quinta-feira, 8 de março de 2012

Daniel Munduruku: Literatura indígena e meio ambiente - Rumo a Rio+20

Literatura indígena e meio ambiente - Rumo a Rio+20


Daniel Munduruku | março 2012


O ano de 2012 me traz à lembrança um acontecimento que marcou definitivamente a relação do povo brasileiro com as questões ambientais: a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, mais conhecida como ECO–92. Foi uma tentativa de encontrar caminhos para que o desenvolvimento pretendido pelos países não tomasse o rumo da destruição. Foram dias intensos, de muitos debates, protestos, manifestações pró e contra o desenvolvimento econômico.

Foto 1: Daniel Munduruku


A sociedade brasileira vivia um momento especial: a aprovação da nova carta magna de 1988 trouxe muitas esperanças e acenava com mudanças sensíveis no processo histórico. O movimento social estava atuando de modo intenso, pautando agendas ambientais e mobilizando a sociedade a participar das grandes transformações que o Brasil e o mundo pediam.

As populações indígenas também viveram de modo intenso esse momento histórico. Capitaneados por líderes como Marcos Terena, Ailton Krenak, Alvaro Tukano, Raoni e o saudoso Mário Juruna, e apoiados por organizações não-governamentais do Brasil e do mundo, puderam participar maciçamente de eventos paralelos onde se discutia o papel dos saberes ancestrais na retomada de uma visão holística capaz de salvar o planeta e, consequentemente, os seres humanos, seus principais degradadores.

Foi nessa época que primeiro ouvi falar da Carta da Terra. Fiquei curioso e também quis participar, aproveitando meu recente ingresso no programa de mestrado em Antropologia Social na Universidade de São Paulo. Era um prato cheio para um pesquisador ávido de novas emoções. Não me arrependi. Foram dias muito ricos, de contatos saudáveis com líderes tradicionais – como Davi Yanomami –, que me colocaram, para sempre, no contexto das lutas do movimento indígena brasileiro.

Confesso que não tinha ideia do que poderia ser um evento desse porte e ainda que carregasse comigo alguns pensamentos trazidos do bojo de minha comunidade, me surpreendi com a capacidade organizacional, com nível da participação, com o grau de comprometimento que meus parentes indígenas demonstraram durante aqueles dias. Ainda que a grande imprensa procurasse explorar acontecimentos negativos – foi quando veio a público a suspeita que o grande líder Paulinho Paiakan havia estuprado uma funcionária – o que mais eu presenciava era uma sensação de pertencimento a essa grande nação brasileira. Meu orgulho cresceu e meu compromisso com a causa também.

Em 2002 já houve outro acontecimento importante: a Rio+10. Infelizmente o impacto não foi o mesmo. Nem as articulações aconteceram no mesmo nível. Alias, em nenhum outro momento repetiu-se a fenomenal Rio-92, a maior conferência jamais realizada e que culminou com grandes transformações na forma de encarar os recursos naturais disponíveis no planeta. Hoje, ainda vivemos suas repercussões e grande parte do que conhecemos sobre o meio ambiente é fruto das resoluções que foram tomadas vinte anos atrás. Estados nacionais foram motivados a mudar suas legislações; instituições precisaram rever suas metas; indústrias tiveram que se adequar às novas proposições; foram criados programas e políticas públicas a partir da Carta da Terra; enfim, o mundo não foi mais o mesmo após a ECO-92.

Agora, em 2012, o Rio de Janeiro irá sediar a RIO+20. Os países membros irão reunir-se novamente para as rodadas de negociações na tentativa de encontrar termos de convivência possível para que o Planeta Terra, nossa Nave-Mãe, tenha uma sobrevida capaz de sustentar a existência humana por mais algum tempo. O resultado, ninguém sabe. Há muitos entraves que podem brecar o avanço nas negociações; há muita força contrária à redução do efeito estufa, principal ameaça ao clima do planeta; há muitos interesses contrários à preservação das florestas ou da biodiversidade; há muita disposição das indústrias de alimento e farmacêuticas no sentido de não garantir o direito dos detentores dos conhecimentos tradicionais. Portanto, as forças irão continuar se digladiando para defender seus interesses.

