

O Canário nas minas de carvão e a igualdade civil-moral

O CANÁRIO NAS MINAS DE CARVÃO
José Ribamar Bessa Freire
25/03/2012 - Diário do Amazonas

O canário está ferido. Suas plumas estão tintas de sangue. Ele foi atingido nesta quarta-feira, 21 de março, pelos disparos feitos por trinta e oito deputados que aprovaram, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, um relatório destinado a mudar a atual Constituição Federal do Brasil. A mudança proposta redefine as terras indígenas, quilombolas e ambientais, num retrocesso histórico que, se for confirmado por três quintos dos parlamentares, condena o canarinho à morte.

A imagem do canário é do antropólogo Eduardo Viveiros de Castro. Ele conta que nas minas de carvão do Reino Unido, os mineiros tinham o costume, até 1986, de levar com eles, para dentro dos socavões, um canário em uma gaiola. O bichinho, muito mais sensível que os humanos aos gases tóxicos acumulados dentro dos túneis, começa a agonizar quando o ar fica envenenado. Sua morte é um sinal para os mineiros, um "aviso" de que devem evacuar as galerias. "Canary in the coal mine" - canário na mina de carvão - virou expressão que indica perigo iminente.

Dessa forma, os mineiros usavam o canário como um "indicador ecológico" toda vez que iam cavar os "ossos da terra" - é assim que os Yanomami chamam os metais extraídos das jazidas.

Viveiros de Castro considera que os índios, bem à sua revelia, são os nossos canários sociológicos ou socioambientais. A agonia dos índios é um "aviso", anunciando que a sociedade envolvente está podre, na iminência de falir, do ponto de vista ecológico e sociopolítico. E acontece que, no Brasil, se essa emenda passar, o ar vai ficar irrespirável. Só que, ao contrário dos mineiros, nós não temos para onde nos picar. O nosso destino está amarrado ao das sociedades indígenas.

Nova Era
Aqui, durante cinco séculos, os índios tiveram suas terras pilhadas, saqueadas, usurpadas, sempre através da violência armada. Em 1988, a Assembleia Nacional Constituinte deu um basta nisso, quando aprovou a Constituição, selando um pacto novo com mais de 200 povos. O Brasil falou, então, aos índios, que não era mais possível recuperar os 87% das terras que eles haviam perdido, mas daqui pra frente o Estado garantia a demarcação dos 13% restantes que ainda ocupam. A partir de agora, ninguém mais pode roubar terra de índio.

Esse foi o pacto assumido pela "carta cidadã" de 1988, que acatou o pressuposto da antecedência histórica, reconhecendo aos índios os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, posto que eles estavam aqui antes do que qualquer fazendeiro. O quadro jurídico novo reconhece ainda organização social, costumes, línguas, crenças e tradições, bem como a relação integrativa com a terra, que é tão essencial para os índios como o ar para qualquer ser vivo.

Com esse espírito, a Constituição criou mecanismos de ações afirmativas para compensar os crimes históricos cometidos contra os índios, permitindo que o país inaugurasse uma "nova era constitucional", para usar a expressão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Ayres Britto, em seu relatório sobre a Terra Indígena Raposa Serra do Sol.
O Brasil chamou, como testemunhas desse novo pacto, o mundo inteiro, quando assinou, em 2002, a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que estabelece, no plano internacional, a proteção das instituições, das pessoas, dos bens e do trabalho dos índios. Depois, no dia 13 de setembro de 2007, numa Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque, o Brasil aprovou a Declaração sobre os Direitos dos Povos Indígenas, e se comprometeu, na frente de todos os países do mundo, que iria respeitar esses direitos.

Agora, 38 deputados pretendem rasgar a Constituição e descumprir os acordos nacionais e internacionais do Brasil. Eles ressuscitaram a Proposta de Emenda Constitucional - a PEC 215/2000 - de autoria do deputado Almir Sá, do PPB (atual PP - vixe, vixe) de Roraima. Esta PEC estabelece que quem decide se uma terra é indígena não é a forma tradicional de ocupação, mas o Congresso Nacional, que pode até mesmo rever as demarcações já feitas. As raposas votam que são elas que devem tomar conta do galinheiro.