E o que tem a literatura com tudo isso?

Tem tudo. A ECO-92 nos ensinou que fazemos parte de uma Grande Teia que se une ao infinito ainda não desvendado. Lembrou-nos que somos responsáveis pelo que pode acontecer a esse nosso planetinha e que cada pessoa pode dar sua contribuição – mínima que seja – para que a coisa não degringole de vez. Desde já começamos a assumir uma nova postura ambiental que passa pela mudança de comportamento e pela aceitação de que “não somos donos da teia da vida, mas apenas um de seus fios” (Chefe Seattle). Essa compreensão levou ao surgimento de muitos livros que indicam comportamentos mais saudáveis para nossas crianças e jovens; gerou uma legislação nacional sobre o meio ambiente; criou nas instituições de ensino a obrigatoriedade de se trabalhar o tema ambiental não mais separado das outras disciplinas e ordenou, juridicamente, o modus operandi para a proteção do ambiente, comum a todos nós.

Digo, com alguma certeza, que esse evento universal foi responsável, também, pelo surgimento de uma literatura indígena, uma vez que motivou jovens nativos a colocarem no papel sua própria compreensão de mundo, de natureza, de compromisso com um universo que não pertence a ninguém, porque é de todos e para todos. Isso fica visível na produção literária que os indígenas estão fazendo, nas ações do movimento indígena organizado, na crescente produção cinematográfica de indígenas empreendedores, nas discussões cada vez mais qualificadas sobre o fundamental papel das populações indígenas como guardiães do tesouro ambiental que ainda existe nesse país (e não pela participação dos monocultores que detonam o ambiente como propriedade privada).

Por tudo isso, estamos pensando nossas ações baseados na reunião da RIO+20 que irá acontecer em junho. O 9º Encontro de Escritores e Artistas Indígenas – que acontecerá durante o Salão FNLIJ de Livros para Crianças e Jovens – terá como tema o meio ambiente e sua relação com a literatura. Almejamos criar uma caravana literária que faça chegar o tema às escolas brasileiras. Queremos provocar as universidades a unir pensamentos; desejamos participar de feiras internacionais para colocarmos o modo de pensar de nossos povos. É nossa modesta contribuição para alimentar, ainda mais, a visão de que podemos – se unirmos forças – manter o céu suspenso por longo tempo ainda.

Quem vem conosco?

Foto 2: 8º Encontro de Escritores e Artistas Indígenas - Rio de Janeiro/2011


Crédito da Foto 1: http://pt.globalvoicesonline.org/2009/04/14/trilogia-indigena-2-escritores-e-poetas-indigenas-na-blogosfera/
Crédito da foto 2: Luana Fortes.
Fonte da matéria: http://www.revistaemilia.com.br/mostra.php?id=141

quarta-feira, 7 de março de 2012

Releituras de Criaturas de Ñanderu de Graça Graúna


Hoje, 7.03.12, recebi e-mail da minha estimada mana, Graça Graúna* com a qual conversei nessa manhãzinha por telefone sobre nossas Abá ekó - Coisas de índio(a), nossa literatura, nossas vidas, nossas ramas. Seu e-mail tinha a mesma tinta de (quase) sempre: tons do seu lindo coração. Ela me informava de que fora a cidade de Pernambuco assistir a uma apresentação na Escola de uma ex-aluna sua, Profª Karina, ora, com seus(uas) aprendizes.

Lá, Graúna, que às vezes gosto de chamá-la de Grão (Semente) – se comoveu ao ver, ouvir, sentir, tocar nas releituras acerca do seu livro Criaturas de Ñanderu – um conto que apresenta a emocionante história de uma garotinha que presta a atenção às histórias contadas pelos sábios de seu povo e que ao crescer não se distancia dos saberes ali aprendidos, apreendidos e sorvidos – e são esses conhecimentos que a fazem forte diante dos vendavais sistêmicos e incessantes (atrações/traições) da Serpente Civilizatória e da FeroCidadeGrande – que é onde ela fica um tempo bem grande fora do povo de aldeia – mas, sem deixar a peteca cair nas arapucas sedutoras da Cobra Grande e quando pode ou dar veneta, ela larga tudo e vai para o mato reencontrar os seus parentes!


Gostaria então que você que nos lê acessasse este link:
http://intercriaturasdenhanderu.wordpress.com/

para conhecer as releituras da professora Karina e de seus(uas) aprendizes, através de textos e desenhos, a partir das leituras que fizeram do livro Criaturas de Ñanderu da autora potiguara, Graça Graúna.


Caro leitor(a), muito grato e se (re)encontre com a nossa Cultura Indígena. Traga-a para sua sala de aula, consultório, empresa, varanda, playground, praça, sala de estar...


*Graça Graúna é indígena Potiguara (RN), Profª Drª PhD e atua na área de Literatura e Direitos Humanos.


Fonte da Capa do livro: http://ggrauna.blogspot.com/2009/11/lancamento.html

Fonte das demais ilustrações:
http://intercriaturasdenhanderu.wordpress.com/

terça-feira, 6 de março de 2012

IX Encontro Estadual de História - ANPUH-PE




Apresentação

A Direção da Associação Nacional de História - Seção Pernambuco (ANPUH-PE), biênio 2011-2012, tem a satisfação de convidar os estudantes, professores e pesquisadores vinculados à sua área de conhecimento a participarem do nosso IX Encontro Estadual de História. A temática do evento será "História e Diversidade: Novas Narrativas, Sujeitos e Espaços", e ocorrerá no período de 23 a 27 de julho de 2012.

Nesse sentido o evento visa à integração dos estudantes ao seu futuro ambiente profissional, bem como, o intercâmbio e a educação continuada dos profissionais da área, que serão oportunizados em conferências, mesas-redondas, simpósios temáticos, exposições de painéis, cursos de curta duração (10h), fóruns de graduação, pós-graduação e grupos de trabalho (GTs Estaduais), bem como, lançamentos e diálogos culturais.

Tendo como elemento catalisador a questão da diversidade no ensino, pesquisa e extensão em História, sobretudo no contexto atual de legalização da profissão do historiador, esta edição do encontro ocorrerá pioneiramente no Centro Acadêmico do Agreste - CAA, em Caruaru. Considerada a "porta do Agreste pernambucano", a conhecida cidade de Caruaru, onde está o CAA (Campus da UFPE/Caruaru) com suas instalações, favorecerá a participação dos profissionais de História espalhados no território do estado, possibilitando a realização de uma das metas da atual gestão: a interiorização da entidade. Além disso, acreditamos que a partir desta descentralização das ações de nossa associação, valorizaremos não só os campi no interior do estado, que abrigam cursos de História, mas promoveremos novas possibilidades de intercâmbio e diálogo da rica produção historiográfica que vem sendo realizada em nosso estado e em todo país.

Comissão Organizadora
Diretoria da ANPUH-PE (Gestão 2011-2012)
Presidente: Edson Silva
Vice-Presidente: Lucas Victor
Secretaria Geral: Maria Lana Monteiro
1.ª Secretária: Elba Chagas
Tesouraria: Andrea Bandeira

IX Encontro Estadual de História - 2012 ANPUH-PE
(UFPE/Caruaru 23 a 27/07/2012)


Para inscrições nos Simpósio Temáticos, MInicursos e Posteres ver o site: http://www.pe.anpuh.org


PROGRAMAÇÃO GERAL
Conferência de abertura:
História e Diversidade: Memória, Verdade e Justiça.
Prof. Dr. Carlos Fico (UFRJ).


Mesa redonda 1:
Gênero, Feminismo e Políticas Públicas: Um Balaço Historiográfico.
Palestrantes: Profa Drand. Andrea Bandeira (Coord.), Profa. Dra. Maria Cecília Patrício, Profa. Me. Juliana Lucena.