O relatório aprovado do deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR - vixe, vixe) retirou essa última parte sobre as terras já demarcadas, mas conservou o restante, que representa um golpe contra índios e quilombolas. Manteve várias outras propostas incorporadas à PEC 215, como a do deputado Carlos Souza (PSD-AM, vixe, vixe), que determina que as Assembleias Legislativas devem ser consultadas sobre demarcações - o que é competência da União - "a fim de se evitarem os significativos prejuízos que a demarcação de terras indígenas impõe às unidades federadas". Ele não explica que prejuízos são esses e, afinal, quem são os prejudicados.

Agonia do canário
A sessão da CCJ, tumultuada, durou mais de quatro horas. Os índios, é claro, se fizeram presentes e protestaram, entre eles, Jaci Makuxi, comandante da luta pela demarcação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol. Tiveram o apoio do deputado Alessandro Molon (PT-RJ), para quem a PEC é um "gravísimo retrocesso, gritantemente inconstitucional, que atende a sanha do ruralistas por novas terras".

O relatório foi aprovado com o voto de 38 deputados da CCJ. Entre eles, a fina flor da moralidade pública, da retidão e da honestidade, com uma larga folha de serviços prestados a si próprios: Paulo Maluf, Esperidião Amin, Alberto Lupion, Eduardo Cunha, Eliseu Padilha e - que vergonha! - Roberto Freire, além dos cultivadores de cacau do sul da Bahia, Felix Mendonça e Paulo Magalhães, inimigos declarados dos Pataxó e Tupinambá.

Agora, com o relatório aprovado, uma Comissão especial criada exclusivamente para isto, vai elaborar a emenda que deve ser apresentada ao plenário. Resta saber se a parte sadia do Brasil vai assistir acocorada, de braços cruzados, a morte do canário, e vai morrer junto com ele, ou se vai se levantar contra essa vergonhosa legislação em causa própria.

O ministro Ayres Britto, que assumirá a presidência do Supremo Tribunal Federal, representa um fiapo de esperança. Quando ele foi relator no caso Raposa Serra do Sol desmontou o alegado antagonismo entre a questão indígena e o desenvolvimento e defendeu "a efetivação de um novo tipo de igualdade, qual seja, a igualdade civil-moral de minorias que têm experimentado historicamente e por preconceito desvantagem corporativa com outros segmentos sociais".

Contra essa igualdade civil-moral é que votaram os 38 deputados, que parecem retomar o espírito das comemorações do Quarto Centenário do Descobrimento do Brasil, cuja sessão magna, no dia 4 de maio de 1900, foi aberta com um discurso do engenheiro Paulo de Frontin, empossado depois como prefeito do Rio de Janeiro. Ele disse, com todas as letras, que o Brasil nada tinha de indígena: "Os selvícolas (...), não são nem podem ser considerados parte integrante da nossa nacionalidade; a esta cabe assimilá-los e, não o conseguindo, eliminá-los".

O cara, que presidia as solenidades, estava propondo eliminar os índios, como se estivesse dando um presente de aniversário ao País. Afinal, qual é o lugar dos índios na construção do Brasil? Se for aquele planejado por Paulo de Frontin e pelos ruralistas, então quem está ameaçada é toda a sociedade brasileira, nós, nossos filhos e nossos netos, e já podemos ouvir os gritos soando nas galerias: - "Canary in the coal mine".

Fonte: http://www.taquiprati.com.br/cronica.php?ident=972

quinta-feira, 22 de março de 2012

DIA MUNDIAL DA ÁGUA - 22 DE MARÇO

(Encontro do Rio Joanes com o Ipitanga)

ABOIO E PERCUSSÃO EM LOUVOR À ÁGUA

Aos Companheiros do Projeto Encontro das Águas


Ê Rio, ê mar!
Que a aporrinhação do homem,
Seu ciúme e sua dor
Não joguem estrepe plástico chumbo
Mercúrio cádmio, manganês
Petróleo cromo arsênio ferro cobre
Detergente pesticida...BOMBA!
Sobre tuas águas ligeiras!
(Rio Muriqueira em Góes Calmon/Simões Filho)

Ê Rio, ê mar!
Os meninos brincam em tuas ingazeiras
Os animais se saciam em tuas anáguas
O namoro dos apaixonados em tuas barrancas
Os pescadores sobre teus lençóis
Azuis, cristais, práteos e verdes:
Trazem para a terra o sustento
De tuas gentes!...
(Rio JOanes em Cordoaria)

- Entram Subaé e Mataripe! Ê! Ê! –
Sai ganância: Chô! Chô!
- Entram Pojuca e Jacuipe! Ê! Ê! –
Sai ignorância: Chô! Chô!
- Entram Velho Chico e Subaé! Ê!Ê! –
Sai ganância: Chô! Chô!
- Entram Jacurana e Jaguaripe! Ê! Ê! –
Sai ignorância: Chô! Chô!
- Entram Almada e Sapato! Ê! Ê! –
Sai ganância: Chô! Chô!
- Entram Salitre e Traripe! Ê! Ê! –
Sai ignorância: Chô!Chô!
- Entram Paraguaçu e Itamboatá! Ê! Ê! –
Sai ganância: Chô! Chô!
- Entram Joanes e Itapicuru! Ê! Ê! –
Sai ignorância: Chô! Chô!..
(Mangue Maternidade Mãe Mulher: Marulho
Marola Mares Movimentos da Vida!
ÁGUA, Mãe da Vida!!!
(Rio Ipitanga em Portão)

NOTA: Cachoeira do Paraguaçu, 22 de março de 1998 – Dia Mundial da Água, Lançamento da Cartilha ECOS – SOS Água da ARUANÃ.
(Rio Joanes em Parafuso: pegue esse barco conosco!))

Créditos das fotos: Ademario Ribeiro
Fonte:
RIBEIRO, Ademario. Poética Poranduba - Eco-Étnica. Salvador: Editora do Autor, 2001.

terça-feira, 20 de março de 2012

RECITAL NA PRAÇA CASTRO ALVES - FOTOS



Eu e Graça Graúna (GG) temos tecido um diálogo que vem desde a nossa participação na Lista de Literatura Indígena, cuja moderação é da professora e escritora Eliane Potiguara, inclusive, ambas são filhas do povo Potiguara (RN).


Desses fios trançados vimos construindo uma teia que nos oportunizou se conhecer pessoalmente em Garanhuns (PE), a seu convite na realização da Oficina de Literatura Indígena, coordenada por ela. Foi mais que brilhante o encontro dos dois parentes e tecedores de fios/letras/amizade – foi com reencontro um fio cósmico que sempre nos uniu e não aonde cada um se encontrava – mas que ambos, cada qual no eu canto sabia que existia outro ente assim: hermano, malungo, kybyra (respectivamente, em: espanhol, em: kimbundo/kikongo e em: tupi) – e que mais cedo ou tarde haveria de ambos se entrelaçar.

Entrelaces e desenlaces à parte – prosseguimos. Na Lista, embora de Literatura Indígena, muit@s afro-brasileir@s por lá interagimos a malungagem. Eu desde os anos setenta que tenho encetado em minha modesta obra de teatro, poesia e artigos, além da participação nos movimentos sociais esse entrelace: amefroindígena – negríndio – indiafro... Essa identificação nos une e cremos bastante numa utopia de que já construímos alianças poderosas no passado e no presente – que não demore – possamos avançar e concretizar semelhanças e dessemelhanças num rosto multidiverso sem se perder a identidade/unidade.