Mesa redonda 2:
Ensino de História, Diversidades e Diferentes Abordagens.
Palestrantes: Profa. Dra. Adriana Paulo (Coord.), Profa. Me. Zeneide Rios, Prof. Me. Alexandre Amorim.


Mesa Redonda 3:
A Medicina e a Cidade: Construções de Espaços Modernos (Séc. XIX e XX)
Palestrantes: Prof. Dr. Carlos Miranda (Coord.), Prof. Me. Arthur Garcéa, Profa. Me.Priscila Susan.


Mesa Redonda 4:
Procedimentalíssimo, Participação e Diversidade.
Palestrantes: Prof. Dr. Michel Zaidan (Coord.), Prof. Dr. Fábio Andrade, Profa. Dra. Alessandra Barroso.


Mesa Redonda 5:
Administração, negócios e ação militar na América Portuguesa (XVI-XVIII).
Palestrantes: Profa. Drand. Janaína Guimarães (Coord.), Profa. Dra. Kalina Vanderlei, Prof. Me. Reinaldo Forte.


Mesa Redonda 6:
Ditadura, Arquivos e Patrimônio em Pernambuco.
Palestrantes: Profa. Dra. Marcília Gama (Coord.), Prof. Me.Felipe Galindo, Marcelo Mário Melo.


Mesa Redonda 7:
O Alufá Rufino: biografia e escravidão
Palestrantes: Prof.Dr. José Bento Silva (Coord.), Prof. Dr. João José Reis, Prof. Dr. Marcus Carvalho.


Conferência de Encerramento:
Prof. Dr. Edson Silva (ANPUH-PE)

Fonte: http://www.pe.anpuh.org/conteudo/view?ID_CONTEUDO=457

Líderes Pataxó Hã Hã Hãe repudiam

Nota de repudio à proposta do Governador Jaques Wagner em relação à transferência da Terra Indígena Caramuru-Paraguaçu



Em fevereiro de 1857, Marciano de Jesus Fontoura, sub-delegado de polícia da então Vila do Prado, no atual extremo sul baiano, protestou, junto a Casemiro de Sena Madureira, Diretor Geral dos Índios, contra a pretendida mudança dos Índios estabelecidos nessa Vila para a de Alcobaça, sob a justificativa de que eram Índios moradores às margens do rio da Vila do Prado desde a criação da mesma e não lotes de gado que o seu Pastor leva para o lugar que mais interesse tem (1857. 02. 10. Ofício de Marciano de Jesus Fontoura, Sub-delegado de Polícia do Prado, a Casemiro de Sena Madureira, Diretor Geral dos Índios. APEB - Secção Histórica: Presidência da Província – Agricultura, Indústria e Comércio - índios – Maço 1857-1864).

A pretendida mudança de Índios Pataxó e de outras etnias ali estabelecidos não se concretizou. Exatos 155 anos depois ou pouco mais de um século e meio do fato acima relatado, o governador do estado da Bahia, Jacques Wagner, propõe, em flagrante desrespeito à Constituição Federal e, consequentemente, aos legítimos direitos dos Pataxó Hãhãhãe sobre as terras que tradicionalmente ocupam, que a Reserva Indígena Caramuru-Paraguaçu “seja deslocada da área original e demarcada em outro local, na mesma região, como forma de reparação pela ocupação das terras por fazendeiros e pelo surgimento das cidades. Os índios ser[iam] compensados com equipamentos públicos como escolas, posto de saúde, estradas e equipamentos agrícolas”(“Wagner sugere compensar Índios por área ocupada”, por Leonel Rocha/Época).

Os Pataxó Hãhãhãe e demais signatários desta Nota repelem e denunciam, com firmeza, a atitude colonialista do governador baiano, ao tempo em que reafirmam a existência legal contínua e ininterrupta da Terra Indígena Caramuru-Paraguaçu desde a sua criação pela Lei Estadual de 1926, e o direito de posse indígena integral sobre todo o seu território por ocasião da promulgação da Constituição de 1988. Reafirmam, finalmente, que da Terra Indígena Caramuru-Paraguaçu jamais sairão e que confiam no descortino, sensatez e espírito de justiça dos Ministros do Supremo Tribunal Federal/STF.

Brasília, 02 de março de 2012

Assinam:

Pela APOINME – Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espirito Santo: Luiz Titiah

Pela Comunidade Pataxó Hãhãhãe: Nailton Muniz Pataxo – Cacique, Ilza Rodrigres – Cacique, Gerson de Souza Melo – Cacique, Luiz Ferreira dos Santos – Cacique,
Reginaldo Ramos dos Santos – Cacique.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Encontro dos povos indígenas falantes das línguas Tupi Mondé e Rama Rama

Encontro dos povos indígenas falantes das línguas Tupi Mondé e Rama Rama
Publicado em 26 de fevereiro de 2012 por Marcelo Manzatti

Entre os dias 20 e 21 de fevereiro, em pleno Carnaval, no auditório da sede da Associação Metareilá do Povo Paiter Suruí, no distrito de Riozinho, em Cacoal-RO, ocorreu o I Encontro do Corredor Tupi Mondé, com a participação expressiva de líderes de comunidades e associações dos povos indígenas falantes das línguas Tupi-Mondé e Rama Rama: Paiter (Suruí), Karo (Arara), Pádèrej (Cinta Larga), Ikolen (Gavião) e Pangyjej (Zoró). O Encontro foi realizado pela Metareilá e pela Kanindé, com apoio das associações indígenas do Corredor Tupi Mondé, do Parlamento Paiter, do Grupo de Trabalho Amazônico (GTA/RO), da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental (SEDAM/RO), das Fundações Skoll e Moore, da FUNAI e do Projeto Conservação da Biodiversidade em Terras Públicas na Amazônia. A participação no Encontro superou em muito os 27 representantes indígenas e 20 brancos assessores/convidados esperados: no primeiro dia, estiveram presentes 68 participantes – entre indígenas Apurinã (1), Arara (4), Cinta Larga (10), Gavião (9), Suruí (21) e Zoró (6), e brancos (17) representando organizações parceiras e convidadas; e no segundo dia, 53 participantes deram continuidade aos trabalhos – entre indígenas Apurinã (1), Arara (4), Cinta Larga (8), Gavião (8), Suruí (16) e Zoró (7), e brancos (9).

Dentre os representantes de instituições parceiras e convidadas, destacaram-se as presenças de Marcos Apurinã (Coordenador Geral da COIAB), Urariwé Suruí (Coordenador Regional da FUNAI de Cacoal), Naraiagoteme Suruí (Gerente Indígena da SEDAM), Júlio Naraykosar Suruí (Coordenador de Assuntos Indígenas da Prefeitura Municipal de Cacoal), um representante da Secretaria dos Esportes, da Cultura e do Lazer (SECEL/RO), a vereadora Ligia Neiva (PTB) do município de Rondolândia-MT, que apoia o povo Zoró na área de educação, e demais assessores das associações indígenas.

O encontro foi convocado com o objetivo de promover a discussão e construir entendimentos coletivos entre os cinco povos sobre a gestão etnoambiental e cultural do Corredor Tupi Mondé. A programação começou no primeiro dia com uma série de palestras e exposições em painéis e mesas, seguidas de debates, sobre os seguintes temas: análise de conjuntura; cultura; gestão territorial e ambiental; e associativismo e redes sociais – nas quais participaram indígenas e brancos (assessores e representantes de órgãos públicos federais e estaduais)



Ao final do primeiro dia foram constituídos quatro grupos de trabalho, compostos com representantes de todos os povos presentes ao encontro para, em torno de perguntas orientadoras, construir entendimentos e apresentar propostas sobre: o que é o Corredor; quais os tipos de articulação e de atuação possíveis entre os povos no Corredor; e a gestão territorial e ambiental do Corredor.