Dias atrás ela me falou de outra oportunidade de nos entrelaçar pessoalmente, já que interagimos via Internet quase que todos os dias ou semanalmente. Apresentou sua proposta e planejamento para sua Universidade de Pernambuco (UPE), em virtude da Disciplina de Literatura Brasileira I – do V Período do Curso de Letras dessa instituição e sob sua orientação e coordenação que se estabeleceu o Recital: De Castro Alves aos Poetas do século XXI: a poesia engajada às lutas pela liberdade, na Praça Castro Alves - Centro Histórico de Salvador (BA), às 10h00 do dia 17.03.2012.

E assim, ante a belííííísima vista de Kirimurê - Baía de Todos os Santos (BTS), a excursão de Pernambuco a Bahia, tem seu ponto alto quando o sol na Praça do Poeta, do Poco como também é do Condor e do Avião - era suficientemente soberano, quase causticante, a poesia a assaltou e amenizou o clima com o talento, a verve, a performance e simplescidade d@s poetas que ali se fizeram presentes, gritando sua paixão à Ela e cantando parabéns ao nosso Poeta Maior! Eram eles e elas:

Ademario Ribeiro
Ailton Silva & Guerra
Douglas de Almeida
Edgar Velame
Edmilson Baraúnas
Francisco Assunção
Jorge Mello
Graça Graúna
Ivan Maia
Lílian Carneiro
Marcos Peralta

Participação especial:Dayvid William & Pedro Afonso. Estudantes visitantes, alunos da Profª Graça Graúna.

Apoio artístico dos poetas presentes.
Apoios decisivos e altruístas na logística: Natalina e Yã Bomfim Ribeiro, Márcia Barbosa, Emilene Moraes, Jorge Salles, Francisco Assunção, Everaldo Augusto, Elza Veiga e Cleide Ferreira.

A tod@s a minha gratidão mais profunda!
AR


Veja mais:
http://ggrauna.blogspot.com.br/2012/03/ciranda-poetica-na-praca-ao-povo-da.html

Créditos das fotos:
Natalina Bomfim Ribeiro & Yã Bomfim Ribeiro

A Terra é dos índios, e o carbono de quem é?


As caravelas continuam chegando - com outros nomes, estratégias, contudo, com as mesmas intenções das primeiras, antes de 1500. Claro, que há excessões e essas são bem-vindas. Porque não suportamos mais escravidões, extermínios, diásporas, perseguições, genocídios, criminalizações, preconceitos...


Leia abaixo, trechos do texto publicado no Carta Capital - sobre o que vem ocorrendo em terras indígenas acerca do negócio do carbono. Reflita e tire suas conclusões.

Grato por sua atenção.

Ademario.

Amazônia - 10.03.2012 10:58
A Terra é dos índios, e o carbono de quem é?
Por Natalia Viana, Ana Aranha, Jessica Motta e Carlos Arthur França

O vídeo promocional da empresa Celestial Green Ventures – “verde celestial”, em português” – traz imagens de uma reunião em uma localidade não identificada, na Amazônia. Em meio a fotos, com fundo musical, o irlandês Ciaran Kelly, CEO, explica: “Nós sentamos com a comunidade local, há uma discussão muito aberta, dizemos o que temos que fazer, quais são as suas responsabilidades e as nossas. Se concordamos, prosseguimos”.

O português João Borges de Andrade, chefe de operações no Brasil, aparece em fotos rodeado pela população local. “Eu gosto do contato com essas pessoas, elas são muito gentis e muito amigáveis. É emocionante”.

A Celestial Green atua em um novo setor que se fortalece nos recônditos da Amazônia brasileira: a venda créditos de carbono com base em desmatamento evitado, focado nas florestas. Por estes créditos, a empresa tem procurado indígenas de diversas etnias e teria assinado contratos com os Parintintin, do Amazonas, e Karipuna do Amapá, segundo as suas páginas no tweeter e facebook.