Retomando as atividades na manhã do segundo dia, após as apresentações dos resultados dos grupos de trabalho, seguiu-se um debate em torno do melhor arranjo para articular os povos indígenas do Corredor, suas comunidades e associações, e fez-se uma rápida sistematização do principais problemas, desafios e propostas levantados, de modo a constituir uma agenda/pauta para o prosseguimento das ações no Corredor pelos povos indígenas. Tirou-se a composição de uma “comissão provisória”, que se reunirá no próximo dia 09 abril, com apoio dos recursos das próprias associações, de modo a consolidar a agenda e avançar na definição da estrutura de governança do Corredor – que deve, no futuro, incorporar representantes dos povos e comunidades tradicionais agroextrativistas, que vivem nas reservas extrativistas estaduais ao norte do Corredor (conforme entendimento construído durante o encontro).

A plenária do encontro também aprovou o encaminhamento de cinco manifestações a autoridades federais e estaduais – notadamente, a Presidenta Dilma, o Presidente do Congresso Nacional e os governadores de Mato Grosso e Rondônia – renovando demandas do movimento indígena, cobrando compromissos assumidos por essas autoridades em diferentes momentos e exigindo maior participação indígena nos assuntos que lhes dizem respeito – em especial, medidas legislativas ou administrativas que os afetam. Aproveitando-se a presença do Coordenador Geral da COIAB, Marcos Apurinã, também foi repassada e revista a agenda política do movimento indígena para os próximos meses, que inclui, entre outros: o processo de regulamentação do direito de consulta previsto na Convenção 169 da OIT; uma assembleia extraordinária da COIAB entre os dias 27 a 31 de março próximo, em Manaus/AM; e a realização do Acampamento Terra Livre (ATL) 2012 no âmbito da Cúpula dos Povos que precede a Rio+20, em junho, no Rio de Janeiro/RJ.

Fonte: http://www.famalia.com.br/?p=11069

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Temas de vanguarda em Seminário de Educação em Umbuzeiro - PB



A minha participação no VII Seminário de Educação do Município de Umbuzeiro/PB, cujo temário Por uma Educação que valorize a Pessoa Humana e o Meio Ambiente, para minha imensa alegria e honra, foi uma indicação da Profª Drª PhD Graça Graúna, em virtude de solicitação originada pelo Prof. Antonio Agostinho Silva, membro da Secretaria Municipal de Educação do município de Umbuzeiro no Estado da Paraíba, o qual aceitou e convidou-me.

Fui acolhido pela secretária de Educação desse município, profª Maria Conceição Brito, pelos seus auxiliares, entre esses, o querido prof. Antpnio Agostinho Silva e, após o VII Seminário participei de uma animada roda de conversas com algumas educadoras, entre essas, destaco as professoras Terezinha Araújo Barreto, Nanci de Paula Vilanova e Ladjana. Meu translado Recife x Umbuzeiro e Umbuzeiro x Recife foi através do senhor Hélio - amável e hábil condutor.

Ao término, como singelas lembranças minhas e de Graça Graúna, brindei os professores com livros, livretos e jornais – os quais têm como temas: a causa indígena, literatura (poesias, tankas, trovas), direitos indígenas e educação ambiental. Socializamos pastas com arquivos diversos sobre os temas das palestras. Aporte esse que poderá referenciar pesquisas e estudos a professores, pesquisadores, estudantes e demais interessados nos temas das palestras.
Leia abaixo release do aludido evento.

RELEASE


Realizado em 06 de Fevereiro de 2012, o VII Seminário de Educação do Município de Umbuzeiro/PB com o temário: “Por uma Educação que valorize a Pessoa Humana e o Meio Ambiente”, teve como público alvo os mais de 200 Professores da Rede Municipal de Ensino, e apresentou como objetivos a realização de uma abordagem mais específica no que se refere à aplicação da Lei 11.645/08, que trata da obrigatoriedade do ensino da História da África, dos Povos Indígenas e das Culturas Afro-brasileira nas escolas, com um recorte específico na temática que trata dos Direitos Humanos. Contou com a ilustre participação como palestrante do Professor Ademario Ribeiro, que dirigiu os trabalhos realizados durante o dia.