No dia 22 de setembro do ano passado, o mesmo João Borges, da Celestial Green, foi a uma reunião a respeito de um contrato de crédito de carbono com os índios Munduruku, na Câmara Municipal de Jareacanga, no Pará. Assim que ficou sabendo, a missionária Izeldeti Almeida da Silva, que trabalha há dois anos com os Munduruku, correu para lá: “Fui pega de surpresa. Depois falei com um dos líderes e ele disse que fazia tempo que estavam negociando com um grupo pequeno de lideranças”.

Quando chegou à sala de reunião, diz a freira, o espaço estava cheio. Estavam todos lá: caciques, cacicas, mulheres e crianças. Muitos vestidos para guerra: pintados, com arcos e roupas tradicionais. A reunião foi fotografada pelos dois lados. “Os guerreiros e as guerreiras estavam muito brabos com o pessoal que foram falar lá em cima”, lembra o cacique Osmarino. “As guerreiras quase bateram neles”.

Segundo Izeldeti, o representante da empresa mal conseguiu falar. “Eles gritavam em voz forte que estavam cansados de ser enganados. Disseram: ‘nós sabemos cuidar da floresta, não precisa de ajuda’. As mulheres guerreiras ficaram na fila e cada uma foi falando em Munduruku. Meteram a flecha perto do coração, passavam no pescoço. O representante da empresa disse que não entendia a língua, mas que não tava gostando porque era sinal de ameaça”. O contrato, no entanto, acabou sendo assinado naquele mesmo dia – tanto a empresa quanto os indígenas confirmam.

De acordo com Izeldeti e Osmarino, porém, o contrato foi assinado contra a vontade da maioria da população Munduruku.

Para concluir a leitura do texto integral ver o link (fonte): http://www.cartacapital.com.br/sociedade/a-terra-e-dos-indios-e-o-carbono-de-quem-e/

Fonte das imagens (1, 2 e 3): Google imagens
Fonte da ilustração de Tupac Katari esquartejado: PORANTIM. Brasília: CIMI,jan./fev., n.71/72, 1985: 13.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Celebração das Culturas dos Sertões


Sou sertanejo e sei o quanto a minha terra e minha gente são representativos em minha vida - o quanto ser do Sertão é uma identidade que me aproxima e me implele às pertenças de atitudes, compreensões e percepções de que sou e perpassam por mim: a caatinga, a resiliência, as diásporas, a anelada libertação, a água, a seca, o licurizeiro, o xiquexique, a macambira, os lajedos, os pios de pássaros, os arrebóis, os sonhos, a agonia e tantos entes, quase em número infinito e que nem sempre são vistos e não serão vistos de qualquer jeito: é preciso ter um "jeito" de olhar para ver, etc. Ora, desejo aqui anunciar um evento que vai tratar das Culturas dos Sertões. Leia abaixo, por favor:


I Encontro de Estudos das Culturas dos Sertões

Inscrições até 30 de março


Celebração das Culturas do Sertão debaterá projetos culturais que envolvam os sertões e incentive o surgimento de novas iniciativas referidas a este universo cultural.

Os interessados em apresentar seus trabalhos para o I Encontro de Estudos das Culturas dos Sertões têm até o próximo dia 30 de março para efetuar inscrição. O evento, que acontece nos dias 07 e 08 de maio de 2012, no Centro de Cultura Amélio Amorim, em Feira de Santana, abrange sessões de estudos, debates e discussões de trabalhos que analisem e reflitam sobre as culturas dos sertões. As apresentações acontecerão em sessões, coordenadas pelo professor da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Alberto Freire, e pelo historiador e pesquisador da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), Roberto Dantas, com os temas ‘Os sertões no cinema’, ‘Identidades e modos de vida dos sertões’ e ‘Os sertões pelas letras’.

O objetivo do Encontro de Estudos é estimular a articulação de projetos culturais já existentes, que envolvam os sertões e incentivem o surgimento de novas iniciativas referidas a este universo cultural. Para se inscrever, é necessário enviar um resumo expandido de no máximo duas páginas, com formatação conforme normas da ABNT, contendo título, nome do autor e palavras-chave, além de titulação, profissão e identificação dos vínculos do autor (es) com o tema em nota de rodapé. As inscrições deverão ser enviadas para o email culturadosertao2012@gmail.com.