Em um segundo momento foi proferido uma palestra sobre Educação Ambiental, um tema de bastante relevância, e que ora se apresenta como tema integrante dos Projetos Pedagógicos desenvolvidos nas escolas. Os referidos temas foram escolhidos de acordo com prioridades estabelecidas no Plano de Metas – PDE, em consonância com Plano de Ações Articuladas – PAR do Município de Umbuzeiro/PB, ao qual contemplam planos de formação nas áreas de Educação em Direitos Humanos, Educação Ambiental e Educação para a Diversidade das Relações Étnicoraciais.

Maria da Conceição Brito
Secretária de Educação do Município de Umbuzeiro/PB.

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Enfim, os professores e estudantes presentes, entoaram seus maracás e cantaram Koyra (Tempo de agora) em Tupi - Português, ao sairem para a "merenda". Voltaram a entoar os maracás ao cantarem Celebração , poesia e música que evocam os quatro elementos da Mãe Terra em seus ciclos biogeoquímicos para manutenção da Vida!

Direitos Humanos, Educação, Educação Ambiental, Relação Sociedade e Natureza, as Histórias e Culturas dos Povos e naquele momento -, dos Indígenas, assim como os Direitos de Crianças e Adolescetes (fizemos também esse recorte com uma Linha do Tempo) - todos são sim, vanguardas na Educação e na Aventura Humana na Terra. O Amor, a Ternura, o Respeito a Diversidade - são vanguradas. Porque só ums Educação Emancipadora - livre de correntes, mordaças - pode dignificar e elevar as pessoas a serem cada vez mais felizes em Ser e Estar em seu lugar e no mundo!

Crédito das fotos: Secretaria Municipal de Educação de Umbuzeiro - PB.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

CARTA DE PORTO ALEGRE

CARTA DE PORTO ALEGRE

AOS NOSSOS IRMÃOS E IRMÃS, POVOS E ORGANIZAÇÕES INDÍGENAS DO BRASIL E DO MUNDO

Nós, representantes de Povos Indígenas e dirigentes de organizações indígenas do Brasil, membros das organizações que compõem a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil – APIB (Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo – APOINME; Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira – COIAB; Articulação dos Povos Indígenas do Sul - ARPINSUL; Grande Assembléia do Povo Guarani - ATY GUASU; Articulação dos Povos Indígenas do Pantanal – ARPIPAN y Articulação dos Povos Indígenas do Sudeste - ARPINSUDESTE), reunidos na cidade de Porto Alegre, Estado do Rio Grande do Sul, Brasil, durante os dias 29 a 31 de janeiro de 2012, após participarmos do Foro Social Temático: crise do capitalismo, justiça social e ambiental e da Assembléia dos Movimentos Sociais, realizados no período de 24 a 28, visando a Cúpula dos Povos e a “Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (UNCSD)”- Rio + 20, que serão realizados no mês de junho deste ano na cidade de Rio de Janeiro.

Diante os diferentes processos de organização, preparação e participação para a Conferência Rio + 20, manifestamos às nossas organizações irmãs da Abya Yala, Coordenadora de Organizações Indígenas da Bacia Amazônica (COICA), Coordenadora Andina de Organizações Indígenas (CAOI), Conselho Indígena da América Central (CICA) e outras organizações indígenas deste continente e do mundo, o nosso posicionamento sobre estes processos.

Primeiro – Considerando a importância das problemáticas e temas diversos agendados pelas Nações Unidas, em razão de seus evidentes impactos sobre a vida dos nossos povos, registramos o nosso desacordo pela forma como os organismos oficiais envolvidos, alguns sob coordenação de indígenas em nível nacional e internacional, tem agido, centrando em indivíduos a organização da agenda global nos aspectos que nos afetam.

Segundo – Repudiamos o fato de que tenham ignorado até o momento a participação dos nossos dirigentes e organizações do Brasil e da Abya Yala nesses processos, dizendo que estas não representam aos nossos povos e que no caso do Brasil somente existem duas organizações que seriam as representativas, o Comitê Intertribal e o Conselho Nacional de Mulheres Indígenas (CONAMI).