O Encontro integra as atividades do evento Celebração das Culturas dos Sertões que acontece entre os dias 05 e 11 de maio no Teatro Castro Alves, em Salvador e no Centro Cultural Amélio Amorim, em Feira de Santana. A realização da Secretaria de Cultura da Bahia, através do Centro de Culturas Populares e Identitárias, busca promover, reconhecer e difundir a diversidade da cultura sertaneja em suas linguagens e manifestações. A Celebração tem ainda o intuito de criar um evento anual que insira as manifestações da cultura sertaneja no calendário oficial do estado, além de contribuir com a seqüência e solidificação do processo de territorialização da cultura na Bahia, importante diretriz para a Secretaria de Cultura, bem como com a ampliação do diálogo intercultural.

Fonte: http://www.cultura.ba.gov.br/2012/03/16/i-encontro-de-estudos-das-culturas-dos-sertoes-recebe-inscricoes-ate-30-de-marco/




quinta-feira, 15 de março de 2012

Recital pela Liberdade na Praça Castro Alves

RECITAL


De Castro Alves aos Poetas do século XXI: a poesia engajada às lutas pela liberdade.


Local: Praça Castro Alves - Centro Histórico de Salvador (BA).
Horário: 10h00

< Poetas presentes:

Ademario Ribeiro
Ailton Silva & Guerra
Douglas de Almeida
Edgar Velame
Edmilson Baraúnas
Francisco Assunção
Jorge Mello
Graça Graúna
Ivan Maia
Lílian Carneiro
Marcos Peralta

Claro, tod@s são convidad@s à essa Festa da Emancipação que tem na poesia o seu alimento alado, insubstituível e essencial - dando passagem às vozes que por lá queiram comparilhá-las com tod@s!!!

Historiando o porque deste Recital


A professora Graça Graúna (GG)* da Universidade de Pernambuco (UPE), minha estimada amiga e mana de coração e ações, virá numa Excursão Garanhuns (PE) a Salvador, no dia 17 de março (sábado), com seus estudantes do V Período de Letras (turno da noite), tendo como objetivo conhecer em Salvador, a Praça Castro Alves, e ali – com a minha participação (Ademario Ribeiro) e com poetas por mim convidad@s (leia acima) fazermos um recital em homenagem ao poeta baiano, Castro Alves, autor de “Navio negreiro” entre outros poemas notáveis de sua safra. Será também, uma homenagem ao Dia Nacional da Poesia (14.03) e ao mesmo tempo, ouvirmos a poesia dos poetas convidados que são referência por seus poemas engajados à luta contra escravidão. Venha ouvir, ver e se contagiar com suas leituras, declamações e performances.

Abaixo, (GG) apresenta-nos o que motivou essa excursão, a qual faz parte do seu planejamento junto a (UPE) para a Disciplina de Literatura Brasileira I. Ei-la:

"Justificativa: com base no conteúdo da disciplina Literatura Brasileira I, a excursão Salvador é uma maneira de refletir os caminhos da poesia romântica no Brasil. Nesta perspectiva, cabe a poesia social de Castro Alves: poeta baiano cuja data do nascimento inspirou no Brasil a criação do dia Nacional da Poesia. Castro Alves nasceu em 14 de março de 1847 na fazenda Cabaceiras, interior da Bahia. Concluídos os estudos secundários no Ginásio Baiano, onde começou a escrever seus primeiros versos, ingressou-se, em 1862, na Faculdade de Direito do Recife, onde despertou tamanha notoriedade por seu dom poético".



Após o aludido evento, socializaremos aqui as fotos.

* É autora indígena do povo Potiguara (RN), Profª Drª PhD e atua na área de Literatura e Direitos Humanos.