Terceiro – Queremos esclarecer aos nossos irmãos e irmãs do Brasil e do mundo que estas organizações estão coordenadas por pessoas que trabalham no órgão indigenista oficial, a Fundação Nacional do Índio (FUNAI), de vinculação questionável junto às comunidades indígenas. Já as nossas organizações, que como toda organização social podem ter os seus problemas, na história do movimento indígena brasileiro, são atuantes, tem pautas de luta junto a suas bases e tem sido importantes, sob coordenação da APIB, nas dinâmicas de incidência junto o governo federal e nas ações reivindicatórias dos nossos povos e organizações.

Por conta destas lutas nos espaços institucionais e sobretudo pelas lutas concretas que se desenvolvem nas nossas bases em defesa das nossas terras e territórios, contra o latifúndio, o monocultivo, o agronegócio, os grandes empreendimentos como as hidrelétricas, portos, estradas e o extrativismo industrial (madeireiro, mineiro, entre outros), muitos dos nossos líderes de organizações e associações locais tem sido assassinados, são perseguidos e presos arbitrariamente. No ano de 2010 foram assassinados 63 irmãos nossos sem que haja havido ate o momento, por parte do poder judiciário, o julgamento e a condenação dos autores intelectuais e executores.

Jamais admitiremos que esta realidade e trajetória de luta seja ignorada e desrespeitada.

Quarto – Perante estes fatos reafirmamos que não reconhecemos dinâmicas, instâncias e iniciativas que não tenham passado por processos de consulta e coordenação com as nossas organizações, fazendo exatamente o que os governos costumam fazer ao violar frequentemente o nosso direito à consulta livre, prévia e informada, estabelecido pela Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Concretamente, ressalvando o respeito aos nossos irmãos e irmãs que ali comparecerão, não reconhecemos que a Karioca II seja o espaço de discussão da agenda global da Rio + 20 e de outras questões que nos afetam enquanto povos, pois trata-se de uma iniciativa claramente de caráter oficial desvinculada da realidade social e política, dos problemas concretos dos nossos povos e comunidades.

Quinto – Reafirmamos perante todos os nossos irmãos e irmãs, os diferentes órgãos governamentais, organizações não governamentais e as mais diversas organizações políticas, sociais e populares do Brasil e do mundo que o espaço de discussões da agenda global e da pauta específica dos povos e comunidades indígenas será o Acampamento Terra Livre (ATL), pelo Bom Viver e Vida Plena, no Rio de Janeiro, no contexto da Cúpula dos Povos e da Conferência das Nações Unidas.

Esclarecemos que o Acampamento Terra Livre até agora tem sido a maior ação política que os nossos povos e organizações tem desenvolvido anualmente a partir de 2004, reunindo aproximadamente 1000 lideranças indígenas para discutir os seus problemas, demandas, reivindicações e propostas comuns diante o Estado brasileiro. Neste ano decidimos realizá-lo no Rio de Janeiro, com o propósito de internacionalizá-lo e com a esperança de fazer dele um espaço de convergência com os nossos irmãos e irmãs do mundo que virão à Cúpula dos Povos e à Conferência da ONU.

Sexto – Para concluir, convocamos a todos os povos, organizações e lideranças indígenas do Brasil e do mundo para que se juntem conosco com o objetivo de mostrar aos governos e corporações transnacionais, que apesar das distâncias geográficas, de línguas e outras diferenças, estamos unidos, temos problemas semelhantes, direitos, necessidades e aspirações comuns pelas quais deveremos lutar e incidir nos distintos espaços nacionais e internacionais durante e muito além da Rio + 20.

Pelo Bem Viver e a Vida Plena dos Nossos Povos

Articulação dos Povos Indígenas do Brasil – ABIB

Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil, 31 de janeiro de 2012.

Fonte: Enviado por Uilton Tuxá, via Grupo de Culturas Populares - uiltontuxa.ba@ig.com.br